Economia

Endividado, consumidor amazonense evita gastos no comércio

Lojistas de Manaus esperam melhora no movimento do comércio local em função do adiantamento do pagamento do 13º salário para servidores públicos municipais e estaduais – foto: Diego Janatã

Lojistas de Manaus esperam melhora no movimento do comércio local em função do adiantamento do pagamento do 13º salário para servidores públicos municipais e estaduais – foto: Diego Janatã

Com a maior parte da população preocupada em quitar as dívidas acumuladas, o comércio de Manaus deve “abocanhar” ao menos 30% dos R$ 141,5 milhões que serão injetados na economia local com o adiantamento do pagamento da primeira parcela do 13º salário dos funcionários públicos municipais e estaduais. A avaliação é do presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), José Roberto Tadros.

Segundo ele, mais de 50% do benefício deverá ser gasto com dívidas ou com compras de emergências, como para obras de residências.  “O trabalhador vai priorizar as dívidas. Se sobrar dinheiro, acredito que irá aplicar na poupança ou então fazer compras de emergência, por exemplo, equipamentos de casa danificados, como eletrodomésticos”, disse.

Para o empresário, enquanto não houver uma definição sobre quem ficará na Presidência da República, o consumismo vai permanecer contraído, resultado “da insegurança de como será o dia de amanhã”. “O comercio é a ponta do consumo, é a forma mais pura da atividade econômica”, finalizou Tadros.

Do total injetado com o 13º salário, R$ 92 milhões serão pagos aos 81 mil servidores do Estado, a partir de hoje, e outros R$ 49,5 milhões aos 31 mil servidores municipais, que começaram a receber ontem.

No caso do Estado, a antecipação corresponde apenas a 30% do 13º deste ano de 2016. O restante será pago em outras duas parcelas, 20% em setembro e 50% em dezembro. No município, a antecipação foi de 50% neste primeiro pagamento e a outra metade será paga em dezembro.

Cautela

A servidora da Secretaria de Estado da Saúde (Susam) Grayce Kelly explicou que o momento é realmente de segurar o dinheiro e se prevenir. “Vamos pagar dívidas. Com a cesta básica cara, acabamos nos comprometendo neste período. No momento, não tenho nenhuma intenção de comprar algum produto. A situação está bem crítica e a gente não sabe até quando vai continuar assim, então não podemos investir em nada. O que sobrar temos que guardar mesmo”, declarou.

Por sua vez, Ione Pereira, que atua na Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), também confirma o prognóstico feito pelo comércio local quanto aos gastos dos consumidores. “Precisamos realmente de uma renda a mais e até um pouco melhor para quitar algumas dívidas. No momento, não tenho nenhuma intenção de fazer comprar, só se sobrar algum dinheiro, ou seja, só gastarei em um caso de necessidade”, finalizou a funcionária pública.

Por Joandres Xavier

 

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