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Em convenção democrata, Obama pede tolerância a erros de Hillary

Na reta final de sua Presidência, derrama-se em elogios e se tornou o principal cabo eleitoral da ex-rival - foto: reprodução

Na reta final de sua Presidência, derrama-se em elogios e se tornou o principal cabo eleitoral da ex-rival – foto: reprodução

De saída da Casa Branca, Barack Obama voltou a falar no encontro de seu partido nesta quarta (27), agora para promover a candidatura da ex-adversária Hillary Clinton, 12 anos após o discurso na convenção democrata que o projetou nacionalmente quando ainda era senador.

Com direito a citar o presidente republicano Ronald Reagan (1981-89) e a exaltar a longa carreira pública da ex-adversária, repetindo que jamais houve alguém tão qualificado para governar o país, Obama admitiu que algumas críticas a ela se justificam, mas pediu tolerância.

Hillary foi alvo de “caricaturas” de direita e esquerda, acusada de “tudo o que se pode e não se pode imaginar”, disse. “Mas ela sabe que isso é o que acontece quando se está sob o microscópio por 40 anos. Ela sabe que cometeu erros, assim como eu. É o que acontece quando se tenta.”

Tão logo o presidente terminou de falar, Hillary subiu ao palco e o abraçou, ao som de palmas dos delegados e de “Sign, sealed, delivery”, de Stevie Wonder, tema da campanha presidencial de Obama em 2008, quando os dois se enfrentaram nas prévias.

O discurso da ex-secretária de Estado está marcado para esta quinta (28), último dia da convenção, quando aceitará a candidatura.

Os EUA já são grandes e fortes, disse, rebatendo a retórica do candidato republicano, Donald Trump, cujo slogan promete “fazer a América grandiosa novamente”.

“Ele [Trump] não oferece soluções reais, só slogans e medo”, afirmou o presidente, fazendo um paralelo: “Ronald Reagan chamava o país de ‘uma cidade brilhante na colina’. Trump chama de ‘cenário rachado de um crime’ que só ele pode consertar.

2008 x 2016

Obama buscou um contraste com Trump na convenção republicana da semana passada, em que o empresário descreveu uma nação à beira do abismo econômico e sob ameaça constante de inimigos externos.

“Nosso país foi testado por guerras e recessão. Estou mais otimista sobre o futuro do jamais estive”, disse Obama. “Só há uma candidata com essa visão de futuro, e ela é Hillary Clinton.”

Em 2008, quando os dois disputaram a candidatura democrata à Casa Branca, porém, Obama acusava Hillary de dizer qualquer coisa para ser eleita, ironizava sua antipatia e a criticava por se alinhar a grandes corporações.

Na reta final de sua Presidência, derrama-se em elogios e se tornou o principal cabo eleitoral da ex-rival.

Obama foi a grande atração do terceiro dia da convenção na Filadélfia, consolidando uma relação que deixou para trás a tensão de 2008 para virar parceria política e, dizem eles, amizade.

“Travamos uma disputa dura, por um ano e meio. Porque Hillary é durona”, discursou Obama, lembrando da campanha de 2008. “Fiquei esgotado.”

Popular entre os democratas e com a aprovação em alta entre o público geral (51%, segundo o Gallup), o presidente pode ter papel de peso.

Ele é capaz de atrair votos que podem decidir a eleição a favor de Hillary, como os de negros, mulheres e, sobretudo, os jovens (público com o qual ela se sai mal), disse à Folha Kyle Kondik, especialista em pesquisas eleitorais da Universidade da Virgínia.

Para Obama, além do interesse partidário, uma vitória de Hillary significaria a manutenção de políticas importantes de seu governo, como a reforma do sistema de saúde, e o acordo nuclear com o Irã, entre outras que Donald Trump promete revogar caso seja eleito em 8 de novembro.

Por Folhapress

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