Economia

Duas rodas do PIM fechará o ano com queda de 12%, prevê abraciclo

Nos nove meses de 2015, a Yahama acumulou perdas de 47,39% no volume de exportação em relação ao mesmo período do ano passado - foto: Diego Janatã

Nos nove meses de 2015, a Yahama acumulou perdas de 47,39% no volume de exportação em relação ao mesmo período do ano passado – foto: Diego Janatã

O que se desenhava no primeiro semestre de 2015 deve ser confirmado no final deste ano para o polo de duas rodas. De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Fermanian, o número pode passar da casa dos 10%.

“A estimativa é chegar em torno de 1,3 milhão de unidades vendidas, considerando que no ano passado foram 1,5 milhão. Então, a gente deve fechar o ano entre 10% a 12%. Mais ou menos mantendo o mesmo patamar de hoje”, disse Fermanian, que preferiu não traçar qualquer tipo de projeção em relação ao próximo ano.

Para as montadoras, o cenário produtivo é mais ou menos parecido com o que prevê a Abraciclo. Segundo o diretor comercial da Yamaha, Márcio Hegenberg, os índices dos primeiros seis meses em relação ao ano anterior foram praticamente os mesmos. “O primeiro semestre até que foi relativamente parecido. Deve ter caído no máximo uns 5% ou 6%. Agora, na totalidade do ano deve ficar em 10%”, adiantou.

Pressionada pela crise do polo de duas rodas, a Yamaha Motor da Amazônia paralisou, entre os meses de abril e maio, duas linhas de montagem da sua fábrica do parque fabril de Manaus. Dados do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindimetal-AM) apontaram que mais de mil trabalhadores ficaram em casa por 18 dias.

Nos nove meses de 2015, a Yahama acumulou perdas de 47,39% no volume de exportação em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Balança Comercial do Amazonas, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Enquanto em 2014 a empresa exportou US$ 31,2 milhões, até o mês de setembro de 2015 a montadora exportou apenas US$ 16,4 milhões.

O diretor de relações institucionais da Honda, Paulo Takeuchi, adotou um discurso otimista para este fim de ano. “A média de queda tem sido em torno de 12%. Ainda temos o último trimestre do ano e esperamos amenizar um pouco essa queda”, resumiu.

Takeuchi apostou no Salão Duas Rodas para amenizar os efeitos da crise. O evento, que reuniu as principais montadoras do país em São Paulo, encerrou nesta segunda-feira (12). De janeiro a setembro, a Moto Honda exportou 39,84% a menos ante o mesmo período de 2014. Neste ano, a multinacional japonesa exportou US$ 65,8 milhões e no ano passado o volume de exportação no período chegou a US$ 109,5 milhões.

Emprego

Além da queda na produção, o setor fechará o ano com menos postos de trabalho em relação ao ano passado, segundo o presidente da Abraciclo. “Terminamos o ano passado com pouco mais de 18 mil [empregos] e hoje nós temos pouco mais de 16 mil. Então, inevitavelmente ela sofre os reflexos dessa queda de volume. A gente vem tentando manter nosso quadro, que é um investimento elevado para treinar e formar uma pessoa na Zona Franca de Manaus, mas infelizmente é uma realidade que temos de encarar de frente”, contou Fermanian.

Por André Tobias

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