Holofotes

‘Estou 10 vezes melhor que sempre’, diz Bethe sobre luta com Ronda

“Estou otimista, e o povo brasileiro vai ver o resultado da minha dedicação. Sou uma Bethe 10 vezes melhorada do que todos conhecem, em todos os aspectos”.

É com esse espírito que a paraibana Bethe Correia, que se descreve como uma “nordestina casca grossa”, chega para enfrentar a atual campeã dos pesos-galos femininos do UFC, Ronda Rousey, neste sábado (1º).

Em entrevista à reportagem, ela conta que nunca se preparou tanto para uma luta antes.

“Fiquei quatro meses em campo só me preparando para esta luta. Renunciei à muita coisa, me privei, e os brasileiros vão ver que estou na minha melhor forma, tanto tecnicamente como fisicamente”, disse.

Questionada sobre como evitar as chaves de braço da adversária, que lhe renderam nove de suas 11 vitórias no UFC, Bethe revelou que a estratégia é intensificar seu estilo.

“Ninguém consegue pegar o braço com uma mão na cara. Eu melhorei muito nos treinamentos: na defesa de quedas, no chão, na trocação. Quero me impor e virar campeã com meu estilo”, afirmou.

Especialista na “trocação”, nome dado aos socos e chutes direcionados ao adversário, Bethe chega à luta invicta, assim como a adversária. Ela já fez 9 lutas no MMA, tendo vencido sete por decisão dos juízes e duas por nocaute técnico.

Da contabilidade à trocação

Relativamente nova no mundo das lutas – Bethe se iniciou nas artes marciais em 2011, deixando para trás uma vida de contadora sedentária –, ela não se incomoda com a trajetória da adversária, que treina judô desde criança e é medalhista pan-americana e olímpica pelos Estados Unidos.

“Isso só vai valorizar o meu título de campeã. Eu lutei várias vezes com atletas preparadas para a luta desde cedo e ganhei. A Ronda tem seus méritos no judô, é claro. Mas quando entrei para o MMA, decidi que seria a melhor”, explica Bethe.

A paraibana diz que sua história “não é normal”. Após uma vida desajustada como contadora, quando “vivia infeliz, sentindo que não estava no lugar certo”, ela se encontrou nas artes marciais em 2011 – “foi um chamado.”

Aos 28 anos e sem nenhuma experiência, ela decidiu que lutaria MMA e seria a melhor atleta da categoria.

“Virei motivo de chacota”, contou.

Dois anos depois, em 2013, ela iniciou uma campanha nas redes sociais para que as mulheres pudessem disputar o Jungle Fight. Após convencer os organizadores de seu propósito, ela surpreendeu Erica Paes, a única atleta a vencer Cris Cyborg, com um soco direto que a arremessou no solo.

Três meses depois – dois anos após dar seus primeiros passos no kung fu – ela assinaria com o UFC.

“Tiraram sarro da minha cara, treinei com equipamentos todo enferrujados, consegui chegar até aqui e não vou parar. Meu caminho mostra que sou um fenômeno, uma guerreira”, diz Bethe.

Para a paraibana, a possível vitória sobre Ronda representaria o ápice dessa ascensão vertiginosa.

“Hoje, a Ronda é considerada a melhor. Para provar a todos que é a melhor, você precisa bater quem está no topo. E é isso que vou fazer. E depois começo a me preparar para defender o cinturão, que eu vejo como uma tarefa ainda mais difícil”, explica a lutadora.

A luta entre Bethe e Ronda está programada para começar às 23h deste sábado (1º), na Arena da Barra, no Rio de Janeiro.

Por Folhapress

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