Cultura

Em Manaus,  temporadas de três produções teatrais no Ateliê 23 chegam ao fim

Transexualidade é o tema de “Persona – Face um”, uma das peças. O texto foi montado a partir de entrevistas  - foto: divulgação

Transexualidade é o tema de “Persona – Face um”, uma das peças. O texto foi montado a partir de entrevistas – foto: divulgação

As temporadas de três produções teatrais que estão em cartaz na sede do Ateliê 23 – Casa de Criação (“Persona – Face um”, “Complexo de gaivota” e “Persona – Face dois”) serão encerradas neste mês. Todas as montagens têm direção de Taciano Soares, ator e diretor da companhia de artes cênicas.

As últimas encenações de “Persona – Face um” serão realizadas nos próximos dias 16 e 30 (quintas-feiras), sempre às 20h. Os ingressos vão estar à venda uma hora antes do espetáculo. Haverá ainda duas apresentações no dia 23, dentro do projeto Dabacuri, com entrada franca.

Transexualidade é o tema de “Persona – Face um”. O texto foi montado a partir de entrevistas com seis indivíduos transexuais – três homens e três mulheres – sobre como é ser transexual em Manaus. Das seis pessoas escolhidas, duas não quiseram ser entrevistadas, mas concordaram em ser observadas.

O diretor da peça e do Ateliê 23, Taciano Soares, conta que, além das histórias de transição, de se entender como transexual e da confusão que as pessoas fazem entre gênero e orientação sexual, os entrevistados pontuaram assuntos como a violência, a transfobia e o suicídio. “Eram coisas muito cruéis e, depois de ouvi-los, pensamos que não tínhamos como falar da transexualidade sem escolher um enfoque num universo muito grande. Montamos então uma peça que era uma denúncia, digamos assim. O resultado foi um espetáculo denso, pesado, tão cruel como o conteúdo das entrevistas”, destaca.

Comédia

As próximas oportunidades para conferir “Complexo de gaivota” serão durante as sextas-feiras, dias 17 e 24, também a partir de 20h. O texto fala sobre o teatro e aborda o medo do fracasso, a aceitação, os complexos processos de criação dos artistas, o desejo de fama, as aspirações daqueles que se envolvem com a arte e muitas vezes nem sabem o porquê. A primeira inspiração vem do texto de Anton Tchekhov, “A gaivota”, que trata das intempéries do fazer teatral.

Em seguida, Thais Vasconcelos escreveu uma dramaturgia livremente inspirada na obra de Tchekhov, um texto com recortes de outras peças, de filmes, de relatos anônimos da internet. A história se desenvolve a partir de um diretor e dramaturgo em falência, Trepliev, que decide mudar os rumos da sua produção artística e, para isso, pensa em construir um musical contemporâneo chamado “Elefantes verdes”. Ele pede a ajuda de sua mãe, Arkádina, que foi uma grande atriz e se considera a primadona do teatro para compor o elenco e, por fim, faz um rápido teste com uma jovem atriz, Nina, que está na plateia.

O musical não dá certo e, ao ouvir a opinião crítica de jurados vindos do Sudeste e Sul do país, Trepliev entende então que, para ser o que ele busca, precisa voltar as suas origens e dar vazão ao que chama de “identidade nortista do Brasil”.

Conquistas

“Persona – Face dois” também encerra, neste mês, a temporada aos sábados na sede da companhia de artes cênicas. Apesar da semelhança com a montagem anterior, não se trata de uma continuação de “Face um”. Ao longo da peça, são apresentados 22 quadros intercalados como se fosse um programa de televisão sensacionalista.

“Tem o momento das conquistas sociais, a questão sobre uso do banheiro feminino por uma transexual, a relação na infância com o jogo de bola, as piadinhas que a gente solta, as marchinhas de Carnaval etc.”, comenta o diretor Taciano Soares, sobre o conteúdo da produção.

Esteticamente, sai o visual escuro e fechado de “Persona – Face um” e entra em cena o branco, clean, etéreo e angelical de “Persona – Face dois”. Nos figurinos predomina a cor branca. “É uma forma de trazer para a peça uma representação de festividade e de esperança, do que é esse sonho que os personagens almejam, mas que permanece como sonho, não está presente na realidade deles”, conta Laury Gitana, assistente de direção e responsável, ao lado de Taciano, pela iluminação, cenário e os figurinos.

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