Cultura

É como voar no chão: para professores todo mundo tem direito de aprender a dançar

O Casarão da Dança tem na performance de Júnior do Cavaco sua maior inspiração para que alunas como Mayara Fernandes se realizem na pista - foto: Ricardo Oliveira

O Casarão da Dança tem na performance de Júnior do Cavaco sua maior inspiração para que alunas como Mayara Fernandes se realizem na pista – foto: Ricardo Oliveira

Corpo e mente estão diretamente ligados, da mesma forma que estão ligados estímulo e movimento.  Coloque um pouco de música nessa troca de sensibilidade e seu corpo responderá com movimentos que se tornarão ainda mais delicados se houver contatos de corpos. E isso, só é possível de duas formas: fazendo amor ou dançando. Ou os dois misturados, pois dançar é, também, uma forma de amar. A dança contagia e libera substâncias no corpo, espantando para longe a vida apática ou o estresse do corre-corre profissional. E, como explicamos no início, isso só é possível porque o cérebro é o grande comandante do corpo e de seus movimentos.

Já disseram também que dançar estimula as conexões nervosas, porque cada parte do corpo reage de forma diferente a um estímulo. E a dança também estimula a vida de forma diferente. Ás vezes, a sensação é de uma folha bailando livre em um rio de águas revoltas; em outros casos, dançar nos remete à sensação de estar voando nos braços de alguém. E voando sem sair do chão. Foi para descobrir essas diversas formas de se sentir livre, leve e solto através da dança, que fomos conhecer o Barracão da Dança.

O Casarão de Dança pertence à bailarina premiada Laura Stone, que já participou do Corpo de Dança do Amazonas, e venceu concursos locais e nacionais, como o Festival de Dança Internacional em Joinville, onde levou o terceiro lugar no quesito melhor coreografia. Ela também foi vencedora no Concurso de Passo de Arte, em São Paulo, em que levou os primeiros lugares nas categorias melhor coreografia e melhor dança.

“Os prêmios são importantes porque estão dentro de festivais de maior nível do Brasil, que são da região Sul e Sudeste, onde está a nata do país.  Nossa escola tem um diferencial: trabalhamos com excelência em todas as modalidades”, diz.

Com 15 estilos musicais, que vão do contemporâneo, ballet, jazz, estiletto, às famosas danças de salão – bolero, salsa, merengue, zouk, bachata, quizomba, tango, samba de gafieira, fox, forró e sertanejo – o Casarão de Dança tem quatro salas amplas, com revestimentos adequados para amortecer o impacto com o chão, já que alguns estilos exigem piso diferenciado para favorecer à coreografia.

Um dos oito professores que compõe o quadro do ‘Casarão’, Aldi Júnior Brito, explica que, por mais que a dança não seja ainda tão valorizada na cidade, o número de alunos vem crescendo e ele está ”sempre se reciclando”.

“Trabalhamos com crianças a partir de 2 anos, adultos e idosos. Nossos alunos já ultrapassam 200. Trabalho com dança há 7 anos. Viajo no mínimo quatro vezes ao ano para congressos de dança pelo país  e estou  sempre aperfeiçoando meu trabalho. A dança de salão, infelizmente, ainda não tem um reconhecimento profissional. Ainda é considerada uma forma de lazer e entretenimento”, avalia Júnior.

A parceira de dança de ‘Júnior do Cavaco’, a fisioterapeuta Mayara Fernandes, nasceu com gingado e muito samba no pé. Quem assiste à performance da moça não acredita que ela não é dançarina profissional, mas é aluna e ‘cria’ de Júnior.

“Eu sempre dancei. Quando criança já praticava jazz em uma outra academia aqui de Manaus, mas nunca vi a dança como uma profissão. Em agosto do ano passado, uma amiga minha me convidou para fazer uma aula experimental aqui no Casarão e eu topei. Fiz a aula e acabei gostando. Logo em seguida, recebi um convite para dançar com Júnior e estou aqui até hoje. Algumas vezes há eventos e a gente dança, mas sou apenas aluna mesmo”.

Outra aluna dedicada é a professora aposentada Cléa Ladeira, de 70 anos, que já pratica dança há 8 anos. “Sou admiradora da dança, principalmente a de salão, e busquei nela desenvoltura, técnica e prazer de dançar, o que me faz uma pessoa mais feliz. Se você tiver dedicação, vontade, não é difícil. Desde que haja ensinamento e didática como encontrei no meu professor, Júnior!”, disse.

O professor também mencionou a dificuldade que os alunos têm para praticar dança em Manaus. Mas como há sempre um ‘jeitinho brasileiro’, o ‘Casarão de Dança’ promove bailes temáticos, na própria escola, onde são postas em prática todas as coreografias trabalhadas por eles. “Geralmente nossos bailes são na própria escola, mas em novembro do ano passado, realizamos um evento enfatizando o samba de gafieira, no Rio Negro Clube, ‘Casarão in Rio’, onde teve workshops de profissionais do RJ. A presença dos nossos alunos foi muito boa e vieram alunos de outras escolas também”, disse o professor.

Por Luana Dávila

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