Eleições 2016

Em um ano de filiação ao PSB, Cristiane já participa de disputa majoritária ao lado de Serafim Corrêa

Licenciada da cadeira de professora de Língua Portuguesa e Literatura da turma do 9º ano da Escola Estadual Antogildo Pascoal, na Zona Norte de Manaus, para se dedicar à campanha eleitoral ao lado de Serafim Corrêa (PSB), Cristiane Balieiro é candidata à vice-prefeita, em sua primeira disputa eleitoral.

Nascida em Benjamin Constant e moradora do bairro Cidade Nova, Zona Norte, a candidata é casada, possui três filhos e, mesmo com a agenda de compromisso da campanha, ministra aulas duas vezes por semana em um cursinho pré-vestibular. Dedicada ao ofício de professora, Cristiane conta que, desde cedo, sua mãe sempre a ensinou que a educação é a melhor forma de sobrevivência e, a partir deste ensinamento, migrou para Manaus para se dedicar aos estudos aos 13 anos de idade.

EM TEMPO – A senhora é professora e lida diretamente com adolescentes e jovens. Eles lhes trazem inspiração?
Cristiane Balieiro – Em um curso preparatório, parece que não, mas estamos trabalhando com sonhos. A força do jovem é uma coisa impressionante. Eu me inspiro demais neles, porque vejo jovens que participam do “Menor Aprendiz” de manhã, à tarde vão para a escola e à noite vão para o cursinho. Essa rotina é de gente adulta. Eles poderiam dizer: “eu não quero”. Muitos até pagam o próprio cursinho com o dinheiro do “Menor Aprendiz”. Eu vi vários se superando. É um envolvimento muito grande que eu não poderia, neste momento, em detrimento de uma questão pessoal, deixar o curso à mercê. Eu preferi sair e ficar como professora somente na parte da manhã com duas turmas. Eu me desdobro para estar com eles.

EM TEMPO – A senhora e a candidata à vice na chapa do prefeiturável Marcos Queiroz, Taly Nayandra, são as únicas mulheres numa eleição majoritária predominantemente de homens. Como se sente?
CB – Eu conheci a Taly (Nayandra) no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) e, até então, eu não sabia que existia outra mulher como candidata, na disputa majoritária. Nós sentamos e conversamos e eu me senti bastante confortável ao saber que não era a única vice mulher. É uma responsabilidade muito grande representar as mulheres de Manaus. Existe a confiança das mulheres em mim e tenho recebido inúmeras mensagens de apoio.

EM TEMPO – Como surgiu essa face da Cristiane, professora e mãe, para a de candidata à vice-prefeita?
CB – Eu já estava com uma afinidade com a política e há um momento da vida da gente que parece que há um “estalo”. Eu já tinha filhos, eu já estava casada. Foram pontos que me levaram para a política. Não foi o caso de acordar com a vontade de ser vereadora, por exemplo. Dentre muitos fatores que me motivaram, um deles foi as manifestações de 2013. Mas eu já tinha esse desejo, anteriormente. Eu também trabalhava em um cursinho há dez anos e um dos professores, amigo meu, veio como candidato em 2012 e a gente conversava e ele afirmava que eu tinha esse perfil e falava: “Balieiro, vamos para a política”, “Balieiro, o PSB está precisando de mulheres”. Nós participamos das manifestações em 2013 e lá eu percebi que o povo clamava muito por duas coisas: educação e saúde. Eu fiquei acompanhando as eleições presidenciais e me identifiquei muito com Eduardo Campos, ex-candidato à presidência da República e o meu amigo candidato a vereador era do mesmo partido. Então, para eu ir para o PSB foi um “pulo”. Eu sentei com o Marcelo Serafim (vereador e presidente regional do partido) e conversamos longamente. Ele me falou de todo o processo, do desejo dele de ter uma vereadora, esse ano, e questionou se eu realmente queria vir para a briga e eu disse que sim, quero. Me filiei ao partido em 2015 e esta é a primeira vez que estou concorrendo a uma eleição.

