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Em Manaus, mães e filhos em casa e no dia a dia do trabalho

Diferente das demais multinacionais, a Whirlpool ofereceu oportunidade a Hilary, por meio do programa Jovem Aprendiz, a seguir os passos profissionais da mãe - foto: Diego janatã

Diferente das demais multinacionais, a Whirlpool ofereceu oportunidade a Hilary, por meio do programa Jovem Aprendiz, a seguir os passos profissionais da mãe – foto: Diego janatã

A regra geral de grandes empresas não permite a contração de parentes para o mesmo ambiente de trabalho. Mas Alice Lima e Hilary Batista contrariam esse conhecimento comum. Parceiras na vida, mãe e filha, respectivamente, trabalham na mesma empresa há pouco mais de 1 ano. Apesar dos horários e setores diferentes, elas se encontram e dividem não só questões relativas à família, mas trocam conhecimentos de trabalho.

Diferente das demais multinacionais, a Whirlpool ofereceu oportunidade a Hilary, por meio do programa Jovem Aprendiz, a seguir os passos profissionais da mãe, que hoje é auditora de qualidade na empresa. Alice acredita que o convívio diário na mesma empresa e a orientação constante neste início de carreira impulsionarão Hilary a conquistar precocemente o seu espaço no mercado de trabalho.

Segundo Alice, a empresa permite indicar uma pessoa para concorrer a uma vaga de trabalho, independente dos laços familiares. “Quando surgiu essa oportunidade, pensei logo na minha filha. Esse convívio diário fora de casa nos faria muito bem e ainda me daria a oportunidade de acompanhar de perto os primeiros passos da carreira de Hilary. O ambiente de onde tiro meu sustento deu a chance da minha filha construir uma vida profissional. A carreira dela está sendo escrita ao meu lado. Isso realmente é gratificante”, avalia.

Alice diz que, desde criança, Hilary sempre pensou além da sua idade e já mostrava interesse em começar a trabalhar cedo. Esse desejo de construir uma carreira sólida ainda na juventude foi provocada pelas diversas orientações dos pais, que sempre lhe incentivaram a procurar investir no seu futuro. “As conversas, que agora vão além de um simples relatório do dia a dia da família, vêm dando suporte e aliviando as primeiras dificuldades encontradas nas tarefas de trabalho da filha”, afirma Alice.

A mãe conta que, nos finais de semanas, as duas sentam e para discutir as dificuldades inicias da carreira. “Não existem barreiras entre nós, mesmo ela trabalhando no setor financeiro e eu no de qualidade. Algumas vezes trocamos ideias no vestuário. A minha maior orientação tem sido em relação ao comportamento e o direcionamento dela aqui na empresa. Quando estamos na Whirlpool, procuramos focar na relação trabalho e não misturar os laços. Aqui somos amigas de empresa, em casa somos mãe e filha”, salienta.

A filha garante que a decisão de trabalhar na mesma empresa da mãe não teve influência de Alice, uma vez que a vontade de possuir experiência profissional já estava aflorada. “Minha mãe sempre apoiou as minhas escolhas. Eu resolvi aceitar e encarar o desafio. Mesmo os setores sendo diferentes, é uma oportunidade para conhecer o local de trabalho, que um dos meus pais estão. Com isso foi possível vivenciar aquilo que era dito sobre a empresa, da qual agora eu faço parte”, diz.

Compartilhando experiências

Conciliar a vida familiar e de trabalho nas empresas é raro, em Manaus, segundo a gerente e consultora de Recursos Humanos da Megatemp, Rosana Oliveira. As companhias ainda encaram com preconceito a contratação de pessoas da mesma família, diz Oliveira. As organizações que atuam no Amazonas ainda enxergam, segundo ela, como barreira para os avanços na qualidade do serviço ou até mesmo como modo de protecionismo ter funcionários com laços sanguíneos.

Por outro lado, a consultora avalia a situação como um fator positivo, tanto para as empresas que acreditam neste método de contratação, como para os membros da mesma família, que podem ter a oportunidade de conviveram por mais tempo juntos, compartilhando além das experiências pessoais, as profissionais.

Rosana, que que está ramo de RH há mais de 11 anos, diz perceber que são raros os casos de pais que trabalham com os filhos na mesma empresa. Segundo ela, não é exceção do Amazonas, uma vez que em outros Estados esse cenário é diferente, pois as empresas acreditam nessa fórmula, que em muitos casos dá certo.

“Essa avaliação varia de empresa para empresa. É uma forma de incentivar o filho ao trabalho. Os pais acabam sendo espelhos, tornando essa relação dentro da empresa, saudável. As empresas devem, sim, adotar esse método de contratar pessoas, independentes de laços familiares”, observou Rosana.

Por Gerson Freitas

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