Dia a dia

Especialistas debatem soluções para melhorar trânsito em Manaus

O seminário “Desafio Urbano de Manaus” foi realizado na manhã desta sexta-feira (16), no auditório da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Centro - foto: Ione Moreno

O seminário “Desafio Urbano de Manaus” foi realizado na manhã desta sexta-feira (16), no auditório da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Centro – foto: Ione Moreno

Rotas alternativas, melhorias nas calçadas e a implantação do sistema Bus Rapid Transit (BRT) foram algumas das soluções apontadas pelo arquiteto, urbanista e coordenador técnico da revisão do Plano Diretor da cidade de Manaus, Pedro Paulo Cordeiro, durante o seminário “Desafio Urbano de Manaus”, realizado na manhã desta sexta-feira (16), no auditório da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Centro.

Ele chamou atenção para o fato de que, o excesso de carros nas ruas da cidade, estacionados nas vias e até mesmo nas calçadas, contribui para os problemas de mobilidade urbana da cidade.

Cordeiro destacou, que o excesso de carros nas ruas de Manaus, estacionados nas vias e até mesmo nas calçadas, contribui para os problemas de mobilidade urbana da cidade. Ele ressaltou, que de 600 quilômetros de calçadas existentes em Manaus, apenas 20% foram construídos de forma adequada, com largura e pavimento necessário. Em seu ponto de vista, a Avenida Constantino Nery, mesmo  após a implantação da Faixa Azul, ainda é a via mais caótica da capital.

A Faixa Azul, para ele, é uma medida paliativa, ou seja, para resolver o momento. A solução é o BRT.

“Não há outro modelo, pelo que já foi analisado. Só que mesmo para implantar o BRT não vai ser algo de 1 ano, vai ser preciso no mínimo 4 anos, porque você vai ter que implantar um sistema, então não é só a questão física. O BRT na verdade é um modal onde você tem um ônibus de alta capacidade de transporte, mas ele tem um sistema de metro, essa é a vantagem”, explicou.

Para o urbanista, as rotas alternativas seria uma das medidas a ser adotada para melhorar a mobilidade urbana enquanto o BRT não sai do papel.

Desafio

O engenheiro civil e urbanista, Cláudio Bernardes, comentou que estudos internacionais apontam que Manaus é a 62ª cidade no mundo que mais vai crescer nas próximas décadas. Caso não haja mudança em seu projeto de mobilidade urbana, o futuro será um trânsito ainda mais complicado.

“Há duas formas de você resolver o problema de mobilidade numa cidade,  é investindo pesadamente em transporte público, em transporte de massa, que é um sistema de transporte caro e demorado e a outra é estruturar modelos de ocupações urbanas que permitam que a pessoa se desloque menos. Se a gente estruturar modelos na cidade onde a pessoa não tenha que se deslocar muito para fazer suas atividades diárias você começa a resolver o problema de mobilidade, livrando o sistema de transporte para outras pessoas que precisam se deslocar. Você pode fazer adensamento ao longo dos eixos de transporte ou criar polos de desenvolvimentos que sejam auto-sustentáveis no ponto de vista da mobilidade”, explicou.

Questionado sobre o uso de outros modais, como o fluvial para desafogar os principais eixos viários da capital, Bernandes disse acreditar que talopção possa funcionar como alternativa, mas  o melhor sistema de mobilidade no mundo é o metrô. Como Manaus não teria estrutura para esse tipo de sistema, ele acredita que o BRT seja a solução.

“Eu acho que todo modelo de transporte de massa tem que ser explorado, lógico que cada cidade tem sua característica, eu não conheço tanto Manaus para fazer essa comparação, mas se você pegar outras cidades que tem o sistema fluvial importante como Amsterdam, o transporte fluvial é sim usado como transporte público. As cidades que têm o melhor sistema de mobilidade são as que tem o metrô eficiente. Tem cidade que não tem escala para ter metrô, ai tem que ter BRT ou seja faixa exclusiva para transporte de superfície”, comentou.

Em relação a Faixa Azul, o especialista acredita que esse seja um bom sistema alternativo para a mobilidade urbana, porém o mesmo só cumpre sua finalidade se forem fornecidas condições para que a faixa seja realmente usada como transporte público com frequência, para que as pessoas não precisem andar de carro e andem no transporte público.

“Se você fizer uma faixa dessa e o oferecer transporte com uma baixa qualidade e baixa frequência você, só vai estar piorando o trânsito”, observou.

Por Michele Freitas

1 Comment

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  1. Fabricio Aguiar

    17 de setembro de 2016 at 07:57

    Tinha algum engenheiro de trânsito nesse “debate”; alguém um dia será q vai ter coragem d proibir q esses caminhões enormes carregando containers, sejam proibidos de andar “dentro” da cidade?; alguém sugeriu um anel viário eficaz para a capital?

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