Dia a dia

Estrangeiros no AM são penalizados por facção

No Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), os regimes semiaberto e aberto abrigam estrangeiros envolvidos com o tráfico de drogas no Estado – Divulgação

Cento e vinte nove estrangeiros estão cumprindo algum tipo de pena no sistema penitenciário do Amazonas, conforme a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Segundo o delegado Paulo Mavignier, do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), a maioria desses imigrantes está chegando no Estado sem participar de organizações criminosas. De acordo com ele, ao chegar nos presídios, esses presos oriundos de outros países são obrigados a trabalhar para a facção criminosa Família do Norte (FDN), que tem um estatuto rigoroso para quem não cumpre as regras.

“Se não trabalham para a organização, os estrangeiros são assassinados ou sofrem algum tipo de represália e até retaliações”, destacou o delegado Paulo Mavignier.

Mavignier informou que a maioria dos estrangeiros que estão presos nos presídios do Amazonas é da Colômbia ou Peru, oriundos da região de tríplice fronteira. Segundo ele, durante os depoimentos a maioria dos imigrantes fica calada e só fala em juízo.

Zona perigosa

Para as autoridades locais, nacionais e estrangeiras, a tríplice fronteira é uma área de intenso tráfico de drogas, onde narcotraficantes e mulas (pessoas que transportam entorpecentes) andam com armas de grosso calibre e fazem o transporte de drogas à luz do dia em diversos tipos de embarcações ou pelas matas dos três países.

Maioria da Colômbia

De acordo com o secretário-executivo adjunto da Seap, major da Polícia Militar (PM) Klinger Paiva, a maioria dos apenados que estão nos presídios é colombiana, que responde por tráfico de drogas. O órgão também informou que 110 presos são homens e 19 mulheres.

Paiva revelou que nas penitenciárias não existe um regime diferenciado para os estrangeiros. “A partir do momento que eles são presos em flagrante são colocados com os outros detentos. Só abrimos exceção para aqueles que são ameaçados de morte, pois temos que resguardar a vida de todos os presos. Assim temos que separá-los de outros presidiários”, disse o secretário adjunto da Seap.

La Muralla

Agentes do Departamento da Polícia Federal (DPF) também informaram ao EM TEMPO que as prisões de estrangeiros no Amazonas têm acontecido com certa frequência, por conta da transferência dos grandes líderes da organização criminosa FDN, durante a operação La Muralla, que ocorreu em novembro de 2015 e julho de 2016.

‘Zé Roberto da Compensa’ foi transferido durante a operação La Muralla

Durante a operação, em 2016, o narcotraficante peruano Wilder Chuquyzuta foi preso pela PF. Ele era conhecido como “Tronco” ou “Troncozito”. Para a polícia, a prisão dele foi considerada um marco no combate ao tráfico de drogas no país, uma vez que ele estava sendo procurado pela Interpol e era o maior fornecedor da FDN.
Nigeriano manda no tráfico

Conforme investigações do Denarc, o nigeriano Francis Olumuyiwa Olufunwa, o “Nigéria”, comanda o tráfico de drogas na Zona Norte de Manaus. No Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam), consta que o estrangeiro responde a dois processos por tráfico de drogas. Durante o massacre de 56 detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no início deste ano, o africano estava com uma submetralhadora e uma pistola. De acordo com a polícia, as armas teriam entrado no sistema penitenciário às vésperas de Natal (25).

Antigos no crime

Em 1994, o alemão Reinhard Gerusch, o italiano Fabrízio Orlandini e o espanhol Joaquim Mendoza foram presos pela pela PF tentando fazer o transporte de cocaína da tríplice fronteira para a Europa. Na época, a PF informou que os estrangeiros compravam drogas do cartel de Letícia por um preço abaixo do mercado para vender em outros países. Atualmente, existem sete cartéis de drogas que comandam a região do Alto Solimões.

Traficante e advogado

Segundo delegado Paulo Mavignier, a maioria desses estrangeiros está chegando no Estado sem participar de organizações criminosas e sofre sanções

No dia 28 de setembro de 2016, o advogado colombiano José Eduardo Marquez Hoyos, 48, e o taxista Igleyson Marinho Vaz, 25, foram presos com R$ 24 mil e a 50 quilos de maconha skank, avaliada em R$ 400 mil pela Polícia Civil. A dupla foi presa em flagrante durante uma ação conjunta entre policiais do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc) e policiais militares da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), na avenida 7 de Setembro, próximo à praça Heliodoro Balbi, conhecida como praça da Polícia, no centro da cidade. A droga foi apreendida na casa de Igleyson, situada na rua Canário, bairro Petrópolis, Zona Sul.

De acordo com o diretor do Denarc, delegado Paulo Mavignier, os suspeitos estavam sendo investigados há um mês, após uma denúncia anônima informando que um colombiano estava hospedado em um hotel na rua Joaquim Nabuco, no centro de Manaus, comercializando drogas.

“Esse caso foi muito diferente dos outros, pois o Hoyos era advogado de fato e já estava comercializando drogas na cidade há um bom tempo. Eles sempre se hospedam em hotéis do Centro com grandes quantidades de drogas.

Thiago Monteiro
EM TEMPO

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