Economia

Em Manaus, mercado imobiliário registra alto volume de desistência na compra de imóveis

Entre outros motivos para a desistência da compra, também estão os atrasos nas entregas dos projetos - foto: Diego Janatã

Entre outros motivos para a desistência da compra, também estão os atrasos nas entregas dos projetos – foto: Diego Janatã

A assistente social e funcionária pública Cláudia Viera, 37, viu o sonho da casa própria se desfazer nos últimos anos e teve que seguir a vida no aluguel. Um dos motivos foi o desemprego do marido e a consequente perda do poder de compra da família, que se reduziu ao ponto de ter que escolher quais compromissos seguiria pagando, como o financiamento do carro, que para o casal naquele momento era a prioridade.

Assim como Cláudia, muitas pessoas desistiram da compra do imóvel, num momento em que a construção civil e o mercado imobiliário vivem um dos piores cenários. Vê-se pela cidade obras públicas e privadas, paradas ou com ritmo lento, por conta da redução de despesas das empresas – que começa pelo corte da mão de obra -, para se adaptar à crise.

“Após o meu casamento fiz um financiamento, junto com meu marido de um apartamento, no Parque das Laranjeiras. Mas ele ficou desempregado e tivemos muitas dificuldades para pagar as prestações. E também porque tínhamos outros compromissos, como a prestação de um veículo. Então tivemos que optar. Não dava para ficar sem carro, então voltamos para o aluguel, e tivemos que adiar esse sonho”, conta a funcionária pública.

Entre outros motivos para a desistência da compra, também estão os atrasos nas entregas dos projetos. De acordo com a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi), enquanto o número de distratos de imóveis em 2010 e 2011 não passava de 11%, hoje esse número chega aos 25% em Manaus.

De acordo com o presidente da Ademi, Romero Reis, algumas prestações subiram por causa da inflação e complicou o pagamento dos compradores, além de outras questões, como os financiamentos com os bancos que ficaram mais caros, além dos juros que subiram. Ainda conforme Reis, todo esse movimento esteve decorrente da crise da economia do país.

“As pessoas que não estavam no poder não estavam pensando no país. Esperamos que com o crédito imobiliário, os empregos voltem a crescer. Mas, esse é um movimento natural, o distrato é natural. Entre os anos de 2010 até 2012, esses fatores estavam na ordem de 10% ou 11%. Com a economia hoje, em Manaus, gira em torno de 20% a 25%. Mas, a tendência é cair, com perspectivas de crescimento”, frisa Reis.

De acordo com ele, o momento é de esperança para o setor em Manaus, e que já existe previsão de recuperação para o segundo semestre deste ano. “Precisamos de notícias boas, pautas positivas, soluções práticas para o país. Para o segundo semestre teremos grandes lançamentos em Manaus, pois estamos tendo interlocuções com os setores financeiros e o crédito para financiamento serão aumentados, como créditos bancários. A queda na inflação está em baixa, o número de depósitos na poupança também assegura essa segurança na economia do país”, diz.

Para o corretor de imóveis, Walter Machado, as pessoas comprometem a renda com outras dívidas e não conseguem honrar seus compromissos. “As análises de créditos dos bancos dificultaram os financiamentos. Nos bancos públicos, essa taxa fica em torno de 11% ao ano, enquanto os privados ficam em torno de 14%. Mas outros fatores influenciam também”, frisa.

Por Stênio Urbano

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