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Estado Islâmico reivindica autoria de ataque na França

O grupo Estado Islâmico reivindicou neste sábado (16) a autoria do atentado que matou 84 pessoas durante os festejos do 14 de julho, data nacional francesa, na orla marítima de Nice.

A organização afirmou que o tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, 31, morto pela polícia durante o ataque, é um “soldado” do Estado Islâmico e foi inspirado pela atuação do grupo terrorista.

A ligação entre Bouhlel e o Estado Islâmico ainda não foi esclarecida pela polícia.

Embora a declaração de autoria possa ser recebida com reserva, o primeiro-ministro da França, Manuel Valls, já havia declarado na sexta (15) que não havia dúvidas sobre uma conexão entre Bouhlel e o terrorismo islâmico.

A polícia deteve na manhã deste sábado (16) mais três homens suspeitos de conexão com o tunisiano. Na sexta, foram interrogados um homem e a ex-mulher do tunisiano.

O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, disse, após reunião do Conselho de Segurança e Defesa, que Bouhlel parece ter se radicalizado “muito rapidamente”. Segundo Cazeneuve, a França está diante de um novo tipo de ataque, muito mais difícil de prevenir.

O tunisiano não estava no radar dos serviços de inteligência franceses, que são muito ativos em Nice e tiveram suas equipes reforçadas nessa zona da Costa Azul nos últimos 12 meses.

“Indivíduos sensíveis à mensagem do EI envolvem-se em ações extremamente violentas, sem necessariamente terem participado de combates, sem necessariamente terem sido treinados”, afirmou o ministro.

A mensagem do EI assumindo a autoria do massacre de 14 de julho apareceu em um comunicado da agência de notícias Amaq, próxima a extremistas islâmicos.

A polícia francesa continua analisando o computador e outros materiais apreendidos na casa de Boulhel, e seu celular, encontrado na cabine do caminhão, em busca de informações sobre suas conexões.

Nice, quinta maior cidade da França, é considerada há anos um celeiro de jihadistas. Mais de cem radicais embarcaram da cidade rumo à Síria, sendo que 15 deles foram presos ao retornar ao país, segundo dados do Ministério do Interior da França.

Dos cerca de 350 mil habitantes de Nice, 60 mil são estrangeiros. Entre as comunidades mais numerosas estão as de tunisianos (17,7% do total de estrangeiros) e marroquinos (11,4%).

Os imigrantes muçulmanos vivem em guetos longe dos olhos das pessoas que visitam as praias de água cristalina e o imponente centro histórico de Nice, dona da segunda maior rede hoteleira da França.

A tensão emerge em conflitos que em outras cidades não têm contornos raciais, como o que opõe taxistas, em sua maioria franceses, a motoristas do aplicativo Uber, em geral imigrantes.
Na noite de 14 de julho, os motoristas de táxi transportaram de graça, de forma voluntária, milhares de pessoas que desejavam deixar a região do ataque às pressas.

“Os motoristas do Uber, 95% deles muçulmanos, aproveitaram para cobrar mais caro. A França está acabando”, disse um motorista de táxi que pediu para não ser identificado.

ALERTA

O atentado na promenade des Anglais, o glamuroso passeio marítimo da cidade, elevou o alarme entre os moradores a um patamar nunca antes visto.

Desde 1975, Nice sofreu 31 atentados terroristas, mas apenas uma pessoa havia morrido, segundo a Base de Dados do Terrorismo Global (GTD, na sigla em inglês), organizada pela Universidade de Maryland, nos EUA.

Agora, os moradores se perguntam se os ataques terroristas se tornarão o “novo normal”. O ministro Cazeneuve respondeu às críticas do ex-prefeito de Nice Christian Estrosi, para quem foi um erro anunciar a redução do nível de alerta antiterror horas antes da festa de quinta.

O ex-prefeito disse que faltaram homens da Polícia Nacional para o esquema de segurança da festa, o que foi negado pelo ministro.

“A Polícia Nacional estava presente e muito presente na promenade des Anglais, e interveio imediatamente”, afirmou Cazeneuve.

Na manhã deste sábado, a promenade des Anglais foi reaberta ao tráfego de veículos e à circulação de pessoas. Um “espaço para recolhimento” e para homenagens à memória dos mortos foi escolhido em um parque nas proximidades do local do ataque.

Para lá serão levadas todas as flores, bichos de pelúcia e mensagens de solidariedade que foram depositados nos últimos dois dias em diversos pontos da orla, que ficou interditada até que os peritos terminassem seu trabalho.

Em outra tentativa de ajudar a curar as feridas abertas pelo atentado, a União dos Muçulmanos dos Alpes-Marítimos convocou voluntários para doar sangue para as vítimas que ainda estão hospitalizadas neste sábado.

Por Folhapress

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