Eleições 2016

Em sua terceira eleição majoritária, Hissa diz que adversários apresentam propostas ilusórias

Hissa-Abraao---Foto-Marcio-Melo

Hissa avalia como positiva a experiência de 11 meses como vice-prefeito e assegura que aprendeu como funciona as relações de poder na gestão pública – foto: Márcio Melo

Aos 36 anos de idade, o economista e deputado federal Hissa Abrahão (PDT) não desiste do propósito de ser prefeito de Manaus. Disputando a terceira eleição majoritária consecutiva, desta vez ele afirma que vem para ganhar e que não tem amarras com nenhum ‘cacique’ político local.

Hissa não pensa em perder tempo. Com apenas 8 anos de carreira política, neste intervalo de tempo, já foi vereador, vice-prefeito, secretário de obras e, agora, deputado. Em 2010, disputou as eleições para governo do Amazonas.

EM TEMPO: Essa é a terceira vez que o senhor tenta uma eleição majoritária. Quando surgiu esse desejo de atuar no poder executivo?
Hissa Abrahão: Nossa campanha começou recente com o PSDC, sendo pura, original, sem máquina, sem precisar excluir vice – muito pelo contrário, nós temos um candidato a vice Adjunto Afonso, que tem uma grande influência na zona rural, é deputado estadual pela quarta vez e, portanto, irá nos ajudar muito na administração. Eu sou candidato a prefeito porque eu tenho ideias novas, para melhorar Manaus. Já era para eu ter sido candidato em 2012, mas quis o meu partido na época, na última hora, que eu fosse candidato a vice e participei da campanha e prefeito ganhou. O tempo passou e eu discordei da atual gestão, houve a ruptura e hoje sou candidato a prefeito, enfrentando tudo aquilo que eu discordei.

EM TEMPO: Como o senhor vai centrar a sua campanha eleitoral?
HA: A nossa campanha está voltada em um tripé, onde estou focado em fazer uma caminhada inteligente para uma gestão humanizada e inclusiva, porque precisamos usar o que há de melhor em tecnologia de ponta em benefício da sociedade e sustentável porque onde a gente puder cuidar do nosso meio ambiente iremos fazer. E nesse tripé da gestão, nós temos 12 eixos de ideias. A maioria dos prefeitos que passaram eles quiseram administrar rotinas e nós queremos criar um planejamento de curto, médio e grande prazo para poder promover políticas públicas que venham melhorar Manaus.

EM TEMPO: Qual a sua aposta no seu plano de governo?
HA: Temos um problema sério com Unidades Básicas de Saúde (UBS). É um absurdo quem mora em um bairro estar proibido de ser atendido em outra localidade. Isso, na nossa administração, pretendemos eliminar fazendo mais postos de saúde. Não vamos citar número para não criar ilusão, nós só vamos falar para o povo o que vai ser implementando, somos pé no chão, porém dentro das UBS que já existem, nós vamos redirecionar. Aquelas que atendem uma demanda baixa, nós vamos criar um aplicativo onde a população irá localizar vagas e ir ao encontro da sua consulta e exames. Queremos também implementar uma espécie de prontuário eletrônico, que nele estará o histórico de saúde de todo cidadão, sem usar papel, sem problemas de esquecimentos de como foi a última consulta. Temos o remédio e exames, que pretendemos fechar parceria com drogarias para que todos sejam atendidos e a consulta passe a ser completa.

EM TEMPO: O senhor foi secretário municipal de Obras durante 11 meses. Nesse período, o que pôde ter como experiência em gestão pública?
HA: A minha avaliação é muito positiva sobre essa experiência. Nós fizemos muito com poucos recursos. A nossa gestão, no que eu pude fazer, eu fiz pela cidade. Nós entregamos o T3, T4 e T5 reformados; entregamos o Mercado Adolpho Lisboa; concluímos a segunda etapa da Ponta Negra e entre outras obras. Do ponto de vista pessoal, eu aprendi muito como funcionam as relações de poder, com os vereadores e secretários, e isso foi importante porque me deu uma visão estratégica de como funciona a cidade e experiência para hoje ser candidato a prefeito, com bem mais maturidade e entendendo como funciona toda máquina administrativa.

EM TEMPO: O primeiro debate foi um termômetro do que virá pela frente. Como o senhor pretende trabalhar a questão de ataques políticos?
HA: Eu te confesso que sou contra baixaria e contra ataques pessoais. Campanha para mim é de propostas e o que eu vou falar é a verdade, mas se eu for atacado e afetado por isso, paciência, mas eu não vou deixar de falar a verdade porque os candidatos também não podem esconder seu caráter atrás somente das propostas. Eles têm que falar porque que são candidatos, mudança de vice, como fez o candidato do Melo (governador do estado). Porque o prefeito Arthur (Neto) gastou mais com publicidade do que com merenda escolar, remédio ou outros serviços essenciais para a população. Pois, na verdade, de ponto de vista político, eles têm coragem de fazer ataques pessoais contra mim, falando da minha esposa, falando de mim e isso é algo que me constrange, mas eu tenho que compreender o cinismo dele.

EM TEMPO: Olhando para a cidade de Manaus, o que o senhor acredita que falta para a capital entrar nos eixos?
HA: Saúde e mobilidade urbana. Para saúde já dei a ideia do que faremos e para a mobilidade urbana pensamos em fazer um plano multimodal. Manaus hoje é uma cidade de mais de 2 milhões de habitantes e a todo momento temos pelo menos 1 milhão de pessoas e precisamos de serviços de transportes bons e criar outras alternativas, como o transporte fluvial urbano, BRT, VLT e o monotrilho. Então, quando você começa a fazer um planejamento, estudando tudo em Manaus e todos os modelos de transporte do mundo e não só de Manaus, você começa a fazer uma estratégia de melhoria para o transporte público e quem diz como fazer são os técnicos. E hoje, quem governa a cidade só pensa em maquiar o que temos e não mudar toda estrutura para algo atual.

EM TEMPO: Se o senhor for eleito prefeito, como será sua relação com os governos estadual e federal?
HA: Total institucional, republicana, mas firme. Vou ter autoridade para não deixar, por exemplo, que fechem Caics e outros órgãos. Por que eu vou ter essa autoridade? Porque eu não vou ser bancado financeiramente pelo governo Melo. O meu vice não foi o Melo que colocou. Então, eu vou ter independência para agir conforme o nosso projeto de governo, que seja bom para a população. Eu jamais vou deixar de fazer um projeto devido uma aliança obscura e, por isso, vou ter que me calar diante de um mau feito do governador. O que ele fizer de bom será bem visto, o que ele fizer de ruim vai ter nossa crítica, democrática, mas terá.

EM TEMPO: Como o senhor analisa as propostas feitas pelos seus adversários nesta disputa majoritária?
HA: Elas são fantasiosas demais. Sem citar candidatos, eu estou vendo muitas propostas ilusórias, que não vão fazer e que são inviáveis. No debate saíram várias que eu disse “meu Deus do céu!”, mas eu prefiro não tecer comentários para respeitar os concorrentes, mas como eu já estive na prefeitura eu sei que isso não cabe a realidade.

EM TEMPO: Sua campanha eleitoral está começando agora. Como o senhor pretende trabalhar os próximos 32 dias até às eleições?
HA: Mudou muito o formato da política. Vou trabalhar programas de rádio, TV e internet e vou fazer muita caminhada nas áreas populosas da cidade, conversamos com as pessoas e ouvindo quem quer se seja para saber delas o que esperam de um prefeito.

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