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Em Manaus, parto normal é maior em rede pública

O Ministério da Saúde pretende incentivar o parto normal, diminuindo as cirurgias cesarianas em todo o país – foto: arquivo EM TEMPO Online

O Ministério da Saúde pretende incentivar o parto normal, diminuindo as cirurgias cesarianas em todo o país – foto: arquivo EM TEMPO Online

Minoria entre os partos na rede pública, com 39% dos nascimentos em Manaus, a cesariana tende a ser um método ainda com menos incidência na capital. A meta é chegar a 30% até o fim deste ano para cumprir as exigências do Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para cesariana, informa Antenor Filho, diretor da Maternidade Ana Braga, uma das maiores da rede pública de Manaus.

Com o novo protocolo, se torna obrigatória a cientificação da gestante, ou de seu responsável legal, dos potenciais riscos e eventos adversos relacionados ao procedimento cirúrgico ou uso de medicamentos para a operação cesariana. Além disso, o documento também recomenda quando a cesariana é ou não indicada.

“Hoje, 60% dos partos da rede pública é normal. Mesmo assim, a gente tem que diminuir mais as cesarianas eletivas, aquelas que são combinadas, que são desnecessárias. Exemplo de uma cesariana combinada é quando a mulher marca com o médico de fazer a laqueadura, já deixa agendado o parto cesariana. Mas a laqueadura pode ser feita noventa dias após o parto, então tem como a mulher fazer um parto normal e depois realizar a laqueadura. Existe um mito de que para fazer laqueadura é preciso ter um parto cesariana e precisamos desmistificar isso”, explica.

Para o diretor da maternidade, o processo de aceitação do PCDT tanto por parte do paciente quando de alguns profissionais da saúde deverá ser lento, mesmo assim, ele acredita numa queda expressiva nos partos cercearás ao longo dos anos. “O número de cesarianas ainda é grande nos hospitais públicos, embora já tenha diminuído um pouco e tem melhorado, mas ainda é um número expressivo. A ideia da maternidade pública é incentivar o parto normal. O Ministério da Saúde hoje em dia também incentiva essa prática que estimula o parto normal”, comenta.

Antenor Filho destaca que antes mesmo do PCDT ser divulgado, as maternidades da rede pública já utilizavam um protocolo voltado para o incentivo ao porto normal. Porém com a publicação do documento, essas normas passarão a ser muito mais respeitadas pelas pacientes e médicos. “Temos que mudar a cabeça do paciente, do acompanhante e dos profissionais de saúde. A tendência é diminuir ainda mais com o protocolo do Ministério da Saúde os partos cesarianos. Claro que as coisas não acontecem de imediato, vai acontecer devagar”, avalia.

Em relação a mortes em partos cesarianos, o diretor da maternidade Ana Braga chama a atenção para o fato de que o óbito geralmente ocorre quando a gravida já traz consigo alguma patologia. “O parto cesáreo quando ocorre o óbito é porque a mãe já tem alguma patologia pré-estabelecida, alguma coisa aconteceu, por exemplo, o descolamento da placenta, que não deu tempo de operar logo de imediato. Ou a mãe já vinha com alguma patologia diabética que fez com que algum problema viesse a acontecer. A cesariana não mata ninguém, ela tem suas indicações precisas”, garante.

Por Michelle Freitas

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