Cultura

Escritores discutem na Flip formas de democratizar a distribuição de livros

Editar sozinho e utilizar plataformas digitais para publicação e distribuição de livros é uma forma acessível para autores que não conseguem editoras para divulgar suas obras.

O tema foi debatido ontem sexta-feira (3) na Casa Off Flip das Letras, uma das programações alternativas da 13ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que vai até domingo na cidade da costa verde fluminense.

De acordo com a pesquisadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Cristiane Costa, o mecanismo oferece autonomia aos autores que estão à margem do mercado editorial, porém, exige muito mais dedicação – tendência que já acontece com todos os escritores atualmente.

Ela disse que há 20 anos não tinha uma Flip. O autor escrevia um livro, mandava para a editora, se conseguisse publicar esperava as críticas e o livro vendia ou não. Hoje em dia, ele tem que participar dos eventos literários, tem que estar num blog, nas redes sociais – tem que aparecer. Com a autopublicação, o autor ganha a possibilidade de ficar independente das editoras, usando plataformas digitais, e todo mundo pode consultar. Mas dá mais mão de obra, porque o autoprodutor tem que ser responsável pela capa, revisão e toda a estratégia de marketing.

A escritora Vanessa Bosso contou sua trajetória. Ela disse que começou a carreira de escritora pagando para editar seus livros e optou pela autopublicação digital depois de não alcançar vendas satisfatórias. No quinto livro lançado, que já era esperado pelo público dela, alcançou o topo do ranking da Amazon internacional em três dias. Para ela, a autopublicação é a principal porta de entrada do autor iniciante no mercado editorial.

Segundo ela, há muitos bons autores hoje, que seguem o gênero da literatura internacional, juvenil, e esses autores não têm como chegar às editoras. Então, optam pela autopublicação para chamar a atenção das editoras. O editor fica com medo de apostar, então a autopublicação serve para o autor mostrar número de vendas, de leitores, de reviews, e então conseguir bom contrato com uma editora.

Após o livro A Aposta ter atingido 10 mil downloads, sem contar os arquivos pirateados, e ficar dois anos entre os mais vendidos no gênero infantojuvenil, Vanessa foi procurada por uma editora e vai lançar a obra impressa. De acordo com ela, a estimativa é que cada download gere 20 vendas.

Após o debate, foi lançada a plataforma de autopublicação Bibliomundi, a primeira para autopublicação digital do Brasil. Um dos fundadores da plataforma, Raphael Secchin, explica que o mercado de livros digitais está em expansão e apresenta vantagens em relação ao impresso, a começar pelo custo, inexistente em algumas plataformas digitais, já que o autor é remunerado de acordo com as vendas, e não é cobrado nada para disponibilizar o livro na internet.

Secchin disse que a geração nova está toda no processo digital, diferente da geração dele, que só começou a entrar na internet na adolescência. Hoje em dia, porém, a criançada cresce em contato com o computador e acostumado com o backlight (retroiluminação no monitor) que para os mais velhos dá até dor de cabeça. Então, isso não é empecilho nenhum para as novas gerações que passam o dia no celular e nas mídias sociais, consomem música. “Nós só estamos entrando numa plataforma que já é muito usada”, acrescentou.

De acordo com ele, existem aproximadamente 40 mil títulos de livros digitais publicados no Brasil, e o faturamento do setor chega a R$ 1,6 milhões, o que não chega a 3% do total do mercado editorial brasileiro. Segundo Raphael, nos Estados Unidos, 30% do mercado editorial já é digital, e na França a proporção é 6%. Ele estima que com a autopublicação o autor receba até 40% do preço de venda, descontando o valor dos impostos, ainda cobrados de livros digitais. Na média, o autor recebe 10% do preço de venda dos livros impressos.

 

Por Agência Brasil

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