Cultura

Em Manaus, Caíque Oliveira divulga filme que retrata drama da ‘Cracolândia’

Em visita ao EM TEMPO, Ator e produtor paulista de cinema falou de seu mais recente longa, ‘Metanoia: Mães de Joelhos, Filhos de Pé’, com Caio Blat – foto: Raimundo Valentim

Em visita ao EM TEMPO, Ator e produtor paulista de cinema falou de seu mais recente longa, ‘Metanoia: Mães de Joelhos, Filhos de Pé’, com Caio Blat – foto: Raimundo Valentim

O ator e produtor Caíque Oliveira está em Manaus para divulgar o filme ‘Metanoia: Mães de Joelhos, Filhos de Pé’, primeiro trabalho da sua produtora independente, a Companhia de Artes Nissi, em parceria com a 4U Filmes.

O filme fala sobre a dura realidade dos dependentes de crack na região vulgarmente conhecida como ‘Cracolândia’, no Centro de São Paulo. No elenco, além de Caíque Oliveira (que também foi responsável pelo roteiro), estão Einat Falbel, Lucas Hornos, Solange Couto, Sílvio Guindane, Caio Blat e Thogun Teixeira. A direção foi assinada por Miguel Nagle. A distribuição ficou a cargo da Europa Filmes.

A produção do filme demorou ao todo três anos para ser concluída. As gravações ocorreram entre novembro de 2012 e abril de 2013, no centro de São Paulo e interior paulista.

Na historia, Eduardo é um jovem da periferia paulista que ao se envolver com as drogas se torna dependente químico. É a história de um filho perdido no submundo do crack e as desesperadas tentativas de sua mãe para salvá-lo.

Apesar de o filme ter como locação o centro de São Paulo, a principal inspiração para o roteirista Caíque Oliveira escrever a história do filme não veio da capital paulista, mas de Belém, no Pará.

“Nas minhas pesquisas, soube de um caso em Belém onde uma mãe pediu doação de aço para a comunidade onde vivia. Ela disse que a única escolha que tinha era fazer uma jaula para impedir o filho de sair e se drogar”, lembra.

Obstáculos e realismo

Para tirar o roteiro do filme do papel, os produtores arregaçaram as mangas e venderam até mesmo trufas de chocolate. DVDs de espetáculos e artigos da Companhia de Artes Nissi também serviram como meio para bancar o longa-metragem. Parte da renda arrecadada com a exibição de ‘Metanoia’ será destinada à construção de uma clínica para tratamento de dependentes químicos.

Durante as filmagens, foi preciso entrar em “acordo” com os traficantes da ‘Cracolândia’. “Eles disseram que não iriam parar de vender. Então, em algumas cenas do filme, temos sombras de traficantes vendendo drogas de verdade. Foi algo tenso”, explicou o ator e produtor.

Apesar disso, foram justamente os responsáveis pelo tráfico que protagonizaram o momento mais cômico da produção. “Eles (os traficantes) disseram: queremos ajudar as pessoas. Queremos mostrar os males das drogas. Eu, sinceramente, não entendi”, explicou Caíque.

Durante as pesquisas e filmagens, a equipe acabou descobrindo fatos assustadores. “Há clinicas de reabilitação que manipulam pacientes para mantê-los internados e assim poder faturar mais. Isso sem contar as instituições religiosas, que ainda usam o nome de Deus pra explorar o problema dos dependentes”, revela o ator Caíque Oliveira.

Mortos-vivos do crack

EM TEMPO – Alguns comparam a ‘Cracolândia’ com cenas do seriado ‘The Walking Dead’ (produção norte-americana sobre zumbis). A comparação vale?
Caíque Oliveira – Sim. Na verdade, precisamos mudar o figurino inicial. Ficamos com medo de parecer um estereótipo, quando a realidade era muito pior do que imaginávamos.

EM TEMPO – Durante a produção, vocês tiveram alguma ajuda do poder público?
CO – Não. Aliás, nem focamos esse tema. As autoridades estão perdidas. Deslocam os dependentes de um lado para outro sem saber o que fazer com eles.

EM TEMPO – O tema (drogas) ajudou ou atrapalhou na hora de montar o elenco?
CO – Ajudou e muito! Todos quiseram participar, passar uma mensagem. Os atores aceitaram participar sem nem ler o roteiro ou consultar os agentes.

EM TEMPO – Como está a receptividade ao filme?
CO – Está uma loucura. Em alta temporada, estamos entre os dez filmes mais vistos do país, em meio a grandes produções como ‘Vingadores: Era de Ultron’ e ‘Mad Max’.

EM TEMPO – Concluída a primeira produção da Companhia de Artes Nissi, quais serão os próximos projetos?
CO – Serão nessa mesma pegada, de transformação por meio do cinema e da arte. Estou começando pesquisas sobre a seca no Nordeste. É um tema que sempre me interessou.

Por Fred Santana (especial Jornal EM TEMPO)

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