EM TEMPO – Houve alguma preparação para integrar a chapa majoritária ao lado de Serafim Corrêa?
CB- O PSB investiu muito nos candidatos com seminário e preparação. A gente vive um novo momento, esta é a primeira eleição depois da reforma eleitoral. Então, estava todo mundo querendo saber. Um desses seminários aconteceu em São Paulo, era um encontro de prefeito e vices-prefeitos e eu fui para representar as mulheres, já que no partido não teríamos candidata, até então, para prefeita e vice-prefeita. No momento em que eu estava lá, aconteceu que aqui em Manaus, outra candidata, a Lena Tavares, estava em um evento do partido, tomou o microfone e disse que se falava muito de ‘empoderamento’ da mulher, no poder da mulher, e questionou a ausência de mulheres como vice e isso após a fala do Serafim. A partir de então, ele teve a ideia de que seria um bom momento para ter uma mulher na chapa, e dentre as candidatas eu fui a escolhida, mas poderia ter sido perfeitamente qualquer uma das outras.

EM TEMPO – A chapa tem uma composição bem diferenciada, com um homem e uma mulher de idades distintas. Como vai ser a sua contribuição na gestão municipal, caso sejam eleitos?
CB- O Serafim tem 69 anos e eu tenho 35. Eu sou professora. Eu vivo a educação há dez anos. Tenho muito a contribuir no que se refere a isso. No sistema educacional, há coisas que só um professor que está ali, no dia a dia, sabe. Nós temos metas a cumprir. As metas são importantes e devem acontecer. Mas como? Exigir de um profissional que ele passe os alunos porque temos metas a cumprir? Nós tivemos em 2014, 524 mil alunos que zeraram a redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Cerca de 524 mil alunos que não souberam escrever, que não souberam interpretar texto e, para chegar a isso, existem muitos fatores, mas esse é um deles. Impor que o profissional passe o aluno custe o que custar por que tem cumprir metas?! Tem alguma coisa errada. A educação não funciona assim. Eu não posso pegar o meu aluno e achar que ele é um depósito de conhecimento, porque ele não é. Eu quero que meu aluno compreenda. Eu quero que meu aluno raciocine, que ele se torne uma pessoa crítica. E a gente só se torna crítico de verdade quando a gente conhece todos os processos que estão acontecendo. E não estou somente falando de política, estou falando da vida, da língua; ela consegue se fazer entender melhor e fazer uma sociedade melhor.

EM TEMPO – As mulheres são a maioria, entre número de população e de eleitores, conforme dados de órgãos oficiais, mas pouco representada nos órgãos de decisão, inclusive, de políticas públicas. Como pretende trabalhar para mudar esse quadro?
CB – Sou mulher. Eu fui escolhida e tenho várias coisas a contribuir. Eu sou mãe. Eu já tive que depender. Eu já tive que ir às maternidades públicas. Eu fui maltratada. Já fui tratada de forma não adequada a uma grávida. Não interessa se é a primeira, segunda, terceira ou milésima gravidez, não importa. Ela está grávida. Naquele momento, ela precisa de atenção. Aquele bebê recebe influência. E ele precisa nascer saudável. Como é que se trata mal uma mãe e uma grávida? Aí o filho nasce, é necessário levá-lo aos exames básicos de rotina. Eu, mãe, que estou cansada, tenho que acordar às 5h?! Como é que somos, nós mulheres, maioria, e nossos representantes são masculinos? Isso é contraditório. História de que mulher não vota em mulher é desculpa. Mulher vota em mulher, sim. Porque mulher entende a dor da mulher. O homem também pode ter empatia e entender, mas nós mulheres vamos entender ainda mais. A gente está chegando para dizer que podemos ajudar, que podemos contribuir.

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