Sem categoria

Em meio a ofensivas, FDN tenta manter o ‘comando’ no Amazonas

Um dos líderes da FDN, 'João Branco', já está preso em presídio federal - fotos: Ricardo Oliveira, Márcio Melo e Arthur Castro

Um dos líderes da FDN, ‘João Branco’, já está preso em presídio federal – fotos: Ricardo Oliveira, Márcio Melo e Arthur Castro

Em meio às tentativas das forças de segurança para desmantelar a organização criminosa Família do Norte (FDN), uma facção que mantém o monopólio do tráfico de drogas no Amazonas, além de ordenar homicídios, praticar lavagem de dinheiro, entre outros crimes, a facção mostra que continua se articulando, ao nomear novos líderes e executar as antigas ordens deixadas por seus comandantes, transferidos para presídios federais. A guerra entre Estado e FDN existe há anos, mas ganha maior notoriedade quando se percebe que o crime está cada vez mais organizado e com uma capacidade de se regenerar contra as ações da segurança.

Uma das estratégias da facção para desestabilizar o sistema foi cavar túneis na área externa do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), localizado no quilômetro 8 da BR-174 (Manaus – Boa Vista), e também nas dependências dos regimes fechado e semiaberto, que dariam fuga para mais de 300 presos caso as equipes de Inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) não tivessem descoberto tais passagens.

“Eles fazem isso porque, antigamente, o crime organizado dominava as unidades prisionais e hoje não mais. Eu não vou permitir que eles tenham esse controle, pois o controle é do Estado. Eles tentam organizar fuga em massa para desestabilizar o sistema, mas temos um trabalho de inteligência que consegue deter essa ação”, afirma o secretário da Seap, Pedro Florêncio.

Conforme as investigações da Polícia Federal (PF), os detentos estavam habituados a receber visitas todos os dias nos presídios, ter campo de futebol liberado, entrada de qualquer tipo de alimentação, além de crianças, prostitutas e criminosos para articularem crimes. Os presidiários e integrantes da FDN têm demonstrado muita resistência para se adaptar às mudanças feitas pela nova administração.

Apesar das transferências dos membros da alta cúpula da organização criminosa, José Roberto Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, João Pinto Carioca, o “João Branco”, Alan César Cartimário, o “Nanico”, e Geomisson de Lira Arante, o “Roque”, a FDN tenta se reestruturar. No lugar de “Zé Roberto” assumiu o detento Bruno Henrique Assis Bezerra, o “Parazinho”, responsável pelo comando dos presídios, seguidos de seus “xerifes” Demétrio Antônio Matias, 37, e João Ricardo dos Santos, o “Cacá”. Este último um homicida de alta periculosidade, conforme a PF.

“Não vou permitir que o presídio volte a ser o que era na administração passada. Não vou deixar que eles voltem a ter o monopólio das cadeias. A FDN é só uma facção regional, que detém, claro, o controle do tráfico de drogas e tenta impedir que o PCC (Primeiro Comando da Capital), facção rival a eles, tome essa exclusividade que eles têm. Deixei avisado que se o Bruno Henrique continuar atrapalhando a nossa administração, eu vou solicitar que ele vá para presídio federal”,  assegura.

Erro de estratégia

De acordo com o secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, a FDN tem menos de uma década atuando no Amazonas e o fato de ter crescido tanto na capital, praticando todos os tipos de crime, tem relação com as estratégias das antigas administrações de Segurança, que, segundo ele, foram inapropriadas. “Em menos de 10 anos, a FDN conseguiu controlar todo o tráfico em Manaus, competindo apenas com o PCC, que hoje é pequeno. Houve um equívoco nas estratégias de Segurança para combater as facções criminosas, mas nós conseguimos corrigi-lo”, disse.

Por Ana Sena

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir