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Em Viena, Irã e grandes potências discutem últimos pontos de acordo

Os ministros das Relações Exteriores do grupo P5+1 (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, mais a Alemanha) e do Irã retomam em Viena, neste domingo (5) e nesta segunda (6), as negociações políticas para um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano, após dois dias e meio de ajustes técnicos.

As partes estabeleceram um prazo até terça-feira (7) para fechar um compromisso político que limite as atividades nucleares iranianas e garanta seu uso exclusivamente pacífico, e que, por outro lado, suspenda as sanções internacionais que há anos estrangulam a economia da República Islâmica.

Os chefes das diplomacias dos Estados Unidos, John Kerry, e do Irã, Mohammed Javad Zarif, se reuniram nesta manhã no luxuoso hotel onde as conversas acontecem a portas fechadas, tanto em nível técnico como político.

Espera-se para este domingo o retorno à mesa de negociação dos chanceleres da França, Laurent Fabius; da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier; e da União Europeia (UE), Federica Mogherini.

Para esta segunda está prevista a chegada dos ministros de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e da China, Wang Yi, e não se sabe quando chegará o do Reino Unido, Philip Hammond.

O plano é que todos os negociadores reassumam as negociações no mais tardar terça-feira de manhã, o dia em que vence o atual prazo.

Até então, os analistas das delegações continuam limando as diferenças técnicas de um projeto do texto que, segundo vazou à imprensa, estaria quase completamente formulado.

Mas ainda há divergências para trabalhar, reconheceu neste sábado (4) à noite o vice-ministro de Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, em entrevista à televisão de seu país, IRIB.

Falta principalmente estabelecer a coordenação das checagens de cumprimento do tratado pelo Irã com o ritmo e a forma de suspensão das sanções impostas pelos EUA, pela UE e pelas Nações Unidas, assunto que, segundo Araghchi, deverá ser tratado em nível político pelos ministros.

A verificação do cumprimento dos compromissos iranianos será de responsabilidade, uma vez assinado o acordo, da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Apesar das dificuldades, Araghchi destacou os avanços conseguidos até agora, e disse acreditar ser “possível” alcançar um acordo no prazo fixado. Ele assegurou que “nunca antes” as negociações tinham avançado tanto como nos últimos dias.

Mas o alto negociador iraniano advertiu, segundo a agência Irna, que ainda não se pode descartar um fracasso, pois seu país não aceitará um acordo “ruim”.

O Irã sempre negou qualquer intenção de fabricar armas atômicas, mas as potências ocidentais não confiam nisso e acusam o país de não permitir inspeções suficientes da AIEA para comprovar o caráter pacífico de seu projeto.

Por Folhapress

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