Economia

Em decorrência da crise, ingredientes deixam preços das pizzas indigestos em Manaus

Os últimos reajustes das pizzas em Manaus ocorreram no ano passado - foto: Marcio Melo

Os últimos reajustes das pizzas em Manaus ocorreram no ano passado – foto: Marcio Melo

Amada pela maioria dos apreciadores de massas, as pizzas que são servidas recheadas de itens que sofrem com o encarecimento dos alimentos em decorrência da crise econômica, correm o risco de ficar ainda mais caras. A culpa é do queijo muçarela, que no último mês sofreu alta com o reajuste de 5,35% do leite, conforme levantamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15). Nos primeiros seis meses do ano, os dois ficaram 30% mais caros.

Os últimos reajustes das pizzas em Manaus ocorreram no ano passado, numa média de 8% nas do delivery e do formato tradicional – à la carte -, e de quase 9% sobre as do sistema de rodízio. E caso os insumos mantenham o nível de encarecimento, até o fim do ano, a pizza pode sofrer novo reajuste. “O queijo muçarela é um dos nossos principais insumos. Em um mês tivemos o preço reajustado três vezes. Pagávamos em média R$ 19,50 e hoje R$ 23,90 o quilo, um aumento de 23%”, explica o proprietário da Coliseu Pizzaria, Mauro Kariya Coliseu.

Segundo ele, devido a baixa produção de leite no país, não apenas o muçarela ficou mais caro, mas sofrem aumento também os queijos gorgonzola, provolone, parmesão e requeijão. Mas, para ele, além dos insumos das pizzas, os reajustes sobre a energia elétrica no Amazonas, que começaram no ano passado, têm pesado bastante no preço final o produto, e ela só não ficou mais cara porque o empresário diminuiu o lucro. “Infelizmente, em momento de crise é preciso diminuir nossa margem e procurar trazer mais público para nossa casa”, afirma.

Com a pizza mais cara, Mauro conta que após a virada do ano a empresa notou uma queda de 20% em média nas vendas. “Percebemos que os clientes assíduos das empresas estatais e do Distrito Industrial diminuíram bastante, principalmente no horário do almoço quando também servimos na pizzaria”, diz.

“Uma das nossas principais ações foi o de não repassar os aumentos e sempre inovar e tornar os nossos produtos mais atrativos. Em nosso rodízio de pizzas, nós incluímos um bufê de sopas com seis sabores diferentes e 16 tipos de massas entre lasanhas, rondelli, diferentes massas e molhos”, conta Mauro. Ele afirmou que, mesmo com o cenário, a empresa não demitiu nenhum funcionário.

A proprietária da Loppiano Pizza, Vera Lúcia Jacauna, disse que o último reajuste de preço da pizza da empresa foi em novembro do ano passado. Segundo ela, enquanto o rodízio já tem mais de ano que não sofreu reajuste, na tradicional o aumento foi 8% a 9%, abaixo da inflação.

Na pizzaria que inaugurou recentemente no bairro Dom Pedro, Zona Centro-Oeste, a empresária disse que também sentiu o peso do encarecimento do queijo muçarela. “O queijo já sofreu vários reajustes neste ano. No último agora, para nós, saiu de R$ 23 para R$ 29 o quilo. Um aumento considerável. Fomos pegos de surpresa nesta semana e ainda não sabemos se teremos que repassar para o consumidor”, diz.

Por enquanto, Vera Lúcia afirma que a loja mantém o mesmo preço da matriz, com o rodízio a R$ 37 por pessoa adulta, R$ 18 para crianças de 4 a 10 anos e cortesia para crianças de zero a 3 anos. A pizza grande, segundo ela, dependendo dos sabores que o cliente vai escolher, varia entre R$ 59 e R$ 72. E para segurar um pouco o peso da crise, a empresa tirou um dia do rodízio. O sistema, que antes funcionava de segunda a quinta-feira, agora é de terça a quinta.

Por Emerson Quaresma

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