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Em Manaus a ‘malhação de Judas’ destaca figuras ‘ilustres’ do cenário de corrupção em que se encontra o Brasil

Malhação - Judas 4

Antiga prática popular de malhar o judas, representando figuras anônimas ou personagens da política nacional, está cada vez mais em desuso na capital – foto: Diego Janatã

Tradicionalmente, o ‘Sábado de Aleluia’, é dia da malhação de Judas em todo o país, e os manauenses não esqueceram a data. De forma bem-humorada, eles cumpriram o ‘rito’ pendurando em postes e sacadas figuras ‘ilustres’ que destacam o atual cenário da crise política e econômica porque passa o Brasil.

Em alguns pontos tradicionais de malhação do judas na cidade, como a rua Santa Isabel, localizada na Praça 14, Zona Sul, os moradores penduraram a figura do traidor. Um fato peculiar observado foi a figura do Juiz ´Sergio Moro, responsável pela Operação Lava a Jato, e que tem incendiado o país, colocando figurões da política atrás das grades.

Responsável por confeccionar o ‘judas’, o estudante Luiz Carlos afirma que todo o ano é tradição lembrar o traidor com personalidades comuns da rua, mas este ano os moradores abriram exceção e mostraram a figura do juiz, não como um traidor, mas como um possível salvador, ou mesmo o ‘Messias’.

Malhaçao-Arte

A irreverência com os figurões da política nacional, não poderia faltar – foto: Diego Janatã.

“O Sérgio Moro hoje é uma das figuras mais famosas e está trabalhando contra a corrupção desses políticos que tentam acabar com o nosso país. Todos os anos nos reunimos e homenageamos alguém da rua, mas esse ano abrimos uma exceção pela situação em que o país se encontra. É uma crítica bem-humorada. Não existe apenas um ‘judas’, todos os corruptos são judas, até o próprio brasileiro com seu famoso jeitinho acaba sendo o corruptor. O Moro não é o salvador, mas ele está fazendo seu trabalho”.

Em outro ponta da cidade, na rua 1° de maio, bairro São Jorge, Zona Centro Oeste da cidade, dona Raimunda de Souza e o senhor Benedito de Souza estampavam a figura do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, preso por envolvimento em crises de corrupção na empresa. “Hoje à noite vamos queimar esse traidor. Lembramos a tradição como o traidor de Jesus”, afirma dona Raimunda entre risos.

Monica Rodrigues, responsável pela criação do boneco diz que foi difícil a escolha de somente ‘um judas’, porque existem muitos corruptos no país. “Mediante a situação em que nosso país se encontra é difícil escolher somente um corrupto. Mas esse foi um dos piores, quem roubou a Petrobras e o dinheiro do povo brasileiro”, diz a católica.

 

Tradição

Segundo o autônomo Mário Jorge, morador da rua há mais 30 anos, hoje a tradição tem sido esquecida, mas não totalmente. “Antigamente tínhamos a tradição do oratório, quando chegar à meia-noite, a gente roubava galinha dos quintais a assava no meio da rua mesmo. O ‘judas’ era uma das tradições da rua, mas com o passar do tempo, as pessoas se ligam mais na era da tecnologia e vão esquecendo as tradições. Os mais jovens têm outras culturas e esquecem o que foi deixado pelos nossos pais, nossos avós. Mas os mais velhos ainda resistem e todos os anos colocamos o judas no seu devido lugar”, afirma.

 

Por Stênio Urbano

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