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Em Manacapuru, produtores de malva e juta seguem ‘reféns’ dos atravessadores

Manacapuruenses são responsáveis por mais de 40% da produção de fibra do país – foto: Ricardo Oliveira

Manacapuruenses são responsáveis por mais de 40% da produção de fibra do país – foto: Ricardo Oliveira

Maior produtor de juta e malva do Amazonas, o município de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) deve sofrer em 2016 mais uma queda na produção de fibras e seus produtores seguem ‘reféns’ de atravessadores que diminuem ainda mais a força dos seus trabalhos. Desde 2013, quando o galpão de beneficiamento e armazenagem da Cooperativa Mista Agropecuária de Manacapuru (Coomapem) foi destruído em um incêndio, a produção diminuiu cerca de 50%, gerando um prejuízo de mais de R$ 2 milhões aos produtores.

Agora, sem a força do beneficiamento da cooperativa, o motivo dessa queda é a grande seca que atinge os rios da região. A presidente da Coomapem, Eliane Medeiro, explica que, por um lado, a seca tem suas vantagens para os produtores locais, que poderão deixar a malva crescer e amadurecer. Assim, o produto acaba sendo mais valorizado. Contudo, eles precisam das águas do rio Solimões para colher e transportar o produto. “Hoje, estamos passando por dificuldade por causa da seca. Já era para estar colhendo, porém, hoje não temos água para afogar e retirar a malva”, explica.

Somados os produtores de Manacapuru a Coari (a 363 quilômetros de Manaus), mais de 700 famílias trabalham com a produção da fibra. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente os produtores macanacapuruenses são responsáveis por mais de 40% da produção nacional de malva.

Morador do lago Supia, localizado a 20 minutos de voadeira do porto da cidade, o agricultor Antônio Souza, 51, explica que a falta de chuvas atrapalha na hora de colher o produto. Ele, que trabalha com a plantação e a colheita da malva desde criança, ao lado do seu pai, Antônio, criou seus filhos e sustenta sua família, composta por sete pessoas, graças à produção da fibra. No momento, a sua torcida é para que a partir do mês de março o nível do rio comece a subir e os produtores consigam escoar o produto.

“A seca ajuda a gente por um certo tempo. Ano passado, acabamos colhendo a malva ainda verde, porque o rio estava cheio. Dessa vez, podemos bater uma boa marca, mas, para isso, o nível das aguas tem que subir. Se isso não acontecer, vamos perder muita malva. Se não atingir um nível bom, não temos como colher e transportar”, relata o microempreendedor rural. Ele diz ainda que pretende colher, neste ano, sete toneladas de malva.

Incêndio
Em 2013, os produtores de juta e malva de Manacapuru sofreram um grande prejuízo quando o galpão da Cooperativa Mista Agropecuária de Manacapuru (Coomapem) foi destruído por um incêndio. Na ocasião, foram perdidas, aproximadamente, 700 toneladas da fibra já processada e beneficiada. Além disso, todo o maquinário utilizado na manufatora também foi todo destruído pelo fogo.

Graças a esse fato, os produtores locais enfrentam grandes dificuldades com a queda no lucro com a produção da fibra. Por não contar com a cooperativa, que antes recebia a malva bruta, qualificava, empacotava e vendia para outras fábricas, os agricultores perderam uma boa parte da margem de lucro. “Por conta do galpão que incendiou, nos deixou desfavorecidos em relação às fabricas. O que pegamos ano passado de fibras foi passado direto para as indústrias sem o beneficiamento; era isso que agregava valor ao nosso produto”, diz.

Por Thiago Fernando

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