Economia

Empresário contesta acusação do Sindiplast e denuncia uso de ‘laranjas’ na Vulcaplast para desvios de verba

Ex-empregados da empresa contestam valor de R$ 5,5 mi estipulado para venda da unidade situada em Manaus – foto: divulgação

Ex-funcionários reivindicam pagamento de dívidas trabalhistas que somam quase R$ 4 milhões – foto: divulgação

O empresário Ricardo Rosseti, que responde pela Vulcaplast Indústria da Amazônia Ltda. desde que ganhou uma liminar, em 2012, procurou a reportagem do EM TEMPO Online na manhã desta terça-feira (20) para se defender das acusações, feitas pelo sindicato da categoria, de que estaria desmontando a empresa, localizada na avenida Cosme Ferreira, Zona Leste. Rosseti assegura que entrou com pedido de liminar para garantir que os direitos dos ex-funcionários sejam sanados.

“Quando entrei com recurso, entreguei logo o prédio à Justiça para assegurar o pagamento de tudo que os funcionários têm direito. E fico tranquilo porque tudo que diz respeito àquele imóvel é deles”, disse o empresário.

Rosseti afirmou ainda que, enquanto esteve no comando da Vulcaplast, até maio de 2009, “nenhum funcionário tinha dívida trabalhista” e que, na época, o faturamento mensal da empresa era de R$ 4 milhões. O empresário contou que, no período citado, esteve doente e soube do interesse de uma empresa paulista na compra da Vulcaplast, a CGE Sociedade Fabricadora de Peças Plásticas Ltda.

Ele disse que o representante da CGE, após a venda, nomeou Marcos Nogueira para a administração da Vulcaplast e que, este, indicou duas pessoas para responderem pela empresa em Manaus: Raimundo Nonato Pereira da Silva e o filho, Saulo Maciel.

“Eles entraram como ‘laranjas’, em novembro de 2011, apenas para assumir a bronca porque nunca pagaram sequer R$ 1 pela empresa e agora Raimundo quer acusar o Ricardo e sair como salvador da pátria”, disse a advogada do empresário, Cristiane Silveira. “É um bandido”, completou Rosseti.

Na manhã de ontem (19), Raimundo Nonato falou que se não o tivessem tirado do cargo por meio de liminar já teria pago os funcionários e que “as atuais pessoas envolvidas no caso não veem necessidade em resolver e vão continuar adiando para não pagar e, enquanto isso, a empresa vai perdendo valor”.

Segundo os advogados de Rosseti, as dívidas dos trabalhadores chegam a, aproximadamente, R$ 3,8 milhões e que, hoje, o terreno da empresa vale R$ 15 mi.
Ao EM TEMPO Online, Rosseti disse ainda que por dois anos e oito meses – correspondentes ao período em que ficou afastado da empresa -, os ‘laranjas’ não depositaram quaisquer direitos trabalhistas, não fizeram os procedimentos de recolhimentos fiscais e, “sequer, pagaram as contas de energia elétrica”.

Sobre o desmonte da Vulcaplast, Rosseti se defende e diz que não há interesse pessoal em ver o imóvel destruído e que há 16 boletins de ocorrência (BO’s) registrados denunciando os ocorridos.

Os advogados do empresário também destacam que, ainda em 2012, foi instaurado um inquérito contra a dupla que liderava a Vulcaplast por emissão de notas fiscais falsificadas e por corrupções ativa e passiva, envolvendo fiscais da Receita Federal do Brasil e da Secretaria do Estado da Fazenda do Estado do Amazonas (Sefaz/AM).

“Queremos que a Polícia Federal conclua este inquérito”, disseram os advogados.

documentosvulcaplast

Os advogados de Rosseti apresentaram diversos documentos, inclusive, um inquérito em trâmite na PF onde denuncia ex-gestores por corrupções ativa e passiva, além de fraudes em notas fiscais – foto: Rosianne Couto

Procurado pela reportagem, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Plásticos (Sindplast), Francisco Brito de Freitas, declarou que as informações de Rosseti são inverídicas e que foi o empresário quem nomeou os procuradores citados.

“Tudo que ele está contando é mentira para tirar o corpo fora. Espero que a Justiça o obrigue a remontar a fábrica para vender e pagar os trabalhadores”, disse Brito.

Manifestação

Na manhã de ontem, ex-funcionários da Vulcaplast Indústria da Amazônia Ltda. realizaram uma manifestação em frente ao local onde funcionava a empresa, para cobrar agilidade da Justiça na solução da dívida da mesma com os trabalhadores.

Segundo o presidente do Sindplast, Francisco Brito de Freitas, desde 2011, além do salário, benefícios como Previdência Social e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), deixaram de ser pagos aos trabalhadores pela Vulcaplast e, no ano seguinte, mais de 800 funcionários foram demitidos da empresa sem o direito ao recebimento dos benefícios trabalhistas. Em 2012, a empresa decretou falência.

Rosianne Couto

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir