Dia a dia

Em Parintins, lotes de terreno invadido está sendo ‘vendido’ irregularmente

A invasão do loteamento Pascoal Allágio começou em março e é uma das maiores ocupações irregulares já registradas em Parintins - foto: Tadeu de Souza

A invasão do loteamento Pascoal Allágio começou em março e é uma das maiores ocupações irregulares já registradas em Parintins – foto: Tadeu de Souza

A demora do Tribunal de Justiça do Amazonas em decidir o cumprimento da reintegração de posse determinada pelo juiz da 1ª Vara da Comarca de Parintins, Fábio César Olinto de Souza, está dando margem a uma intensa ‘negociação’ de lotes de terra na área invadida do loteamento Pascoal Allágio, na Zona Leste da cidade.

O EM TEMPO teve acesso, com exclusividade, ao depoimento de duas pessoas que foram enganadas pelas supostas lideranças da invasão.

Uma mulher, que não quis se identificar contou,  estava procurando um terreno quando foi abordada por um dos “líderes” que lhe vendeu um lote de terras por R$1 mil.

“Depois que ele me passou o lote, meu irmão começou a roçar, fazer melhoria e ontem, quando ele chegou, já havia uma outra pessoa dentro do lote. Eles revenderam alegando que eu demorei a construir. Quero o meu dinheiro de volta”, afirmou a dona de casa.

Ela contou ainda que todas as pessoas que estão chegando na invasão estão comprando lotes negociados no valor de  R$ 1 mil e R$ 2 mil. “Eles estão ganhando muito dinheiro, os primeiros invasores já foram postos para correr por essas pessoas que se intitulam líderes da invasão”.

Outra pessoa que não quis se identificar, fez um relato mais grave ainda. Ele contou que existe uma grande área de terra reservada para ser negociada com empresários do setor de panificação e ferragens.

“A área está no nome de outras pessoas para disfarçar, mas na verdade, está sendo reservada para gente que pode pagar acima de R$5 mil. Eles dizem que vão ficar com a terra porque conseguiram enganar a Defensoria Pública com a desculpa de que a invasão é social”, afirma o cidadão ouvido pelo EM TEMPO.

Segundo ele, além da venda indiscriminada de terrenos na invasão, os “líderes” instituíram uma “taxa” semanal de R$ 20 para o pagamento de despesas com advogado e outros custos.

“ Durante a noite, sempre estão por lá empresários, políticos e, principalmente, um candidato a vereador que é dono de um mercadinho e que estava por traz da primeira invasão”, disse o denunciante.

O casal vítima do golpe da quadrilha que vem agindo na invasão denunciou o fato à polícia local.

Liminar

A invasão do loteamento Pascoal Allágio iniciou em março passado. É uma das maiores ocupações irregulares já registradas em Parintins.

Em maio, o juiz Fábio César Olinto, titular da 1ª Vara da Comarca de Parintins, concedeu, a pedido da família Esteves, proprietária da área, a reintegração de posse, porém, os invasores, por meio da Defensoria Pública, que não ouviu a outra parte interessada, conseguiram uma liminar suspendendo a decisão de primeira estância sob o argumento de que era uma ocupação com fim social.

Enquanto não há nenhuma decisão da Justiça, as denúncias de extorsão, comércio ilegal e outros crimes são registrados diariamente na polícia local.

Por Tadeu de Souza

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