Cultura

Escola amazonense abre as portas para a literatura marginal

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A poesia da periferia será abordada mais uma vez, hoje, pelo escritor Rojefferson Moraes, na Escola Estadual Nilo Peçanha – foto: Arquivo EM TEMPO

O escritor e empreendedor social Rojefferson Moraes retorna hoje à Escola Estadual Nilo Peçanha (avenida Joaquim Nabuco, 336, Centro) para apresentar, pela segunda vez, a palestra “Literatura marginal: os personagens, as dores e a poesia da periferia”. O evento será realizado pela manhã e à tarde e envolve 200 alunos de seis turmas do 9º ano.

Rojefferson, que dedica-se à literatura independente e é autor de títulos como “Poesia crônica”, conta que o convite para palestrar na Escola Estadual Nilo Peçanha foi feito pela professora Milena Miller, de Língua Portuguesa, e a proposta tem o apoio do gestor Jonifferson Vieira da Silva.

“Ela buscava um modo de trabalhar a prática da leitura e escrita com estudantes do 9º ano, mas encontrou dificuldades em sua busca por um método que pudesse impactá-los com temas que estivessem dentro do contexto social e cultural deles”, comenta.

Procurado pela professora, Rojefferson explica que sugeriu a literatura marginal para servir de base para esse processo com os alunos, levando em consideração que a escola está localizada em uma área onde são frequentes casos de diversos tipos de violência. “É o tipo de contexto social que serve de pano de fundo para a literatura marginal. São personagens em cenários extremamente problemáticos, e que trazem uma análise provocativa e denunciativa permeada de poesia e humanidade, ao contrário das notícias veiculadas por jornalecos sensacionalistas, que só apontam o lado negativo dessas áreas”.

Provocação

De acordo com o escritor – cujo livro mais recente, “Poesia crônica”, será utilizado pela professora em suas aulas durante este semestre –, a proposta da palestra, além de levar esse esclarecimento aos alunos, é despertar nesses jovens o interesse por esse segmento da literatura contemporânea. “A intenção da palestra é provocar os estudantes. A escola conseguiu transformar o livro em um objeto de tortura, e a leitura numa atividade penosa, que não traduz nada das necessidades imediatas da juventude, ainda mais quando esses estudantes vêm de um ensino básico deficitário, em que os estudantes não são preparados para a prática da leitura e escrita, e muito menos têm estímulo dentro de casa”, analisa.

Músicas e textos de autores que vivenciaram problemas sociais na prática, “mas que encontraram na literatura a ferramenta necessária para catalisar a revolta, indignação, e dar um novo sentido às tragédias cotidianas”, são utilizadas no evento. Entre esses autores estão Sergio Vaz, idealizador do Sarau da Cooperifa, que acontece em um bairro da zona Sul de São Paulo; e Ferréz, fundador do DaSul, grupo interessado em promover eventos e ações culturais na região do Capão Redondo (SP); além do próprio palestrante.

 

Engajamento

O primeiro dia da palestra “Literatura marginal: os personagens, as dores e a poesia da periferia” foi ontem. Esta é a primeira vez que Rojefferson Moraes participa de uma iniciativa desse gênero em escola pública. “Não tomei conhecimento de nenhuma atividade que discutisse a importância da literatura marginal nas escolas aqui em Manaus”, observa.

Para ele, trata-se de uma “ótima oportunidade” para que estudantes conheçam nomes da “nova literatura amazonense”. “Uma literatura mais engajada não apenas em trafegar em diferentes universos, principalmente naqueles que causam certo desconforto a leitores que preferem não ver a realidade nua e crua como pano de fundo da literatura, como também em buscar alternativa de publicação e veiculação de novas obras dentro e fora do Estado”, afirma.

 

Atividades

Rojefferson Moraes é autor de “Livro dos enigmas”, “Poesia crônica” e “Lembranças de uma noite qualquer” (assinado com o pseudônimo Macaco D’Água), todos editados de forma independente.

O escritor também atua como gerente da Na Tora Produções, iniciativa criada há 3 anos para promover ações socioculturais, facilitar o acesso à cultura aos moradores da periferia de Manaus e fortalecer o elo entre artistas e comunidade. Em 2014, a produtora, cujo escritório fica no bairro Monte das Oliveiras, recebeu os prêmios Jovem Empreendedor UniNorte e o Prêmio Laureate Brasil Jovens Empreendedores Sociais em São Paulo.

 

Por Luiz Otavio Martins

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