Política

‘Estou pronto para governar o Estado até o último dia’, afirma David Almeida

David Almeida foi empossado semana passada – Arthur Castro

Aos 48 anos de idade e com 11 anos de mandato parlamentar, a trajetória política de David Almeida (PSD) deu uma guinada de 360 graus na última semana. De aspirante a político há 11 anos, a governador do Estado por força das circunstâncias.

Constitucionalmente, na linha de sucessão, o presidente da Assembleia Legislativa é quem assume o Poder Executivo na ausência do governador e vice. E assim fará David Almeida nos próximos quatro meses, tempo em que deve dirigir o Estado do Amazonas até a eleição e posse de um novo governador e vice para finalizar a gestão, em 31 de dezembro de 2018

 

Ainda surpreso com os últimos acontecimentos, Almeida disse que vai imprimir sua marca no governo

EM TEMPO – O senhor vai pautar seu mandato nestes próximos quatro meses com parcerias entre as forças políticas e instituições?

De aspirante a político há 11 anos, a governador do Estado por força das circunstâncias – Michael Dantas

David Almeida – O interesse público tem que estar acima dos partidos, acima dos políticos e tem que ser a ação que vá beneficiar as pessoas e os políticos devem trabalhar para beneficiar a população sem
cores partidárias.

EM TEMPO – O senhor assumiu de forma repentina. Os projetos em andamento da gestão passada continuam? O senhor tem novas metas?

DA – Eu não trabalhei, não fiz campanha para governador. Constitucionalmente eu assumo a chefia do Executivo estadual em função dos desdobramentos do julgamento finalizado semana passada em Brasília. Portanto, nós não planejamos estar à frente do governo, mas quando vejo essa responsabilidade, não teve transição. Quando um candidato, um partido político, lança uma candidatura a governador, lança o seu plano de trabalho, a sua plataforma de trabalho, faz o seu planejamento e após vencer a eleição, ele tem ao menos dois ou três meses para fazer a transição, para conhecer o governo, conhecer as engrenagens da máquina pública e, aí ele assume depois de dois ou três meses. Excepcionalmente, aconteceu pela primeira vez aqui no Amazonas. Então, eu tive entre dois e três dias para tomar decisões e convidar pessoas para compor minha equipe de trabalho. Como não planejei – reafirmo para as pessoas do meu Estado – que não planejei ser governador, mas estou pronto para atravessar esse rio, até que nós possamos entregar o governo de uma forma tranquila para aquele que será
nosso sucessor.

EM TEMPO – Como o senhor vai resolver a questão do subsídio às empresas de transporte coletivo, para que a tarifa de ônibus possa, de fato, ser reduzida?

DA – O governo do Estado está pronto para oferecer uma parceria com a Prefeitura de Manaus para resolver a questão da tarifa de transporte. A parceria antiga, o governo abria mão do recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) da venda do diesel, as empresas tinham essa isenção e, por isso, seguravam o preço das passagens do transporte público. Esse recurso é na ordem de R$ 4 milhões/mês, só de ICMS. E eu acredito que vamos reeditar essa parceria, desde que o preço da passagem volte a diminuir.

David destacou que o governo do Estado está pronto para oferecer uma parceria com a Prefeitura de Manaus – Bruno Zanardo/Secom

EM TEMPO – Quais os outros investimentos o senhor planeja para o Estado neste período de mandato?

DA – Na semana passada, nós nos reunimos com uma empresa multinacional de refrigerantes que patrocina o Festival Folclórico de Parintins e o grupo está aportando para os cofres dos bois, recursos na ordem de R$ 2,5 milhões que serão divididos em forma igualitária. No ano passado, devido à dificuldade que tinha o governo do Professor José Melo, não foi possível a participação efetiva do governo em patrocinar o festival, e este ano, vou seguir um planejamento que já tinha sido feito pela gestão anterior. Mas estou fazendo de forma célere. Então, além do recurso da multinacional, o governo vai patrocinar cada boi com R$ 1 milhão e recursos para que a prefeitura de Parintins possa reestruturar as ruas do município, um total de aporte de R$ 5 milhões para o festival.

EM TEMPO – Quais são os projetos que o senhor planeja para o interior do Estado?

DA – Nós falamos muito de Manaus, do transporte coletivo, dos venezuelanos (imigração), da cadeia pública. Mas, para o interior do Estado já existe um planejamento, feito pelo governador José Melo, e vamos executar R$ 1,6 milhão para investimentos no período de dois anos, para atenção aos sistemas viários a todos os municípios do interior. Logo de início, não poderemos chegar em todos os locais, mas, semana que vem, já vamos anunciar quais os municípios poderão ser agraciados com a ordem de serviço. Também vamos implantar os projetos referentes à matriz econômica ambiental.

EM TEMPO – Conforme o calendário eleitoral para este pleito atípico, a diplomação dos eleitos, num eventual segundo turno, acontece dia 11 de outubro. Qual é o seu planejamento de gestão para este
período?

DA – Eu fiz um planejamento para três meses, mas eu devo mudá-lo. Meu ritmo de trabalho é acelerar ainda mais, uma vez que o que dava para fazer em dois ou três meses, amplia o prazo e temos como realizar.

O novo governador participou do programa e falou sobre vários projetos – Michael Dantas 

EM TEMPO – O senhor tem conversado como o ex-governador José Melo?

DA – Desde que eu assumi, ainda não conversei com ele. Conversei com o senador Omar Aziz (PSD), com o presidente do Tribunal de Justiça do Amazona (Tjam), desembargador Flávio Pascarelli, com o procurador-chefe do Ministério Público, Fábio Monteiro, com o deputado federal Silas Câmara (PRB), com o deputado estadual Josué Neto (PSD), com o deputado Sidney Leite (Pros). Tenho buscado informações e conselhos em pessoas que tem vivência política e perfil administrativo, que possam ajudar efetivamente a população do
nosso Estado.

EM TEMPO – Por conta da eleição atípica, o senhor não teme que sua gestão seja contaminada pela campanha eleitoral?

DA – É por isso que estou ficando distante dessa questão política e eleitoral para eu poder continuar trabalhando. Estou focado no trabalho, como se tivesse na eternidade, mas na forma como se tivesse que sair amanhã. Eu quero focar e deixar imprimir a minha marca nesse curto período que eu vá ficar à frente
do governo.

EM TEMPO – Como o senhor avalia sua trajetória, como deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas e agora governador?

DA – Nem nos meus melhores sonhos eu imaginaria que seria governador. Estou com dez anos de mandato, há pouco tempo eu era candidato a vereador e nem mandato de vereador eu consegui. Depois fui abençoado por Deus e consegui meu primeiro, segundo e terceiro mandatos como deputado. Ocupei alguns cargos na Assembleia, e agora presidente da casa. Eu planejei ser deputado, não planejei ser governador. Apesar de não ter feito um planejamento, digo que estou pronto para governar o Estado até o último dia.

Henderson Martins

EM TEMPO

1 Comment

1 Comment

  1. a.g

    15 de maio de 2017 at 10:41

    360° voltaria do ponto em que partiu não concorda?

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