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Em três meses, média diária de focos de incêndio em vegetação subiu de 3 para 7 na capital

 houve um aumento considerado nas ocorrências de incêndio em vegetação- foto: divulgação/Bombeiros

houve um aumento considerado nas ocorrências de incêndio em vegetação- foto: divulgação/Bombeiros

As altas temperaturas e o tempo seco têm contribuído para aumentar ainda mais os focos de incêndio em vegetação na cidade. Logo no início da manhã desta terça-feira (22), mais um caso foi registrado. Desta vez em um terreno baldio localizado na rua 2 do conjunto Beverly Hill, Zona Centro-Sul da capital.

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBM-AM), somente no mês de setembro já foram registrados mais de 70 casos até esta manhã. O assessor de imprensa da corporação, tenente Janderson Lopes, informou que pequenos focos podem ganhar proporções gigantescas, devido à baixa umidade relativa do ar, agregado a elevadas temperaturas, fazendo com que a vegetação se torne ainda mais ressecada pela radiação solar, aumentando os focos de incêndio.

As incidências, conforme o tenente, têm progredido no último trimestre. “Desde o mês de julho houve um aumento considerado nas ocorrências de incêndio em vegetação. Em julho, a média era de três por dia. Em agosto, passou para quatro a cinco focos por dia. Agora em setembro, a média diária está sendo de seis a sete ocorrências. Sendo que no último domingo (13) atingimos o maior número, com 17 ocorrências na capital em um único dia”, enfatizou.

Ainda segundo o Corpo de Bombeiros, em 2014 foram registradas 304 ocorrências durante todo o ano. Já em 2015, somente de janeiro até hoje, foram registrados 265, sendo que no mês de agosto foram 79 e em setembro, faltando ainda oito dias para acabar o mês, já são 76 registros.

O tenente Lopes ressaltou que, além das altas temperaturas, muitos focos de incêndio na capital têm sido causados pela ação humana e que, comparado ao interior, onde os agricultores costumam fazer a limpeza do seu terreno tocando fogo na vegetação, as ocorrências em Manaus são proporcionalmente maiores.

“Atualmente, temos tido incêndios de média a grande proporção, o que torna necessário o uso de maior quantidade de água. Já houve incêndios em que precisamos utilizar mais de 20.000 litros de água. Um fato que dificulta o combate é, principalmente, o tipo de vegetação. Quanto mais robusta (árvores e troncos secos), maior a dificuldade de extinguir, pois o fogo continua queimando em profundidade. Há também os casos da propagação subterrânea, quando o fogo continua a se propagar pelas raízes das árvores abaixo da superfície. Nesses casos, vê-se fumaça, mas não o fogo”, detalhou o tenente ao EM TEMPO Online.

Queimadas não interferem no calor

Diferente do que se possa imaginar, o grande número de queimadas na região não interfere diretamente na sensação de calor registrada nos últimos dias. Segundo o chefe de meteorologia do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Gustavo Ribeiro, a alta temperatura é atribuída a radiação solar. “A alta temperatura é provocada pelo fenômeno climático conhecido como El Niño, que é o aquecimento anômalo das águas superficiais e sub-superficiais na região Equatorial do Oceano Pacífico. O fenômeno causa uma modificação da circulação dos ventos, dificultando a formação de nuvens e consequentemente a elevação da temperatura”, explicou.

Somente este mês, Manaus já bateu dois recordes de temperatura, sendo o último registrado nesta segunda-feira (21), com 38,9 graus. A previsão do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), porém, é que, até ao final da tarde desta terça, a temperatura chegue à casa dos 39 graus à sombra. Em Manaus, há 18 dias não chove e a estação seca fica ainda mais acentuada pelo fenômeno El Niño.

A meteorologista Dédila Bonfim explicou que a “temperatura elevada, é normal para o período, sendo influenciada pela ação direta do sol e pela exposição de placas de metais, asfalto e outros materiais, que juntamente com a a falta de arborização na cidade, gera em alguns pontos da cidade, um impacto maior e dá essa sensação maior de quentura”, pontuou.

Por Conceição Melquíades

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