Eleições 2016

Entrevista: Serafim diz que quer administrar Manaus para as futuras gerações

 O candidato já foi prefeito entre 2004 e 2008, e garante que adquiriu experiência administrativa – foto: divulgação


O candidato já foi prefeito entre 2004 e 2008, e garante que adquiriu experiência administrativa – foto: divulgação

Pleiteando uma nova oportunidade para administrar Manaus, ao lado da professora Cristiane Balieiro, o prefeiturável Serfim Corrêa (PSB) disse em entrevista ao EM TEMPO que pretende continuar trabalhando para futuras gerações. Ele já foi prefeito entre 2004 e 2008, e garante que adquiriu experiência administrativa, o que o tornou um político mais maduro.

Desde que saiu da prefeitura, há 12 anos, ele pôde fazer uma outra graduação – formando-se em direito – e elegeu-se deputado estadual nas eleições de 2014.

EM TEMPO – O que motivou o senhor a entrar nesta disputa majoritária, que se desenha bastante disputada e, mesmo, polarizada?
Serafim Corrêa – O chamamento da rua. Eu não tenho a pretensão em dizer que estou em primeiro lugar nas pesquisas, longe de mim, mas eu tenho a convicção que uma parcela do eleitorado de Manaus gosta de mim e outra aprova o que eu fiz e sabe que eu estou preparado para fazer melhor ainda. Em uma outra oportunidade, uma senhora me parou nas ruas e estava com uma garotinha de uns 8 anos e disse: “Sarafa, essa criança nasceu na Moura Tapajoz. Volta que a maternidade está muito malcuidada”. Então, foram coisas desse tipo que pesaram. O lance dos professores que lembram do lançamento de cargos e carreiras que fiz, e continuam sem receber o adicional, me cobram o retorno para eu resolver essa situação. Outras cobranças são sobre a água, que na nossa gestão tinha em todas as zonas da cidade. Então, foi esse chamamento que eu atendi e decidi ser candidato novamente a prefeito.

EM TEMPO – O senhor já foi prefeito por um mandato de 4 anos. Caso eleito, o que vai fazer de diferente em relação à gestão anterior?
SC – Muito bem, eu acumulei experiência. Os 4 anos que passei na prefeitura me deram uma visão muito mais ampla da administração municipal, então, poderei na nova administração colocar não apenas os conhecimentos que eu tinha em 2004 quando fui eleito, mas os conhecimentos que eu adquiri durante o meu mandato e pós-mandato. Eu fui estudar, me formei em direito, acumulei experiência, e com isso você deslumbra melhor o horizonte. Dou, como exemplo, a relação com o governo federal. Hoje, eu não perderia tanto tempo quanto eu perdi, porque hoje eu já sei quais são os caminhos a seguir. Agora, o que não muda é a determinação de governar para as futuras gerações e não para as próximas eleições, por isso, não serei candidato à reeleição, mesmo que elas continuem existindo.

EM TEMPO – E, por falar em reeleição, o senhor foi um dos poucos chefes de Executivo que não se reelegeu, desde que esse mecanismo se instaurou na política eleitoral do país. A que o senhor atribui essa derrota nas urnas?
SC – Então, minha primeira meta é trabalhar para as futuras gerações e, segundo ponto, eu me comuniquei muito mal. Não estou atribuindo isso a ninguém, mas a mim, eu não soube vender as coisas boas do meu governo ou as coisas boas do meu governo não tinham amadurecido ainda. Por exemplo, a importância da maternidade Moura Tapajoz, onde nasceram 40 mil crianças e 40 mil mães foram beneficiadas. Temos também a situação da água, que saímos “rasgando” ruas para resolver o problema, isso gerou incômodo, mas hoje água não é mais o desafio da cidade, e nem é mais tema de campanha. Água foi o tema principal de campanha de 2004, 2006 e, em 2008, já diminuiu bastante e, atualmente, não é mais tema de campanha, exatamente porque nós topamos arrumar a situação e resolver. Nós arrumamos outras situações em que tudo ficará para as próximas gerações. Ninguém vai conseguir tirar a maternidade, ninguém vai conseguir arrancar as tubulações de água, ninguém vai derrubar o viaduto Miguel Arrais e, além de tudo, temos a escola especial, da qual pretendemos construir outras três, para melhorar a cidade de Manaus.

