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Eleitores alemães estão preocupados com crescimento de sigla populista

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As urnas fecham às 18h (14h). Os Estados alemães seguem o sistema parlamentarista, em que o eleitor vota na legenda, e o partido que formar a maior bancada ou a coalizão com mais cadeiras tem direito a nomear o “ministro-presidente” (governador) – foto – reprodução

Consideradas um teste para a política de refugiados da chanceler Angela Merkel, as eleições parlamentares em três Estados da Alemanha também se tornaram um termômetro para o crescimento do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão). A maioria dos eleitores ouvidos pela Folha neste domingo (13) em três locais de votação de Magdeburgo, capital da Saxônia-Anhalt, demonstra preocupação com a legenda.

O aposentado Klaus Linie, 91, diz ter votado na União Democrata Cristã (CDU), legenda de Merkel e favorito para continuar a ter a maior bancada no Estado. Ele afirma que “nunca” votaria no AfD: “Por que escolheria um partido que não tem nenhuma proposta concreta e só pensa em bater no tema dos refugiados?”

A sigla tem ganhado espaço justamente entre os alemães que discordam de dar abrigo a cerca de 1,2 milhão de fugitivos de guerras no Oriente Médio. O desempenho mais expressivo é esperado justamente na Saxônia-Anhalt, onde as pesquisas davam quase 20% das preferências ao AfD, o que pode lhe dar a segunda maior bancada no Parlamento, algo que seria inédito na curta história de três anos do partido.

“Eu era criança, mas me lembro bem do que foi a República de Weimar [1919-1933] e o que veio depois”, afirma Linie, fazendo referência ao fracassado período político que precedeu a ascensão nazista. “Não posso concordar com ideias que, de alguma forma, podem nos levar a algo parecido.”

Já Sven Schmidt, 41, não declarou para quem votou, mas fez questão de dizer ser “anti-AfD”. “Essa exploração populista de tentar passar só o que há de problemas na questão dos refugiados não me agrada”, afirma. Schmidt reconhece que ainda há problemas de integração com os alemães, especialmente em seu Estado –a Saxônia-Anhalt registrou quase 10% dos cerca de 1.000 ataques de todo o tipo contra refugiados na Alemanha em 2015.

Antes de entrar para votar, uma eleitora que não quis se identificar disse estar indecisa até aquela hora, pois nenhum partido lhe convencia. “Mas o AfD não é uma possibilidade para mim”, afirmou.

Nenhum dos eleitores abordados pela Folha declarou voto no AfD.

As urnas fecham às 18h (14h). Os Estados alemães seguem o sistema parlamentarista, em que o eleitor vota na legenda, e o partido que formar a maior bancada ou a coalizão com mais cadeiras tem direito a nomear o “ministro-presidente” (governador).

 

Por Folhapress

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