Dia a dia

Ensino do idioma mandarim ganha popularidade em Manaus

Irlene Hsu, professora de mandarim em escola de idiomas e na Escola do Serviço Público Municipal, afirma que interesse pelo aprendizado cresceu pela proximidade de indústrias chinesas no PIM – foto: Alberto César Araújo

Irlene Hsu, professora de mandarim em escola de idiomas e na Escola do Serviço Público Municipal, afirma que interesse pelo aprendizado cresceu pela proximidade de indústrias chinesas no PIM – foto: Alberto César Araújo

Foi-se o tempo em que estudar inglês por hobby, para quando viesse a ser útil na vida profissional, era a “menina dos olhos” nos cursos de idiomas em Manaus. Um dos que têm obtido bastante procura na cidade é o mandarim.

O reflexo disso é a oferta do curso em diversas escolas, principalmente nas unidades educacionais conhecidas por oferecer apenas inglês e espanhol.

Na capital do Amazonas, isso acontece devido à proximidade com fábricas chinesas instaladas no Polo Industrial de Manaus, mas também é influenciado pela “necessidade de falar o novo idioma global”, como explicou a administradora de empresas e professora de mandarim Irlene Hsu, 33.
Esse é o caso da diretora operacional da empresa Tutiplast, Mariana Barrella, 32. Ela visitou a China duas vezes à trabalho, e o desconhecimento do idioma a deixou em uma situação complicada.

“Uma vez fui pegar um táxi de uma cidade para outra. Pronunciei o nome do destino de um jeito errado e parei em outro lugar. Tudo porque disse errado parte da palavra”, contou Mariana, que é fluente em inglês, espanhol, italiano e francês.

Agora, ela estuda mandarim há quatro meses. “Decidi estudar mandarim por gostar da cultura e achar muito importante hoje saber esse idioma. Acho que faz diferença no trabalho”, explicou.

Infância trilíngue

A professora de mandarim Irlene cresceu ouvindo os pais falando em taiwanês, estudou mandarim informalmente com parentes e depois aperfeiçoou-se. Tudo ao mesmo tempo em que crescia em Manaus e era alfabetizada em português na escola.

“Pode parecer confuso, mas tudo foi muito natural para mim. Aprendi os três idiomas e hoje falo todos eles. O conhecimento de mandarim é muito importante também para meu trabalho na fábrica”, relatou Irlene.

Assim como parte de seus alunos, a professora Irlene também trabalha em uma fábrica do Polo Industrial de Manaus. Ela atua no setor administrativo da Pionner durante a manhã e a tarde, e leciona mandarim na escola Wizard à noite. Irlene também ensinou a mesma língua na Escola do Serviço Público Municipal, da Prefeitura de Manaus.

Mandarim é fácil

Irlene só ensina mandarim para brasileiros. Segundo ela, é mais fácil um brasileiro aprender mandarim que um chinês ser fluente em português. “A gramática do português do Brasil é muito complexa, nem os brasileiros dominam. Com três anos de dedicação você já começa a conversar bem em mandarim”.

Apesar de soar parecido aos ouvidos ocidentais, taiwanês, japonês e demais idiomas asiáticos são bastante distintos entre si. “Taiwanês e mandarim, por exemplo, que são os idiomas que domino além do português, são completamente distintos. É como comparar português com mandarim”, definiu Irlene.

Uma maneira de aprender mandarim mais facilmente, segundo Irlene, é ter conhecimento de outro idioma, além da língua nativa. “Geralmente quem já sabe inglês ou espanhol, por exemplo, se dá melhor em mandarim. Fica mais motivado porque já sabe que dedicação dá resultado: conseguir a sonhada fluência”.

“Também ajuda ter um objetivo claro, como conseguir uma promoção no emprego”, disse.

Poucos concluem

Falta de identificação com o idioma e sobrecarga no trabalho ou faculdade são os principais motivos que levam alunos a desistirem de aprender mandarim.

Geralmente uma turma começa com 15 alunos e termina com cinco. “Quem começa a estudar só porque acha bonito, gosta da cultura, quase sempre desiste e fica pelo meio do caminho”, explicou a professora.

“Os alunos que têm mais sucesso, que concluem o curso, são aqueles que têm metas bastante definidas, como visitar a China ou conseguir um trabalho melhor dentro de sua área, e que peça domínio da língua chinesa”.

Enquanto a conversação básica é alcançada em três anos, o domínio da língua falada e escrita chega aos seis anos de dedicação. Além de conhecer as quatro entonações que cada sílaba possui, é necessário aprender a escrever, ou melhor, desenhar uma infinidade de ideogramas.

“O conhecimento dos ideogramas é o último nível. Primeiro você aprende a falar e entender, depois domina os ideogramas”, explicou a instrutora de mandarim.

Para ter sucesso no estudo de qualquer idioma é fundamental treinar em casa, com filmes e músicas.

Como a professora indicou, ajuda bastante ter uma motivação bastante clara, como realizar uma viagem dos sonhos ou alcançar um posto elevado, e com remuneração atraente, dentro da sua organização. “Siga suas metas. A fluência chega com o tempo e somente a quem persiste”, garantiu Irlene.

Por Rafael F. Nobre (Jornal EM TEMPO)

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