Dia a dia

Em Manaus, zika vírus é destaque em congresso de iniciação científica

O edital prevê um montante R$ 65 milhões para incentivar descobertas em nove linhas de estudos relacionadas ao vírus - foto: divulgação

O VI Congresso de Iniciação Cientifica, acontece na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), no Dom Pedro, Zona Oeste.s – foto: divulgação

Identificada no Brasil há pouco mais de um ano, a zika é uma doença ainda cercada de mistérios. De acordo com boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde, o país registrou 165.932 casos prováveis de febre pelo zika vírus em 2016, até o dia 11 de junho. Por conta dos números elevados da doença, cientistas trabalham arduamente para comprovar sua relação com outros problemas de saúde e pesquisar exames mais confiáveis, vacinas e métodos mais eficazes para eliminar seu principal vetor, o mosquito Aedes aegypti.


O tema “Zika, uma nova arbovirose: o que aprendemos e o que ainda não sabemos?” foi debatido pelo pesquisador e chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Almicar Tanuri, na tarde de ontem (2), durante a abertura do VI Congresso de Iniciação Cientifica, na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), no Dom Pedro, Zona Oeste.

A pesquisa de Tanuri acompanha um grupo de mães que foram infectadas com o zika.  Segundo ele, ao menos 300 mães são de Manaus, e o acompnhamento é necessário para saber do desfecho, se os bebês tiveram microcefalia ou não. “O que dá para entender é o seguinte, no Nordeste brasileiro a taxa de microcefalia é no mínimo dez vezes maior do que o resto do país e em certas regiões do Norte ainda é muito maior. Parece que há concentração de casos em algumas regiões rurais, então a gente está estudando esses fatores que possam ajudar o vírus a lesar o cérebro das crianças ou passar pela placenta”, explicou.

Para o pesquisador, a razão pela qual o vírus da zika é maior nas regiões Norte e Nordeste do Brasil estão ligadas a fatores regionais. Porém estes fatores ainda estão sendo estudados. “A razão primaria não é o vírus, porque estudamos o material genético do vírus e ele é muito parecido com o resto dos vírus que circulam no país, na verdade é algum fator local. Algum fator ambiental, algum fator ou outro que estejam ajudando o vírus a lesar as crianças nessas regiões. A gente tem que estudar melhor, agora com mais calma, porque foi tudo com uma questão de emergência no ano passado. E agora a epidemia deu uma baixada, mesmo nessas regiões e temos que estudar e ver o que está acontecendo”, destacou.

Outro tema abordado por Tanuri é a utilização de drogas que possam inibir o vírus da zika. Além do porquê da doença ser mais agressiva ao bebê do que à gestante. “Eu abordo um pouco sobre drogas que possam ser utilizadas para inibir a recrutação do vírus e no futuro talvez, possa ser utilizada como remédio para bloquear a multiplicação do vírus. O que assusta a gente é que a doença é muito leve na mãe, mas lesa o feto de uma maneira horrível, isso que é mais assustador”, avaliou.

Para o pesquisador, o melhor bloqueio seria uma vacina eficaz. “Tem um grupo que está trabalhando com vacina e o nosso grupo tem trabalhado com drogas. Eu acho que a gente precisa conhecer um pouco mais o vírus antes de tentar ir para vacina. A gente está conhecendo muito pouco, é um vírus que a gente tomou conhecimento ano passado. A gente ainda está na curva do aprendizado”, observou.

Tuberculose

Na tarde de hoje (3), a palestra “Oportunidades de pesquisa em tuberculose da REDE-TB: um olhar amazônico”, com o pesquisador da UFRJ e da Fiocruz do Rio de Janeiro, Afrânio Friski, vai mostrar que mesmo sendo curável e tendo tratamento completo disponibilizado pelas redes públicas de saúde, a tuberculose mata mais que a dengue.

Segundo Friski, a cada 100 pacientes que tem a doença no Brasil e no Amazonas, de quatro a seis morrem. E de cada 100 pacientes que tem a doença associada ao HIV, de 15 a 20 acabam morrendo. Segundo ele, as regiões brasileiras com maior incidência da doença é o Amazonas, Rio de Janeiro e Pernambuco. Já as capitais que possuem o maior número da doença associada ao HIV, são Porto Alegre (RS) e Manaus (AM).

“A tuberculose é um dos agravos mais prevalentes, mais frequentes no Amazonas, mas Manaus tem o caso de incidência mais alta e de mortalidade do Brasil. Usualmente associada a infecção por HIV. Essa doença mata mais que dengue, mata mais que zika e ninguém valoriza isso porque na verdade não está na moda, o que afeta basicamente pessoas de baixa renda. Ela hoje é mundialmente a doença infecciosa que mais mata no mundo”, informou.

Por Michelle Freitas

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