Para o diretor executivo do EM TEMPO, João Bosco Araújo, a questão da migração é mundial. “Como os haitianos estão vindo para o Brasil e principalmente para o Amazonas, outros países também recebem migrantes. Eles buscam trabalho e condições de sobrevivências mínimas”, disse.
Na manhã desta sexta-feira (27) houve uma reunião com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a igreja Católica, outras entidades religiosas e a Secretaria de Estado de Assistência Social (SEAS) onde foram viabilizados alguns acordos para melhorar a vida dos haitianos.
O MPT irá coordenar essas ações em parceria com a igreja Católica e outras instituições.
Já o Seas irá trabalhar a questão de um kit básico para os imigrantes, como colchão, fogão e botija, além do transporte de Tabatinga (distância de 1.108 quilomêtros de Manaus) para a capital.
Segundo o procurador do MP da 11ª Região, Audaliphal Hildebrando Silva, no Amazonas já têm aproximadamente cinco mil haitianos e até a próxima terça-feira (31) devem chegar quase 500 de barco.
Emprego
Em relação a questão de que os imigrantes estariam ocupando as vagas de empregos que deveriam ser para os amazonenses, Hildebrando afirmou há emprego para todos. “Tem emprego para todo mundo, inclusive há outros Estados interessados na mão de obra dos haitianos”.

A ideia é que outros Estados também acolham os haitianos, que eles venham para o Amazonas, mas também se desloquem para outros destinos, e isso já está acontecendo. “Uma mineradora no Paraná levou 30 haitianos. Itajaú, em Santa Catarina, 50, e a Ceasa de Minas Gerais pediu 100”, informou.
Aqueles que já conseguiram trabalho atuam a maioria na construção civil, além de supermercados, casas de família e outros serviços.
De acordo com o procurador, um dado relevante é que não há registros de crimes cometidos pelos haitianos no Amazonas.
Doações
Para o padre Gelmino Costa é preciso enxergar nos haitianos, um ser que tem sofrimentos e sonhos. “Cada haitiano tem sua história, uma família, é preciso considerar a alma, o sofrimento, a esperança e os sonhos desse povo. Eles praticamente foram forçados a deixar o seu país, após o terremoto”.

A pastoral do Migrante está precisando no momento de 500 colchões, fogão de duas bocas, botijas, panelas, roupas, alimentos não perecíveis, principalmente óleo de cozinha, açúcar e produtos de higiene pessoal.
As doações podem ser feitas na igreja do são Geraldo, na avenida Constantino Nery e na igreja dos Remédios, Centro, onde funciona o Serviço de Pastoral do Migrante. Telefones: 8843-8176/3232-7257.
Associação
Para a presidente da Associação dos Trabalhadores Haitianos no Amazonas (ATHAM), Marie Kectelyn Francesi o objetivo da associação é inserir os haitianos na sociedade amazonense. “Auxiliamos na questão de moradia, de obter os documentos e emprego”.
Marie, que também é haitiana, disse que eles vieram em busca de uma vida digna e melhor. “Eles vieram com o objetivo de trabalhar, estudar e depois trazer a família e um dia voltar para o país de origem, para mostrar aos filhos suas origens”, contou.

A Atham fica no bairro Parque 10, em uma sala que ainda precisa ser equipada. Para ajudar com moveis, materiais de expediente, podem ligar para os números: 9136-1775 (Marie Kectelyn - presidente) e 9125-6944 (Cláudio Castro vice-presidente).
O grupo EM TEMPO adere à campanha de Respeito e Solidariedade aos imigrantes haitianos.
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