Economia

Empresas da China buscam ampliar presença no Polo Industrial de Manaus

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Depois do Japão e da Coreia consolidarem suas presenças na capita amazonense, agora é vez da China, principalmente no segmento de duas rodas – foto: Raimundo Valentim

As missões empresariais realizadas pelo governo federal e estadual com o objetivo de atrair novos investimentos para o Polo Industrial de Manaus (PIM) têm surtido efeito. Depois do capital japonês e coreano se consolidar no mercado local, agora é a vez do “tigre” chinês ampliar a sua participação na economia da indústria do Amazonas.

Em maio do ano passado, por exemplo, o governo do Estado iniciou as articulações pelos principais centros industriais da China com objetivo de captar novos investimentos.

A missão, a cargo de técnicos da atual Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti), começou pela província de Guangdong, na cidade de Fosham, na região Sul, e terminou em Beijin, Região Sudeste.

Um dos resultados da campanha de atração de novos investimentos, segundo informações da assessoria de imprensa da Seplancti, foi a intenção de duas grandes fabricantes chinesas de componentes, a GMCC e a Welling, de instalarem novas fábricas no parque fabril de Manaus.

A primeira é a maior fornecedora de componentes para produtos domésticos com mais de 2 mil tipos de peças para o setor eletroeletrônico.
Em maio deste ano, representantes da estatal chinesa Eletronics Corporation (Ceiec), uma das maiores empresas de tecnologia de informação estatal da China, estiveram em Manaus para assinar acordos com o governo do Estado.

Dentre as diversas áreas de interesses dos orientais estava a instalação de empresas chinesas no PIM e o acesso facilitado a recursos para desenvolvimento econômico e obras de infraestrutura.

No ano passado, o superintendente em exercício da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Gustavo Igrejas, em uma reunião, na sede do governo do Amazonas, tratou com executivos da companhia chinesa BYD sobre a implantação de uma fábrica da empresa no PIM.

Com 180 mil empregados, espalhados em 15 unidades fabris pelo mundo, a BYD atua nas áreas de transportes, energias e eletrônicos de consumo. No Brasil, a empresa já produz ônibus elétricos, em Campinas (SP).

No Amazonas, ela expandiria a sua atuação com a produção de células de bateria para telefones celulares. O investimento anunciado nessa segunda unidade é de US$ 400 milhões e a projeção é de que sejam gerados mais de mil empregos. Será o maior investimento da empresa fora da China.

Visitas frequentes

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, relata que as empresas asiáticas estão cada vez mais presentes na região. As japonesas e coreanas são a maioria, as chinesas por sua vez têm menor participação no mercado local.

Mas o cenário pode mudar, uma vez que empresários da República da China têm, neste ano, promovido com frequência visitas in loco ao modelo Zona Franca de Manaus (ZFM).

“A origem não importa. Quanto mais empresas melhor para nós, pois significa mais investimentos, geração de emprego e transferência de tecnologia”, frisa Azevedo.

A reportagem tentou, desde o início da semana, obter os dados de quantas empresas chinesas há no PIM, além do volume de investimentos e da geração de empregos que geram, mas até a postagem desta matéria, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) não havia respondido a demanda.

A explicação dada pela assessoria de imprensa da autarquia para a demora de enviar as informações seria a redução de servidores em razão da greve.

Terceira fábrica do polo de duas rodas, a chinesa Moto Traxx da Amazônia está no PIM desde 2007, emprega 120 funcionários e a sua capacidade de produção chega até 160 motocicletas por dia – foto: Diego Janatã

Terceira fábrica do polo de duas rodas, a chinesa Moto Traxx da Amazônia está no PIM desde 2007, emprega 120 funcionários e a sua capacidade de produção chega até 160 motocicletas por dia – foto: Diego Janatã

A concentração do maior polo de duas rodas da América Latina – o que facilita a contratação de fornecedores e pessoal qualificado – e os incentivos fiscais oferecidos pela Zona Franca de Manaus (ZFM) fizeram com que a Moto Traxx da Amazônia aportasse na capital do Amazonas, em dezembro de 2007.

Os investimentos vieram da matriz China Jialing Industrial Co. Ltda com apoio da China South Industries Group (CSIG), cuja sede fica em Pequim.
Até hoje, o investimento total da matriz na China com a implantação da fábrica em Manaus e a Traxx no Brasil, com presença no país desde 2000, está em torno de US$ 25 milhões, de acordo com informações da assessoria de imprensa da companhia.

Na capital amazonense, a empresa, que tem 120 concessionárias em todo o Brasil e planos para chegar a 180 em três anos, emprega em torno de 120 funcionários e tem capacidade para produzir 160 motocicletas por dia no PIM.

“Mix amplo”

A planta atual da Moto Traxx da Amazônia contempla os produtos cub 50 cc, cub 125 cc, street 125 cc, além da linha street 150 e 250 cc. Trial 150 e 250 cc. implementada este ano. Mas diante do atual cenário político e econômico, a empresa informou que se concentrará em estabilizar o fortalecimento do mix atual.

“A opção de um mix muito amplo onera as operações da indústria e de sua rede. É preciso cautela”, destacou em nota.

No entanto, a fabricante sino-brasileira tem planos de ampliar sua área de atuação para fornecer solda, chassi e pintura, que também serão produzidos na fábrica de Manaus. Mas não há previsão para o projeto ser implantado.

Por Silane Souza (Jornal EM TEMPO)

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