Política

Empresário ligado a Lula é ouvido no Rio em operação da Polícia Federal

A Operação Janus, desencadeada nesta sexta-feira (20) para investigar supostos crimes de exploração de prestígio e tráfico de influência em torno de contratos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento. Econômico e Social), tomou o depoimento, no Rio de Janeiro, de uma pessoa ligada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Taiguara Rodrigues dos Santos é um dos investigados porque uma de suas empresas, a Exergia Brasil, recebeu R$ 3,5 milhões da empreiteira Odebrecht depois que o BNDES aceitou financiar uma obra executada pela empreiteira em Angola, a construção da hidrelétrica Cambambe. O financiamento para a obra, segundo a PF, foi de US$ 446 milhões.

Taiguara é filho do irmão da primeira mulher de Lula. A empresa dele, porém, não teria capacidade técnica para participar da obra, segundo a PF -a suspeita é que houve o repasse de dinheiro, mas sem contrapartida.

A reportagem apurou que a Justiça Federal determinou, a pedido da PF, a quebra dos sigilos bancários e fiscal das empresas de Taiguara. Os dados já foram enviados há cinco dias à PF e ainda estão sendo analisados. Uma das linhas da PF é apurar “uma aparência de evolução patrimonial não compatível” com a renda do empresário entre os anos de 2011 e 2015.

A delegada da Polícia Federal que preside o inquérito, Fernanda Costa de Oliveira, confirmou que a investigação pode se estender a outros contratos do BNDES para obras em República Dominicana, Cuba e Angola, mas ainda é cedo para fazer prognósticos.

“Esta é uma fase inicial, cirúrgica, mas a investigação tem potencial de atingir outras empresas e contratos”, disse a delegada.

TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

O inquérito foi instaurado a partir de um procedimento investigativo aberto no ano passado pelo Ministério Público Federal para investigar suposto tráfico de influência do ex-presidente Lula na obtenção, pela Odebrecht, de obras no exterior com financiamento do BNDES.

De acordo com a Procuradoria, a investigação tinha por objetivo saber se Lula “recebeu vantagens econômicas indevidas para influenciar ‘agentes públicos estrangeiros notadamente na República Dominicana, Cuba e Angola’, além de facilitar ou agilizar o trâmite de procedimentos de financiamentos de interesse das empresas do grupo Odebrecht junto ao BNDES”, conforme texto enviado à imprensa nesta sexta.

Para a delegada da PF, ainda não está definido se há necessidade, na Operação Janus, da tomada de depoimento de Lula. A PF ainda não tem elementos, nessa fase da apuração, sobre eventual participação do ex-presidente no caso da hidrelétrica de Cambambe.

LAVA JATO

Em março, a Operação Lava Jato revelou, em relatório, que em um mesmo voo para o Panamá em novembro de 2014, da Copa Airlines, viajaram Taiguara e o filho de Lula, Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, ao lado do empresário Fernando Bittar, sócio de Lulinha. A PF averigua também se há relação dessa viagem com o financiamento ao governo de Angola.

A delegada também estuda a possibilidade de pedir um compartilhamento de provas colhidas a respeito da Odebrecht ao longo da Lava Jato. Naquela operação, segundo a PF, escritórios e endereços da empreiteira já foram alvos de cinco ordens judiciais de busca e apreensão.

OUTRO LADO

O advogado Armando de Mattos Júnior, que representa dois sócios de uma empresa de contabilidade de Santos, disse que seus clientes foram ouvidos por duas horas nesta manhã. Segundo ele, os dois foram convidados a depor -não foi condução coercitiva. Nesta empresa, cujo nome ele não divulgou, foi cumprido um mandado de busca e apreensão e feito cópias com informações sobre a empresa de Taiguara.

Essa empresa, disse o advogado, foi fechada há dois ou três anos.

Mattos afirmou ainda que eles foram ouvidos para dar informações sobre a contabilidade prestada às duas empresas de Taiguara a partir de 2008. A PF quis saber, segundo Mattos, informações sobre qual a área de atuação dessas empresas.

Em diversas ocasiões, a defesa jurídica de Lula negou quaisquer atividades ilegais em palestras e eventos dos quais participou no exterior para a Odebrecht. Em depoimento prestado ao Congresso Nacional no ano passado, Taiguara também negou quaisquer irregularidades em seu trabalho de consultoria.

No depoimento que prestou à CPI do BNDES em outubro passado, na Câmara dos Deputados, Taiguara confirmou manter contatos com Lula, mas negou que o ex-presidente tenha trabalhado ou influenciado na obtenção do contrato de sua empresa Exergia com a Odebrecht em torno da obra em Angola.

“Influência zero do ex-presidente Lula e do Fábio”, disse Taiguara. Ele também disse aos deputados que se encontrava em situação econômica difícil, tendo como patrimônio um apartamento e um automóvel, e que mantinha dívidas que poderiam levar à perda judicial do imóvel por leilão.

Por Folhapress

1 Comment

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  1. APJr

    20 de maio de 2016 at 13:13

    Mais uns três meses de investigações e a folha corrida desse senhor Lula da Silva vai ficar mais comprida que a Garanhuns / Brasília !! Ou alguém, em seu perfeito juízo, ainda duvida que ele é o grande chefe da tchurma toda ??

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