Economia

Elevação dos juros divide membros do banco central nos EUA

A ata da reunião do final de julho mostra que a elevação da taxa de juros nos Estados Unidos ainda não é consenso no Federal Reserve, o banco central americano.

A quatro semanas da reunião a partir da qual o aumento dos juros passa a ser esperado, a liberação da ata nesta quarta-feira (19) evidencia que a inflação continua a preocupar os membros do banco central.

Próxima de zero, a taxa tida como ideal para a autoridade monetária é de 2%.

A maioria dos membros do Fed acredita que as condições para a elevação dos juros ainda não foram atingidas, mas “já avançaram”, de acordo com o documento.

Alguns deles expressaram insegurança em eventualmente aumentar os juros e depois não ter instrumentos para controlar possíveis desarranjos na economia.

A tomada da decisão é vista com cautela, porque poderia gerar uma realocação de recursos hoje em mercados emergentes para os Estados Unidos.

A desaceleração econômica na China intensifica essa preocupação.

Outros participantes, contudo, afirmam que a elevação na taxa poderia trazer uma mensagem de confiança em relação à recuperação da economia americana.

Alguns recomendaram que uma primeira elevação fosse seguida de um intervalo de observação da reação da economia, mostrou a ata.

Desde 2008, no auge da crise internacional, os juros nos EUA estão praticamente zerados.

Agora, a economia dá sinais de melhora, com a queda do desemprego -de 10% em 2009 para 5,3% em julho-, aquecimento no consumo e um crescimento moderado no PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre.

EMERGENTES

O megainvestidor Mohamed El-Erian, especialista em mercados emergentes, em entrevista à Folha de S.Paulo na semana passada, minimizou possíveis abalos mais profundos no Brasil decorrentes de uma elevação dos juros nos EUA.

“O aumento da taxa, em si mesmo, não é um risco de instabilidade para o Brasil. No entanto, oferece riscos potenciais de efeitos em cascata decorrentes da diminuição de liquidez nos mercados financeiros nas economias avançadas”, disse.

“É importante continuar a construir resiliência tanto financeira quanto econômica” para se proteger, concluiu.

 

Por Folhapress

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