EM TEMPO – Ainda na questão da reeleição, até agora a cidade de Manaus só conheceu um prefeito reeleito (Alfredo Nascimento). Desde então, faz 16 anos que nenhum prefeito consegue essa façanha nas urnas. O senhor acredita que a história vai se repetir?
SC – Eu acho que até mais amplo. Em Manaus, nos últimos 30 anos, apenas quatro pessoas foram eleitas prefeitas da cidade: o Arthur (Neto), Amazonino (Mendes), Alfredo (Nascimento), eu, e houve o retorno de Amazonino e Arthur. Então você diz que preferencialmente a população não quer a reeleição. No Rio Grande do Sul, por exemplo, nunca ninguém foi reeleito. Acho que isso vale para análise, mas tem dados de ex-prefeitos, sem ser para o mandado seguinte, mais à frente, que foram eleitos novamente, como Amazonino e Arthur. Como Alfredo não é candidato, acho que agora é a minha vez. Acho que cada momento é um momento. O eleitor é muito claro, ele pode até dizer que vai votar no A, no B ou no C, mas o eleitor é muito esperto e lúcido e sabe que a decisão dele vai valer para 4 anos.

EM TEMPO – Esta eleição tem nove candidatos a prefeito. Qual será o diferencial do candidato Serafim Corrêa em relação aos demais, neste pleito?
SC – Eu pretendo fazer aquilo que é o natural, ou seja, uma campanha limpa, sem agressões, sem entrar na vida de ninguém. Iremos apresentar nossas propostas mostrando o legado que nós temos, que é um legado importante e, olhando para frente e dizendo: olha, se eu for eleito eu farei isso, isso e isso… Então, eu acho que o diferencial será esse. Cada um mostrar o que fez e cada um mostrar o que pode fazer. Por quê? Porque tem quatro escolas disputando a eleição, duas diretamente e duas indiretamente. A escola do Arthur e a escola do Serafim estão na disputa diretamente, a escola do Alfredo indiretamente, o partido dele tem candidato, e a escola do Amazonino também tem candidato. Então, aqui temos as quatro escolas em disputa. Essa é a realidade.

EM TEMPO – O senhor já esteve no Poder Executivo e, como falou anteriormente, adquiriu experiência. Na sua avaliação como ex-gestor de Manaus, o que está errado na cidade que o faz disputar um novo mandato majoritário?
SC – Como bom administrador público, eu entendo que a atual gestão teve acertos e erros, dou como exemplo enfrentar a situação dos camelôs, aquilo foi um acerto. Mas também teve erros a meu ver, que não justificam, por exemplo, mantê-los, tipo a faixa azul ser do lado esquerdo, aquilo é redução do Expresso, apenas 10% abrem a porta para a esquerda e 90% abrem para a direta. Você colocar a faixa azul do lado direito e fazer recuos, você irá dar uma melhorada fantástica no trânsito. Então, eu estou dando o lado assertivo e o equívoco, com essa situação da faixa, pois eu não vi até hoje um engenheiro que entenda que aquele é o melhor caminho.

EM TEMPO – No seu plano de trabalho, qual a principal plataforma de governo que o senhor tem para apresentar?
SC – É o seguinte: você quando administra uma cidade, você tem que pensar nas próximas gerações e nós pretendemos fazer algo que não foi feito nem por mim e nem por ninguém, que é mesclar saúde e educação. Nós temos 1.220 crianças, então são três programas que vão permitir que essas crianças tenham um futuro melhor; vou citar três.  Primeiro, todos os anos fazer exames de rotina nas crianças, isso vai permitir saber se essas crianças têm anemia, se tiver, tem que receber um suplemento alimentar. Segundo, parte das crianças do ensino municipal não aprendem porque elas não enxergam, então, haverá um programa que elas serão submetidas a um exame de vista, se necessário, elas receberão óculos. Terceiro programa, mesclando saúde e escola, é a escovação de dentes com acadêmicos de odontologia, com supervisão de professores para fazer esse trabalho. Se a criança tiver esse cuidado desde o início, ela vai mastigar melhor, vai ter outra aparência, vai ter autoestima. São três programas simples e objetivos. Se você atender essa base, terá atendido as gerações futuras, esta é a base plataforma do meu governo.

EM TEMPO – E como será a gestão Serafim Corrêa, num cenário de crise econômica que o país enfrenta?
SC – Eu acho que uma virada de página no final do mês, com a aprovação do impedimento da presidente Dilma, o Brasil vai ganhar um rumo na sua transição. Eu não creio que rapidamente a economia pare de crescer, mas eu diria que ela parou de cair, as expectativas aumentaram, e digo mais, a tendência é que em 2017 elas comecem a crescer. Qual será o nível desse crescimento? Eu não posso prever, mas tudo leva a crer que começa a crescer. Em 2018 é ano eleitoral, então na minha leitura o (Michel) Temer não será candidato – ele já disse isso publicamente – portanto, haverá uma disputa muito grande. Mas ele, até por não ser candidato, tem compromisso com essa transição e tendo compromisso, na minha leitura, ele resgatará e será a porta de entrada para o Brasil.

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