Sem categoria

Em 50 anos, Parintins cresceu junto com o Festival Folclórico

Vista de Parintins em 1965, ano da criação do Festival que, 50 anos depois, se consolidaria como um dos mais importantes do calendário de eventos do Amazonas – foto: arquivo Tadeu de Souza

Vista de Parintins em 1965, ano da criação do Festival que, 50 anos depois, se consolidaria como um dos mais importantes do calendário de eventos do Amazonas – foto: arquivo Tadeu de Souza

A Parintins de 1965, o ano que foi criado o festival folclórico, nem de longe se compara à Ilha Tupinambarana de 2015. A cidade tinha quatro ruas, dois bairros (São Benedito e Francesa) e três comunidades suburbanas (Aninga, Macurani e Parananema). E foi ali que começou a história de um dos maiores eventos folclóricos do mundo.

A economia vivia a época esplendorosa da juta e malva, responsáveis pelo enriquecimento de muitos produtores que depois de ganhar muito dinheiro com as fibras ampliavam seus investimentos e chegavam à criação de gado.

“Não havia grande desenvolvimento e nem se imaginava que a cidade chegaria aonde chegou, mas a economia era muito forte”, lembra o criador de gado Enéas Farias, que acompanhou aquele momento da cidade.

A recém-criada prelazia de Parintins, sob o comando dos padres italianos do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras, começava a se consolidar.

Parintins tinha sido até então paróquia da Arquidiocese de Manaus. E o foco era a juventude. Para tanto, sob a liderança de um missionário jovem e de grande empatia com a juventude, foi criada a Juventude Alegre Católica (JAC).

As quadrilhas, as danças, os pássaros e os próprios bumbás Garantido e Caprichoso não tinham um local de apresentação. Passavam todo o mês de junho dançando em frente às residências.

“As pessoas chamavam as quadrilhas, os pássaros e os bois para brincar em frente à casa, faziam uma fogueira imensa, preparavam aluá, tarubá, canjica, munguzá e outras iguarias desta época junina para brincar o dia de Santo Antônio e São João. Era assim antes da criação do festival folclórico”, afirma o radialista Aderaldo Reis.

Na quadra

Em 1965, Raimundo Muniz, Xisto Pereira e padre Augusto Giannola, além de Lucinor de Souza Barros, jogador de futebol, que se mudou para Roraima, onde trabalhava como técnico em telecomunicações, fundaram a festividade. Lucinor é o único dos fundadores do festival ainda vivo.

Com apoio de todos os jovens que integravam o grupo Juventude Alegre Católica, Xisto, Muniz – que era o presidente da JAC –, Lucinor e padre Augusto realizaram a primeira edição do Festival Folclórico de Parintins.

O local foi uma antiga quadra atrás da capela de Nossa Senhora do Carmo que funcionou como sede da prelazia enquanto durou a construção da majestosa catedral do Carmo. A capela existe até hoje, mas a quadra deu lugar a duas construções da paróquia.

Desde sua fundação, o festival folclórico iniciava todo dia 12 de junho e encerrava no dia 30, sendo que as noites de 28, 29 e 30 eram dedicadas à disputa dos bumbás Garantido e Caprichoso.

Por Tadeu de Souza (Jornal EM TEMPO)

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir