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Em velório de jovem morta na Compensa, familiares apontam negligência de PMs na ação

O velório está sendo realizado na paroquia de Santa Rosa, situada no conjunto Xingu - foto: Mara Magalhães

O velório está sendo realizado na paroquia de Santa Rosa, situada no conjunto Xingu – foto: Mara Magalhães

Comoção e muita revolta marcam o velório da assistente social Thammyrys da Costa Alexandre, 24, na manhã desta quinta-feira (21), onde familiares apontaram negligência por parte dos policiais envolvidos. A despedida acontece na paroquia de Santa Rosa, situado no conjunto Xingu, Compensa, Zona Oeste, mesmo bairro onde ela foi morta no fim da tarde de ontem, durante suposta troca de tiros entre policiais militares e dois assaltantes.

O sepultamento, segundo familiares, ainda não tem local e nem hora definida para acontecer, pois o pai da jovem ainda está vindo de Fortaleza (CE).

O cunhado da vítima, Henrique Braga, informou que, no momento que a assistente social estava saindo do imóvel, se deparou com dois homens em atitude suspeita e retornou para dentro da casa.

“Ela pediu para a nossa funcionaria ficar olhando da varanda até os homens saírem do local.Quando eles saíram da frente da residência, ela desceu, abriu a porta do passageiro colocou a roupa que ela usaria na festa de formatura da minha esposa, que é irmã dela, e quando entrou no automóvel, os elementos tentaram entrar pela porta do passageiro. Nesse momento, dois policiais estavam subindo a pé a rua e quando viram a situação começaram a atirar. Acreditamos que no momento que ela foi atingida acabou pisando no acelerador e caiu no barranco”, disse o cunhado da vítima.

Ainda conforme o rapaz, ele foi avisado sobre a situação pela sogra, mas ninguém da família imaginava que se tratava de Thammyrys.

“A minha sogra me ligou falando que havia acontecido um assalto nas proximidades da nossa casa, mas até então a gente não sabia que era com a Thamires. Quando cheguei ao local já tinha um cordão de isolamento. A Polícia Militar estava lá, mas não prestou a apoio, então houve negligencia da parte da polícia sim, principalmente em relação ao fato de chegarem já atirando em um horário comercial, numa área onde várias pessoas estavam transitando”, ressaltou o homem indignado.

O Cunhado de Thammyrys, também reclamou da demora do atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “O Samu chegou depois de 40 minutos, com dois técnicos totalmente despreparados. Eles sequer sabiam explicar ao médico com o qual falavam ao telefone onde era a perfuração. Após alguns minutos mandaram outra ambulância com uma médica, mas quando perguntei se tinham o aparelho de reanimação, falaram que não. Houve negligencia tanto da parte da polícia quanto do Samu” enfatiza o rapaz.

A tia de Thammyrys também criticou a ação dos PMs. Segundo a mulher, os assaltos ocorrem com frequência nas proximidades de onde ocorreu, mas a PM não comparecia no local.

“Ela não era minha sobrinha era minha filha, pois eu que a criei e eduquei. A Thammyrys era uma menina batalhadora, sorridente, extrovertida e que teve a vida ceifada por conta de uma irresponsabilidade de policiais mal treinados. Quem matou  minha filha foram os policiais, tenho certeza disso. Ela era nova, cheia de vida e de sonhos. Tinha um caminho lindo pela frente, mas tudo isso foi interrompido pela irresponsabilidade da polícia militar” disse a mulher revoltada.

Policia Militar

Em nota, a Polícia Militar informou que todos os policiais envolvidos foram ouvidos na noite de quarta-feira (20) na Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) e submetidos aos exames residuográficos e de contato balístico de praxe da Polícia Civil. Os resultados serão conhecidos após a conclusão do laudo pericial.

Ainda conforme a nota, durante o depoimento os policiais declararam que o disparo que vitimou a assistente social, não partiu da arma da equipe policial. Conforme a PM foi aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias do fato.

Suspeito preso

Após as crime policiais militares da Força Tática e da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) realizaram buscas pelo local e conseguiram apreender um adolescente de 17 anos. O jovem foi levado para a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai), onde ficará à disposição da Justiça.

Entenda o caso

A assistente social Thamires da Costa Alexandre, 24, morreu após uma troca de tiros entre policiais militares da 20ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) e dois rapazes, na rua Cecília Cabral, conjunto Rio Xingu, nas proximidades da avenida Brasil, bairro Compensa, Zona Centro-Oeste de Manaus.

Segundo informações da polícia, o crime ocorreu por volta das 16h30, quando a mulher estava saindo de casa em um carro modelo Fiesta Sedan, de placa NPB- 6413, e foi atingida no abdômen por um dos disparos.  O carro acabou caindo em um barranco. Os policiais estavam em uma operação para combater a criminalidade no bairro.

Por Mara Magalhães

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