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Dos quatro municípios em situação de emergência por conta da estiagem no AM, dois já estão isolados

Alguns municípios estão ficando isolados por conta do difícil acesso das embarcações - foto: Ricardo Oliveira

Alguns municípios estão ficando isolados por conta do difícil acesso das embarcações – foto: Ricardo Oliveira

Durante a maior estiagem dos últimos 20 anos no Amazonas, quatro municípios já decretaram situação de emergência. De acordo com a Defesa Civil do Estado, uma visita foi realizada  nos municípios, no último fim de semana, para planejamento de ações de emergência para os municípios.

São Gabriel da Cachoeira e Santa Izabel do Rio Negro, localizados na calha do Alto Rio Negro, foram as últimas cidades a entrarem em situação de emergência, na última semana. Presidente Figueiredo, por conta da estiagem, e Barcelos, por conta das intensas queimadas, já haviam decretado situação de emergência anteriormente.

São Gabriel

O chefe de gabinete da prefeitura de São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros da capital), Walmir Delgado, disse ao EM TEMPO Online que os problemas estão se agravando com o nível dos rios tão baixos. A localização em áreas isoladas dificulta o acesso pelo rio e, consequentemente o recebimento de mantimentos.

“ Estamos cada vez mais no isolamento. Os barcos de linha que trazem alimentos, mercadorias, já não conseguem chegar até o município. Algumas embarcações pequenas que ainda chegam. Estamos ficando sem comida e sem combustível. Antes, as mercadorias chegavam em três dias, agora duram até seis dias para chegar com o rio tão seco”, disse.

Walmir disse ainda que a Defesa Civil esteve no município por uma semana, onde foram traçados planos de atendimento de emergência para a população. Foram solicitados mantimentos, água cestas básicas e outros itens necessários. O órgão deu um prazo de dez dias úteis a contar do sábado (13), quando saíram da cidade, para que o material de ajuda seja enviado às populações mais atingidas. “A estiagem no município tem previsão para durar ainda até o fim do mês de março. Até a chegada dos mantimentos, equipes da prefeitura têm realizado ações sociais em apoio às famílias atingidas”.

Santa Isabel do Rio Negro

O coordenador de Defesa Civil do município de Santa Isabel do Rio Negro (846 quilômetros da Capital), Joaquim Andrade, enfatizou que apesar do rio já ter subido, do último sábado até hoje (16), à altura de 11 centímetros, a cidade está ficando sem alimentos e as aulas nas escolas já foram suspensas por falta de merenda e pedem apoio aéreo do Governo Estadual.

“A balsa da Seduc (Secretaria de Estado de Educação) e barcos do município estão parados porque é inviável navegar nessa situação que está o rio.  Nos reunimos com os comerciantes e muitos já estão com estoque escasso. Teve mercado que já fechou porque não tem o que vender. Já estamos sem carne e sem frango. Os preços dos alimentos que ainda tem, subiram demais. A produção agrícola está sendo perdida porque a água não chega mais. Nossa única solução a curto prazo seria, o transporte aéreo dos alimentos, ” disse o coordenador.

Joaquim explicou que foi feita uma solicitação por carta ao governador José Melo, através da equipe de Defesa Civil, onde foram listados 10 kits de medicamentos, 2 mil cestas básicas, além de um caminhão pipa. Porém, a situação de emergência do município ainda não foi publicada em nenhum Diário Oficial. Após a publicação e homologação por parte do governador, a cidade ainda vai aguardar mais dez dias úteis para receber a ajuda humanitária.

Rio Negro

O encarregado do serviço hidrográfico da Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias do Amazonas (SNPH), Valderino Pereira, informou que em 13 dias o rio já baixou 40 centímetros, com uma média de 3 centímetros ao dia. De segunda (15) para terça (16), baixou 4 centímetros.  “Esse período é incomum, mas acontece. Foi assim em 1995, 2002, 2004, 2006 e 2007. Desde o fim da vazante, o rio já subiu 4 metros. Então, acontecem essas variações. O rio está em pleno período de cheia e começa a vazar. Mas são períodos curtos. Nesta terça, ele ficou com a cota de 19,74 cm. Não temos previsões de até quando pode durar essa pequena vazante”, concluiu.

Em nota, a Defesa Civil informou que foram enviados técnicos às cidades que já retornaram e avaliaram junto com as Defesas Civis Municipais, a real necessidade das famílias, para assim garantir o apoio do Governo do Estado. Para Presidente Figueiredo, o Governo já está firmando um convênio na ordem de R$ 100 mil, para a contratação de carros-pipa que vão garantir o abastecimento de água potável nas comunidades.

A equipe de reportagem tentou falar com as prefeituras de Presidente Figueiredo e Barcelos, mas não obteve êxito.

Por Joandres Xavier

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