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É hora de separar os homens dos meninos

Escritor e empresário

Luiz Lauschner
Escritor
e empresário

O Brasil mergulhou numa crise apenas comparável à situação anterior ao golpe de 1964. Felizmente, a democracia está fortalecida e a saída não será a mesma daquele tempo. Com a deposição de Dilma Rousseff, haverá um governo nada popular, mas de quem o Brasil espera muito e muito irá exigir. A crise econômica é grande, mas não há a hiperinflação dos governos Sarney e Collor. O governo deverá direcionar-se e conclamar aos brasileiros a reerguerem este gigante do qual bastonaram os pés. Arrisco-me a nominar algumas atitudes práticas que afastarão as manobras jurídicas e políticas:

A oposição precisa depor as armas e pensar no Brasil e não no poder. O Brasil não suporta mais postergações por questiúnculas partidárias. O buraco está aí e devemos deixar para a policia e o judiciário a apuração e a caça aos causadores dele. Há urgente necessidade de atitudes maduras.

Michel Temer assumindo deveria anunciar a redução de seu próprio salário a menos da metade. Não somos tolos a ponto de acreditar que dez ou vinte mil reais irão fazer qualquer diferença no orçamento nacional. Ele deverá conclamar aos ministros de Estado, senadores, deputados, prefeitos, vereadores e até juízes que façam o mesmo. Provavelmente não será seguido por todos, mas inibirá demonstrações de gastança como sempre assistimos. Até mesmo os funcionários que pretendem fazer greve pelo aumento de salários perderão o discurso. Quem ousará ostentar quando o apelo é para apertar cintos? Então a diferença será significativa.

Enquanto as empresas não puderem participar de licitações por seu envolvimento em crimes, convoque o exército a fazer a construção e a manutenção de estradas e obras públicas. Já foi feito antes e embora não haja estrutura para tudo, pelo menos o Brasil não fica parado.

Podemos garimpar entre os brasileiros que encontraremos homens e mulheres reclusos por estarem sufocados pela distorção de valores que ainda impera. Estes irão ajudar ao Brasil a sair da crise. Um belo exemplo foi o senhor Ralph Baraúna Assayag, presidente da Câmara de Comércio Lojista de Manaus solicitando aos seus colegas empresários que evitem demitir. Foi bonita a atitude do ancião Fernando Henrique Cardoso pedindo aos seus pares do partido que encarem a emergência e ajudem ao país sem pensar nas eleições de 2016 ou 2018. Isso deverá valer também para o próprio presidente que assume e deveria ser seguido por todos os partidos. Não há espaço para melindres.

Se a justiça considerar que Temer deverá sair, porque participou, embora não como cabeça de chave, de um esquema corrupto que elegeu presidente e vice, então, mais do que nunca, haverá necessidade de homens que tenham um objetivo patriótico. Não se pode nem pensar em entregar o poder ao Cunha ou ao Calheiros, suficientemente sujos e sem credibilidade para falar em seriedade administrativa.

Essa crise toda, uma vez removidos os principais causadores dela, deverá revelar valores que estavam esmagados Que Deus nos ajude a encontrar uma saída que não passe pelo esmagamento de valores democráticos. As decisões precisam ser rápidas e ter credibilidade para conseguir a concordância da sociedade. Os que procuram outras vias devem ser entregues à Justiça, sem dar importância a cor da camisa que vestem. O Brasil precisa reencontrar seu caminho.

Não há espaço para meninos no atual momento.

1 Comment

1 Comment

  1. Paulo Gomes

    8 de maio de 2016 at 15:44

    Parabéns Luiz Lauschner pelas excelentes ponderações, aliás como excelentes sempre considerei suas opiniões.

    Esperemos que a classe política se conscientize da necessária urgência na tomada de decisões no sentido da recuperação do país.

    Mais que nunca é hora de se pensar no Brasil.
    Que os homens se apresentem a altura de suas responsabilidades

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