Cultura

Em Manaus, musical dos anos 1990 ganha estrutura erudita

Adelson Santos durante os ensaios semanais do musical, que conta com 40 músicos e o coral feminino da Orquestra Vozes da Ufam - foto: Ricardo Oliveira

Adelson Santos durante os ensaios semanais do musical, que conta com 40 músicos e o coral feminino da Orquestra Vozes da Ufam – foto: Ricardo Oliveira

Manaus conhecerá, daqui a dois meses, uma homenagem musical a “Santo Antônio, padroeiro de Borba”, município a 151 quilômetros da capital. Não se trata de uma viagem fundada no dois para lá e dois para cá das toadas de boi-bumbá, que se disseminaram por todos os eventos populares realizados no interior do Estado.

O trabalho erudito composto pelo maestro Adelson Santos está pronto desde o final dos anos 1990 e é a tradução de um poema do escritor e jornalista e Aldisio Filgueiras (não é a primeira parceria dos dois, que fizeram “Dessana, Dessana”, em 1970).

A estrutura musical da obra apresenta uma síntese com formas europeia e principalmente brasileira, sob a regência do maestro amazonense Adelson Santos. Os ensaios estão sendo realizadas duas vezes na semana, às terças e quintas-feiras, a partir das 15h, no Centro de Artes da Universidade do Amazonas (Caua), localizado na rua Simão Bolívar, no centro de Manaus.

O maestro enfatiza que a composição foi enriquecida com orquestração para ganhar mais vida, para não cair na redundância. “Eu peguei as variações já existentes e estendi a obra com o tempo maior, dando mais estrutura, para não cair no buraco negro”, explica.

“Santo Antônio, padroeiro de Borba” foi criada nos 1990 e tocada com orquestras de violeiros. Com a nova estrutura erudita, o maestro diz que o musical está quase pronto e em breve será divulgado. “Não quero criar expectativa, mas a obra de 55 minutos está quase pronta, e a previsão do lançamento será no máximo dois meses”, diz.

Ao todo, 40 músicos vão participar do espetáculo, composto por flautistas, violinistas, saxofonistas, entre outros profissionais da música, além do coral feminino da Orquestra Vozes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Qualidade
Santos ressalta a importância da música bem trabalhada na sociedade, mas lamenta a falta prestígio do público, que ainda prefere aderir a outros tipos de músicas brasileiras. Ele afirma que outro contribuinte para esse problema é a falta de mercado de trabalho para o músico, onde surgiram muitos jovens com muita qualidade.

“Para a arte da música em Manaus é uma angústia a cada dia, pois o trabalho com repertório bem elaborado que leva meses acaba em poucos dias e que, infelizmente, não tem como desenvolver”, conclui o maestro Adelson Santos.

Por Josemar Antunes

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