Economia

Especialista indica caminhos para empreendedores em cenário de crise

Pesquisar sobre o mercado que vai explorar, segundo a presidente da Rede Amazônia e Inovação e Empreendedorismo, é essencial para o sucesso de qualquer negócio – Ione Moreno

 

Em tempos de crise econômica, a palavra de ordem é não deixar o empreendimento se influenciar pela conjuntura que tem levado muitos à falência. Mas, para isso, especialistas apontam a importância de conhecer melhor o negócio, encontrar bons paceiros e linhas de crédito acessíveis.

Para isso, a busca por alternativas inovadoras, com conhecimento técnico do campo mercadológico à boa gestão, a procura de parceiros e investimentos com taxas de juros menores pode ser a opção para driblar as dificuldades vivenciadas por esses novos empreendedores.

Segundo a presidente da Rede Amazônia de Inovação e Empreendedorismo (Rami) e professora de gestão de inovação, Jane Moura, a primeira alternativa para empreender e se manter no mercado é buscar conhecimento, fazendo uma pesquisa do campo mercadológico e do empreendimento que deverá ser investido.

“Tem que buscar conhecimento, inclusive, na abertura do CNPJ como o microempreendedor individual, que se faz sem pagar nada, mas que tem uma taxa mensal de um carnê que custa R$ 42, um valor que inclui todos os impostos que servirão para a aposentadoria”.

A especialista explica que, desde junho, a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) passou a ser ligada ao Banco Central. Com lançamento do programa “Afeam Mix”, o fomento passou a ser uma boa opção ao investidor de maior porte para capital de giro, compra de equipamentos e reformas.

“Os juros do Mix são anuais e saem mais baratos. Entretanto, as pessoas acham que a solução para a crise economia é demitir ou desistir da empresa, sendo que a saída é outra”, pondera Jane.

Segundo a presidente da Rami, não basta ter dinheiro para empreender. É necessário conhecer o ambiente de investimento, como funciona o sistema de parceiros e como vai ser gasto o dinheiro. Ela sugere que o empresário busque conhecimento no Instituto Federal de Educação do Amazonas (Ifam), que fica localizado na avenida 7 de Setembro.

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O Ifam conta com incubadoras de empresas e oferece até mesmo cursos gratuitos de modelagem de negócio. Um deles está marcado para começar na segunda-feira (31), das 14h às 18h, e encerra no dia 4 de agosto.

A ideia de investir no crescimento da empresa e buscar novos horizontes no mercado é uma saída – Divulgação

Para enfrentar a crise econômica e levar o crescimento da empresa sem precisar gastar muito, Jane explica que o empreendedor poderá investir em inovação, sem precisar ser caro. A presidente da Rami conta que o empresário não precisa ter dinheiro para investir na gestão, apenas mudar a forma de gerir.

“Vamos diminuir os usos dos recursos naturais, melhorar o meio ambiente e minimizar custos para aplicar em outra área. Pode inovar no marketing, na forma de apresentar o produto”.

Em busca de investimentos, a especialista explica que a Afeam e a Financiadora de Estudos e Projetos são instituições que têm linhas de crédito para cada tamanho de empresário, tais como o Banco do Povo, que exige apenas que o empreendedor tenha o nome limpo, sem restrição no
SPC ou Serasa.

“Um empréstimo no cheque especial cobra juros de 20% ao mês. Já as agências fomentadoras cobram até 8%. A Afeam está fazendo empréstimo de R$ 15 mil até R$ 1 milhão, desde que a pessoa consiga comprovar que tem como pagar e em média entre 30 e 40 dias o recurso já está liberado”, afirma a presidente da Rami.

Investimento e inovação

A ideia de investir no crescimento da empresa e buscar novos horizontes no mercado é uma saída para enfrentar a crise econômica. A empresária Tânia Pinheiro, proprietária da Control Life, explica que a sua empresa encontrou dificuldades com a retração econômica e com novas regras que deveriam ser aplicadas na instituição.

Diante do cenário, Tânia conta que a alternativa foi fazer uma parceria com uma empresa multinacional. Ela é a UP, uma empresa francesa que trabalha na área de vale-alimentação e comprou várias outras empresas no Brasil. A companhia atua nacionalmente por meio dessas aquisições.

“A UP trouxe a expertise de fora que juntou com o nosso conhecimento sobre a região. Desse modo, ampliou o leque de soluções de produtos que ajudam as empresas a reduzir custos. Além de enfrentarmos a crise, agregamos outros produtos que ajudam os nossos clientes”, comenta.

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Outro mecanismo para driblar a crise, segundo a empresária, foi a busca de parceiros. Tânia afirma que a colaboração com a empresa Danone possibilitou o desenvolvimento de um site de compras, por meio do qual oferece ao funcionário da empresa parceria, faz a compra e recebe o produto em casa em sem pagar taxas adicionais com o frete.

De acordo com o economista André Cardoso, especialista em gestão empresarial e gestão de projetos, o ideal é investir em setores da área de serviços, que o empreendedor não terá que produzir, não vai depender de matéria-prima, apenas da mão de obra.

Entretanto, Cardoso explica que esses investimentos devem ser inovadores, nichos que o mercado pouco conhece, mas que são necessários no dias de hoje. “O empresário tem que se reinventar, inovar e fazer algo que esteja faltando no mercado, fazendo uma pesquisa no ambiente mercadológico. É importante fazer algo diferente, mas tem que ter aptidão”, sustenta o economista.

Henderson Martins
EM TEMPO

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