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Durante revista no Compaj, SSP e Exército Brasileiro encontram ‘celas de luxo’

A cela mostrada pertencia ao narcotraficante ‘Zé Roberto da Compensa’, um dos chefes da facção criminosa conhecida como ‘Família do Norte’ (FDN) - foto: divulgação/SSP

A cela mostrada pertencia ao narcotraficante ‘Zé Roberto da Compensa’, um dos chefes da facção criminosa conhecida como ‘Família do Norte’ (FDN) – foto: divulgação/SSP

Durante revista realizada na manhã desta quarta-feira (29) pelo Exército Brasileiro, juntamente com a Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM), no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) – localizado no quilômetro 8 da BR-174 –, foram encontradas “celas de luxo” que eram utilizadas por alguns detentos do presídio. O titular da SSP, Sérgio Fontes, acompanhou a vistoria em companhia do comandante do CMA, general Theofilo Oliveira, com o intuito de preparar uma ação contundente com o acompanhamento de todas as entidades de Direitos Humanos.

A ação, batizada de ‘Operação Varredura’, se iniciou por volta de 7h e teve a participação de 120 policiais militares, incluindo o Batalhão de Choque e o Pelotão Anti-Bombas, e 40 homens do Exército Brasileiro. O helicóptero da SSP também sobrevoou o local.

Numa das celas – que fica situada em um dos pavilhões, chamado de ‘Pavilhão Azul’ – foram encontradas diversas regalias como eletrodomésticos (ventiladores, televisores de led, aparelhos de som, frigobar, dentre outros), além de camas de casal e dispensas contendo uma grande quantidade de alimentos e condimentos de boa qualidade.

A cela, que também estava revestida com porcelanato, pertencia ao narcotraficante José Roberto Fernandes, o ‘Zé Roberto da Compensa’, um dos chefes da facção criminosa conhecida como ‘Família do Norte’ (FDN).

A ação, que teve início por volta de 7h, teve a participação de 120 policiais militares e 40 homens do Exército Brasileiro - foto: Janailton Falcão

A ação, que teve início por volta de 7h, teve a participação de 120 policiais militares e 40 homens do Exército Brasileiro – foto: Janailton Falcão

Segundo o titular da SSP, Sérgio Fontes, as secretarias responsáveis pela segurança do Estado estão acompanhando esta guerra interna entre facções que ocorre dentro dos presídios e, consequentemente, repercute na segurança pública.

“Nós temos uma demanda antiga do secretário Bonates para que estas ações sejam realizadas. Sem contar, que também temos a ordem direta do nosso governador José Melo para que o combate contra o crime organizado continue de maneira incessante”, enfatizou.

Questionado sobre as regalias encontradas nas celas do Compaj, o secretário explicou que esse tipo de coisa não é comum nos presídios e disse acreditar que o titular da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), coronel Louismar Bonates, tomará as devidas providências para resolver o assunto em questão.

Fontes ainda observou que a ação serviu para mostrar, em última análise, que o Estado é quem controla o sistema prisional, e não as organizações criminosas. “Eu tenho certeza de que o secretário Bonates não tem conhecimento desse sistema de regalias e também acredito que ele tomará as devidas providências e prestará as informações através de apuração, pois não pode haver privilégios entre presos. Havendo isto, a gente estimula o crime organizado a atuar dentro do sistema prisional e esse tipo de atitude é inadmissível”, ressaltou.

Sistema de regalias

De acordo com o titular da Seap, coronel Louismar Bonates, as ‘celas de luxo’ encontradas no sistema prisional funcionavam como uma espécie de “celas íntimas”, também chamadas de “motéis”.

Ainda conforme Bonates, este tipo de benefício já existia quando ele assumiu o controle da Seap – também conhecida como Sejus, na época –, pois tudo o que tem dentro do regime fechado é devidamente autorizado pelo juiz de direito da Vara de Execução Penal (VEP), Luiz Carlos Valois.

De antemão, o secretário ainda ressaltou que são 25 celas que possuem este sistema de regalias, sendo 20 “celas íntimas” e outras cinco que também disfrutam de benefícios. Tudo autorizado pela Justiça.

Aparelho de guerra

O Exército Brasileiro, por meio do Comando Militar da Amazônia, testou um novo equipamento – um rastreador de minas, utilizado pelo Exército em ações de guerra no Haiti – durante a ação de vistoria, realizada na manhã desta quarta-feira (29), no Compaj.

O aparelho funciona como um detector de metais – usado para rastrear armas brancas e de fogo, além de telefones celulares e equipamentos que auxiliem durante fuga.

De acordo com informações do Exército Brasileiro, 10 detectores chegaram a Manaus neste domingo (26), com a intenção de auxiliar na segurança do Estado.

Ainda conforme o esquadrão, esta essa foi a primeira vez que os aparelhos foram utilizados na capital.

Por Narel Desiree

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