Economia

Amazonas ganha primeira usina solar flutuante do Brasil

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Com o passar do tempo, após pesquisas e resultados, o ministro Braga afirmou que o lago terá a capacidade para gerar 300 megawatts no pico, que abastece, aproximadamente, 540 mil residências. foto: Diego Janatã.

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, lançou nesta sexta-feira (4), no lago da hidrelétrica de Balbina, em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), o projeto piloto de geração híbrida de energia, a partir das fontes renováveis solar e hídrica. O projeto que será experimentado também na cidade de Sobradinho, no Estado da Bahia, é o primeiro do mundo sobre águas de hidrelétrica e custará R$ 112 milhões, financiado com recursos do fundo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

 

Somente no lago de Balbina, segundo o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, serão R$ 55 milhões para uma estrutura que capaz de gerar 5 megawatts, cuja capacidade é de abastecer 9 mil residências. Além da compra de equipamentos, Costa explicou que o recurso será utilizado também para capacitação da mão de obra de profissionais do Amazonas e também para pesquisas, que servirão como referências para levar o modelo a outras barragens espalhadas pelo país, na busca de energia mais barata para o consumidor.

Fruto de edital lançado pelo Ministério de Minas e Energia, o projeto será desenvolvido pela empresa Sunlution. Ela já construiu o protótipo de placas fotovoltaicas sobre flutuadores e pretende alcançar a geração, em Balbina, dos 5 megawatts previstos no projeto, até o primeiro trimestre de 2017, conforme estimativa do sócio diretor da empresa, Orestes Gonçalves.

A geração ocorrerá, segundo o diretor da Sunlution, numa estrutura flutuante com 20 mil painéis solares, que juntos formarão um conglomerado de 50 mil metros quadrados sobre as águas da barragem, o equivalente a 5 campos de futebol. E com o passar do tempo, após pesquisas e resultados, o ministro Braga afirmou que o lago terá a capacidade para gerar 300 megawatts no pico, que abastece, aproximadamente, 540 mil residências.

De acordo com Orestes, a dimensão da estrutura flutuante da usina solar cobrirá apenas 0,002% da superfície do reservatório. O primeiro megawatt de energia elétrica gerado pela usina fotovoltaica, segundo Oreste, está previsto para o mês de agosto deste ano. Os 4 megawatts restantes do projeto inicial de geração de energia solar sobre as águas da hidrelétrica serão gerados até o primeiro trimestre de 2017.

Braga explicou que a busca pelo novo modelo de geração híbrida de energia elétrica solar/hídrica, abre um novo mercado para o setor no país, como há dez anos aconteceu com o de energia eólica. Mas também, nasce como forma de amenizar o que ele classificou de “maior crime ambiental” cometido pela engenharia, na Amazônia, que foi a construção da barragem de Balbina, que não consegue gerar a energia elétrica que se estimava, quando da sua construção no final dos anos 1980.

Flutuadores serão produzidos no PIM

O diretor da Sunlution, Orestes Gonçalves, disse que o flutuador utilizado no protótipo foi adquirido junto a empresa francesa Ciel Terre, e que há compromisso firmado com o Ministério de Minas e Energia de produzir o flutuador no Brasil. “Estamos com parceria com a New Sul para começar a produzir em Camaçari, na Bahia, e o nosso próximo desafio será produzir aqui no Estado do Amazonas também”, afirmou.

Os flutuadores que tem certificação de suportar velocidade de vento de até 200 quilômetros por hora e ondas de até um metro e meio, tem a garantia de 20 anos e os painéis de 25 anos.

Orestes explicou que a energia proporcionada pelo sol e captada pelas placas fotovoltaicas serão transmitidas por cabos até o eletrocentro de Balbina, que está conectado ao sistema elétrico nacional. “Este eletrocentro é composto por inversores e transformadores que transformarão a energia de corrente continua para corrente alternada, que estará conectada no sistema elétrico nacional, por meio da estação da usina hidrelétrica de Balbina”, disse.

Ele avaliou que a geração híbrida é mais um ponto que o setor elétrico brasileiro precisa focar no sentido de gerar duas fontes numa única infraestrutura. “Vamos ter que olhar hidrelétrica com solar, solar com eólica, eólica com hidrelétrica. Temos que ter essa capacidade entender com otimizar o sistema e nossas infraestruturas”, observou.

Modelo para o país

O presidente da Eletrobras, José Carvalho da Costa Neto, avaliou que, com a primeira usina hidrelétrica do mundo que contará com painéis fotovoltaicos para captar energia solar, servirá de modelo para ampliar a produção de energia no Brasil, por meio de recursos renováveis.

“A partir daqui se avaliará qual porcentagem da área poderemos usar no reservatório, qual a influência dos painéis fotovoltaicos no sistema ecológico da barragem. E se usarmos 1% do reservatório, nós poderemos gerar, aproximadamente, até 2,3 mil megawatts, quase 10 vezes a capacidade de Balbina”, apontou o executivo.

Costa afirmou que, no ano passado, foram acrescentados ao sistema elétrico brasileiro, aproximadamente, 7 mil megawatts. E neste ano ele estimou que deverão ser acrescentados até 10 mil megawatts. “E graças a melhoria do regime de chuvas no país, hoje nós podemos dizer que o país tem folga de energia, suficiente para a retomada do crescimento”, observou.

 

Por Emerson Quaresma

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