Cultura

Especialistas descartam ‘morte do livro’ durante congresso em SP

Os livros digitais não substituem o meio para atingir a mesma mensagem - foto: divulgação

Os livros digitais não substituem o meio para atingir a mesma mensagem, segundo historiador francês – foto: divulgação

Logo no começo do 6º Congresso Internacional do Livro, promovido pela CBL (Câmara Brasileira do Livro), na quinta (25), uma afirmação forte reverberou pelo auditório Elis Regina do Pavilhão do Anhembi, em São Paulo: para o livro, a cultura digital é mais disruptiva que a prensa tipográfica inventada por Johann Gutemberg (1398-1468).
A frase foi dita pelo historiador francês Roger Chartier, especialista em história do livro e da leitura.

“A revolução digital modifica tudo de uma vez. É algo inédito na história humana. A invenção da prensa não modificou a estrutura do livro”, afirmou. Ele acredita que houve, sim, um salto na técnica de reprodução mas, ao cabo do processo, a reprodução se dava no mesmo formato do original. Os livros digitais, não: substitui-se o meio para atingir a mesma mensagem.

E hoje, se ainda há resistência aos e-books -e, segundo Chartier, no mundo a venda de livros digitais “nunca passa dos 5%”-, é porque “somos herdeiros dessa definição do livro, que vem do século 15”.

Apesar disso, o pesquisador acredita que o e-book possa favorecer, inclusive, o mercado de livro físico. Ele cita o editor e professor José Castilho Marques Neto, ex-secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), vinculado aos Ministérios da Cultura: “Os que leem incorporam mais a internet e o acesso virtual do que os que não leem”.

Aposta que o fim do livro não está próximo, e não é o único. Um dos palestrantes da abertura do congresso, Robert Darnton, historiador e diretor da Biblioteca da Universidade de Harvard, afirma que decretar a morte do livro não é sequer assunto novo.

Ele ressalta que, em 1928, o crítico e filósofo Walter Benjamin (1892-1940) já postulava: “O livro, na sua forma tradicional, encaminha-se para o seu fim”.

Darnton diz que “mais livros foram publicados nos EUA em 2015 que no ano anterior”, o que atesta: o desaparecimento do formato é uma falácia.

Assim como, segundo o historiador, é falsa a afirmação de que “bibliotecas estão obsoletas”.
“Nos EUA, quando as pessoas precisam de informações como ‘o que é preciso para tirar habilitação’, não é a polícia que ela procura; é a biblioteca”, afirma.

Ele rebate, ainda, as ideias de que “todas as informações estão na internet” e que “vivemos uma era da informação sem precedentes”. Para Darnton, “todas as eras foram da informação -cada uma a seu modo”. O historiador é um dos diretores do conselho da DPLA – Digital Public Library of America, organização não governamental que agrega 2.000 bibliotecas dos EUA e oferece ao público, gratuitamente, 13 milhões de títulos digitalizados.

Boa parte dos títulos está em domínio público, Mas Darnton afirma que a biblioteca pública digital quer expandir por meio de alianças com autores. A ideia é que eles “voluntariamente abram mão dos direitos autorais assim que a obra não mais tenha valor de mercado”.

Por Folhapress

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