Economia

Especialistas em finanças dão dicas de como evitar dívidas com o cartão de crédito

Cartão de crédito ainda lidera a inadimplência de famílias - foto: Reprodução

Cartão de crédito ainda lidera a inadimplência de famílias – foto: Reprodução

Quem está endividado com cartão de crédito não precisa quebrá-lo ou deixar com outra pessoa para evitar gastos excessivos. É o que apontam especialistas em finanças pessoais. Mesmo em ano de crise e com juros anual, que vai de 400% a 600%, dependendo da bandeira, economistas indicam que bastam alguns cuidados para manter o cartão na bolsa e o orçamento controlado.

A assistente administrativa Talita Romanoff, 25, reconhece o descontrole sobre as compras. “Não posso ver nada que eu compro”, comenta.

Contudo, ela afirma que só compra quando tem dinheiro na conta para pagar a vista. “Quando estou só com o cartão, eu compro, mas não descontroladamente. Eu tenho ciência até onde posso ir com o cartão. Só compro se for emergência de roupa, calçado ou alimentação”, observa.

A consumidora disse que busca fazer uma tabela para controlar seus gastos, mas, às vezes, se perde porque não sabe de onde vem tantos juros das parcelas do cartão.

Financiamentos

Especialista em finanças pessoais, a economista Izabel Seabra avalia que o cartão de crédito só deve ser usado quando a família tem recursos suficientes para pagar o total da fatura. “Ele não pode ser utilizado para fins de financiamento no sentido de a pessoa comprar e não poder pagar o total da parcela e só o mínimo. Os juros estão extorsivos, entre 400% a 600%, dependendo do cartão”, explica.

Mesmo com recursos suficientes, Izabel alerta que a família precisa tomar cuidado com as contas parceladas, mas principalmente, ela tem que fazer uma tabela de controle das contas. “A família quando for às compras, tem que saber qual a capacidade de pagamento que tem. É preciso colocar numa pequena planilha tudo que já está comprometido dentro do orçamento familiar como escola, aluguel e saúde. Primeiro os gastos fixos, sem esquecer de colocar como fixo a conta de supermercado”, sugeriu.

Segundo a especialista, com a planilha, a família terá o espelho de todas as contas que ele faz no mês sem esquecer também de incluir as parcelas de contas não essenciais do passado, que foram parceladas de seis a 12 vezes.

“Na hora de comprar com o cartão, as pessoas lembram apenas do que é essencial e esquecem das compras parceladas que foram feitas no Natal, por exemplo, que serão pagas até o meio do outro ano”, comentou. “Tem que saber os gastos essenciais e os não essenciais para só usar o cartão de crédito de acordo com a capacidade de endividamento”, orienta.

Para ter um cartão de crédito, Izabel disse que é necessário pesquisar as melhores opções para cada perfil, além de se atentar para a taxa anual da bandeira pesquisada.

No momento de crise, ela aponta que é tempo de pechinchar com as operadoras o valor da taxa. “Meu cartão veio com três parcelas de R$ 120 de taxa anual. Liguei para a operadora e no primeiro momento a pessoa endureceu. Depois que pedi para cancelar, eles reduziram o valor das parcelas para R$ 60 e consegui 100% de economia”, conta.

 

Emergência

O professor de finanças Carlos Alberto Ercolin, do ISAE/FGV, de Curitiba, disse que, apesar de serem atrativos, os cartões de crédito precisam ser utilizados com muita responsabilidade. Para ele, o uso desse instrumento exige cautela e organização. “Se o usuário não for disciplinado gastará mais do que tem na conta corrente”, afirma.

Segundo Ercolin, os cartões de créditos só devem ser usados em casos de emergência, pois a modalidade de financiamento é uma das mais caras do mercado. Hoje, os juros dos cartões de crédito ultrapassam 439% ao ano, segundo o Banco Central.

Mas, se ainda assim, o consumidor precisar usar o crédito, a principal dica do professor é sobre a pontualidade e o pagamento total das faturas.

Por Emerson Quaresma

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