Dia a dia

EM TEMPO inicia série sobre problemas e soluções para Manaus falando de mobilidade urbana

Motivo de transtornos para todos, a mobilidade é o primeiro tema da série de reportagens especiais – foto: Diego Janatã

Motivo de transtornos para todos, a mobilidade é o primeiro tema da série de reportagens especiais – foto: Diego Janatã

Com a proximidade das eleições municipais, o EM TEMPO faz um profundo levantamento das principais demandas da cidade de Manaus e, com o auxílio de especialistas, elabora sugestões para os candidatos. Serão seis itens abordados nos próximos seis finais de semana: mobilidade urbana, saneamento, saúde básica, iluminação, infraestrutura e sustentabilidade.

Inicialmente, é importante saber a definição de mobilidade urbana. “Mobilidade urbana é a capacidade de alcançar um destino, num tempo, a custos satisfatórios. Portanto, a mobilidade está relacionada com a qualidade de atendimento do sistema. Esta referência conduz à escolha de taxas e índices que expressam, diretamente, a grandeza do tempo de percurso, sendo esta variável básica usada pelos usuários do sistema de transporte, para planejar seus deslocamentos”, explica o professor Olavo Tapajós, doutor em engenharia de transportes (logística), pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Tomando como base esse conceito, é fácil perceber que Manaus tem, nesse item, um sério desafio pela frente. Isso porque o deslocamento dos veículos depende do espaço que tenham para trafegar. E, atualmente, Manaus tem cada vez menos espaços para isso. “Manaus, hoje, tem vias onde ônibus transportando 70 pessoas disputam terreno com veículos transportando uma única pessoa”, explica o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), Carmine Furletti.

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Manaus conta, atualmente, com 616.623 veículos circulando nas ruas, entre carros, ônibus, utilitários e motos. Isso apenas no seu perímetro urbano.

De acordo com o Sinetram, atualmente há mais de 170 linhas com percurso praticamente idêntico trafegando nas principais avenidas da cidade, como a Torquato Tapajós, a Djalma Batista e a Constantino Nery, indo até o Centro e voltando.

“Na quarta-feira levei uma hora para percorrer um trecho de 5 quilômetros. Se tivesse ido a pé, chegaria mais rápido; de bicicleta, ainda mais. Percebi muito espaço nas vias, mas quase sempre dedicado à mobilidade individual motorizada, com típicas soluções de meados do século passado. Mudanças na mobilidade urbana são imprescindíveis para as cidades modernas e sustentáveis”, afirma José Lobo, diretor da Transporte Ativo, organização civil voltada para a utilização de meios de transporte à propulsão nos sistemas de trânsito.

Corredor exclusivo

Como a principal demanda da mobilidade urbana é o transporte de maior número de pessoas, em menor tempo, uma das ideias consensuais é a necessidade de investimento em transporte coletivo. O ideal é que cada vez mais usuários de transporte individual migrem para o coletivo. “O grande desafio para qualquer gestão pública é incorporar os transportes de massa, de forma atrativa e integrada, aos outros meios de condução, sejam eles a pé, bicicleta ou ao próprio veículo. Isto é, tudo começa com o local que se aguarda um transporte público. O investimento deve ser feito nos corredores de ônibus, de forma estruturada e segregada, de modo que os passageiros cruzem a cidade de norte a sul, de leste a oeste, com paradas em estações atrativas”, ensina o professor  Luiz Vicente Filho, coordenador do curso de engenharia, do Mackenzie, Campinas (SP).

Um esboço dessa iniciativa foi feito na atual gestão da prefeitura. “Observa-se que o principal erro cometido pela atual administração pública foi ter se precipitado à implantação do projeto “Faixa Azul”, ou seja, o Sistema Bus Rapid Service (BRS), sem os devidos ajustes técnicos. O BRS é um sistema de corredores exclusivos para ônibus e outros veículos específicos. Porém, o  BRS proposto pela atual prefeitura comete um erro imperdoável em manter as outras linhas de ônibus (convencionais e executivos) na via da direita, prejudicando e sacrificando os usuários que utilizam os veículos particulares nos atuais eixos estratégicos de implantação”, afirma Olavo Tapajós.

Estímulo
Para que essa mudança dê certo, é preciso educar o cidadão. “O estímulo ao transporte público como citado, quando este for de qualidade, é essencial para as gerações atuais e futuras. E o veículo próprio para eventos pontuais, como viagens no fim de semana, idas ao supermercado, hospital, etc. Aos adultos, sempre orientar e advertir, nas mudanças das vias, antes de aplicar qualquer tipo de multa, isto quer dizer, que para cada mudança na engenharia de tráfego, a orientação deve estar atuando e as multas, referente à fiscalização, somente em último caso”, afirma
Luiz Vicente.

Por Fred Santana

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