Cultura

Espetáculo contemplado no Prêmio Klauss Vianna 2014 estreia em Manaus

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O espetáculo de dança Recolon tem como tema os abusos cometidos nas instalações do complexo de usinas hidrelétricas no rio Madeira – foto: Divulgação

O espetáculo de dança Recolon, do dançarino Leonardo Scantbelruy, estreia oficialmente em Manaus neste sábado (10), às 20h, no Espaço Artrupe, localizado na avenida Joaquim Nabuco, 1.436, Centro. O espetáculo também será apresentado na mesma hora e local no domingo (11). A entrada é gratuita.

Contando com elementos próximos à realidade do seu intérprete, Recolon tem como tema os abusos cometidos nas instalações do complexo de usinas hidrelétricas no rio Madeira, e como isso interferiu negativamente na vida de milhares de ribeirinhos, além do impacto ambiental causado pelas obras. O trabalho se posiciona de maneira contrária a essas instalações ressaltando a desfiguração que pessoas e diversas espécies de animais sofreram.

Rondoniense que mora em Manaus há 2 anos, Scantbelruy teve como interlocutoras as coreógrafas Gilca Lobo, de Rondônia, e Elisa Schmidt, de Santa Catarina. O trabalho estreou em Porto Velho, passou por Santa Catarina e estreia oficialmente em Manaus neste sábado.

“Fiquei muito satisfeito com as apresentações, e muito grato a todos os envolvidos. Destaco o engajamento do público portovelhense em levar adiante essa temática, que muito lhes pertence e que ainda é muito atual. Ainda se colhem e estipulam os danos causados por aquelas construções. Nesse momento, por exemplo, os movimentos sociais lutam contra a expansão das usinas em seis turbinas. Esses assuntos eram trazidos pelo público que, provocados pelo espetáculo, debatiam após cada apresentação”, explica o dançarino.

Curiosidade

Ele conta ainda que na capital catarinense a reação foi de interesse e curiosidade pelo assunto. “Em Florianópolis a temática não pertencia tanto ao público quanto era pertinente a Porto Velho – a maioria sequer sabia das construções das usinas e dos impactos sofridos em Rondônia. Esse tipo de pauta não possui a devida notoriedade na imprensa nacional. Aí vejo a potência do espetáculo, em levar assuntos a novos espaços, expondo denúncias e, acima de tudo, fortalecendo laços afetivos sobre uma temática que requer tanta sensibilidade. Apesar de não estarem, até então, a par do ocorrido, houve algumas identificações muito interessantes por parte do público, alguns trouxeram como exemplo as ações de construtoras imobiliárias que agridem os manguezais pertencentes à cidade”.

Uma versão reduzida de Recolon foi apresentada recentemente no festival Mova-se, o que representa para Scantbelruy uma ótima vitrine para o trabalho. “Fiquei muito agraciado pela oportunidade de participar do VII Mova-se, e poder estabelecer diálogos com fazedores da dança de todo o Brasil. É um intercâmbio produtivo para todos”, diz o bailarino.

O trabalho seguirá em temporada nos dias 17, 18, 24 e 25 de setembro, sempre com entrada gratuita. Para mais informações sobre o processo, e sobre os conceitos envolvidos no projeto, acesse arterecolon.blogspot.com.br.

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