Economia

Estiagem no AM deixa produtos até 300% mais caros

ABACAXI_Marcio-Melo

O abacaxi começou a encalhar nas feiras de Manaus por conta da elevação do preço e alguns feirantes optaram por lançar promoções – foto: Márcio Melo

Produtos como banana, melancia, milho verde, abóbora, maracujá, mamão e a carne bovina ficaram mais caros nas últimas semanas na cidade, por conta da seca iniciada em julho no Amazonas. Na feira da Manaus Moderna, comerciantes apontam possível alta de 30% sobre a melancia, de 100 a 120% do abacaxi e de até 300% sobre a pupunha.

Os órgãos do setor primário do Estado ainda não registraram números oficiais dos impactos do fenômeno sobre a produção da região, mas já demonstram preocupação com a intensidade dos seus efeitos neste ano.

O diretor do Instituto de Desenvolvimento Agropecuária do Amazonas (Idam), Airton Schneider, confirmou a possibilidade de aumento nos produtos, mas não soube estimar quanto em média os produtos devem ficar mais caros. Segundo ele, os estudos sobre os impactos da seca ainda estão em curso.

“Considerando os ciclos das culturas nas regiões do Juruá, Alto Solimões, Purus e agora o Madeira, que estão em fase de formação, há indicativos de redução da produtividade, estes oriundos da redução forte da precipitação pluviométrica, as chuvas, que proporcionalmente acarretará na safra 2016”, explicou Schneider.

O feirante Mel Gbson, que vende abacaxi na feira da Manaus Moderna, já espera que o preço do produto volte a baixar nas próximas semanas, uma vez que ele está saindo da entressafra. O seu produto é comprado da comunidade Novo Remanso, localizada na rodovia AM-010, no município de Itacoatiara (a 176 quilômetros de Manaus). “Só ficou mais caro por conta da entressafra, mas daqui a um mês esperamos que ele volte ao normal”, disse.

Gbson vendia a unidade do abacaxi, no mês de julho, entre R$ 2 e R$ 3, e agora por conta das dificuldades dos fornecedores, o fruto subiu de preço e a unidade está custando até R$ 6. Mas, para não perder as vendas, o feirante passou a fazer a promoção de três abacaxis por R$ 10.

O vendedor de melancia Márcio Cintrão explicou que outros fatores, como a seca nas calhas do rio Madeira, têm influenciado na baixa oferta. “Temos vários fornecedores, mas agora com a entressafra, no Madeira, não há melancia suficiente para fornecerem. Aí, nós, feirantes, somos obrigados a comprar de outros Estados como o Mato Grosso e Rondônia”, contou.

Outros frutos regionais, como a pupunha, quase triplicaram o preço. Saiu de R$ 26 para R$ 60 o cacho. De acordo com dados da Federação Agropecuária do Estado do Amazonas (Faea) as calhas dos rios Madeira, Purus e Juruá já estão sofrendo com a seca, mas ainda não houve registro por parte do órgão, de prejuízos a produção agrícola como explicou o presidente da entidade, Muni Lourenço.

Por Joandres Xavier

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