Economia

Dólar volta a subir com exterior e BC; Bolsa cai com Petrobras e bancos

Após um pausa no dia anterior, o Banco Central retomou nesta quarta-feira (20) os leilões de swap cambial reverso, que equivale à compra de dólares pela autoridade monetária. A operação, somada ao cenário externo negativo, com a queda dos preços do petróleo, leva o dólar a subir ante o real.

O recuo do petróleo também pressiona as ações da Petrobras, e o Ibovespa recua. Indicadores econômicos ruins, com o IPCA-15 e o desemprego acima das expectativas, são outros motivos de pessimismo no mercado doméstico.

Os investidores seguem atentos ao cenário político, com o andamento do processo de impeachment no Senado e as sinalizações de como deverá ser um possível governo sob comando do atual vice-presidente, Michel Temer. O mercado também acompanhará com atenção a sessão do STF que julgará a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil.

O dólar comercial ganhava há pouco 0,51%, a R$ 3,5470, tendo atingido a cotação máxima de R$ 3,5680 na sessão até o momento. O dólar à vista tinha leve alta de 0,03%, para R$ 3,5448, após ter subido a R$ 3,6120.

O Banco Central leiloou nesta quarta-feira 20.000 contratos de swap cambial reverso, no montante de US$ 1 bilhão. Além disso, o recuo do petróleo, em função do fim da greve de trabalhadores do setor no Kuwait, afeta negativamente moedas de países emergentes, como o real.
A greve dos empregados do setor de petróleo no Kuwait durou três dias e chegou a afetar a produção naquele país.

Há pouco, o petróleo Brent, negociado em Londres, perdia 0,93%, para US$ 43,62 o barril; em Nova York, o WTI cedia 1,44%, para US$ 40,49.

BOLSA

O Ibovespa perdia 0,46%, aos 53.465,06 pontos. As ações da Petrobras recuavam 1,35%, a R$ 9,49 (PN) e 0,48%, a R$ 12,30 (ON), em função da queda do petróleo no mercado internacional.

As ações da Vale, porém, subiam, acompanhando a alta do minério de ferro na China. Vale PNA ganhava 3,66%, a R$ 16,42; Vale ON, +3,37%, a R$ 21,15.

O minério de ferro entregue em Qingdao, na China, subiu pela terceira sessão seguida. A alta no preço da matéria-prima nesta quarta-feira foi de 3,05%, para US$ 64,77 a tonelada.

Além disso, a mineradora divulga nesta quarta-feira, após o fechamento do mercado, seu relatório de produção referente ao primeiro trimestre deste ano. A expectativa de analistas é de recorde na produção de minério.

As siderúrgicas também se beneficiavam da alta do minério: CSN ON, +3,68%; Usiminas PNA, +9,17% e Gerdau PN, +1,23%.

No setor financeiro, Itaú Unibanco PN, -1,39%; Banco do Brasil ON, -0,90%; Bradesco PN, -0,84%; Santander unit, +0,51%; e BM&FBovespa ON; + 0,71%.

Segundo analistas, indicadores negativos divulgados nesta quarta-feira renovaram as preocupações em relação à situação da economia do país.

A taxa de desemprego nacional no Brasil chegou ao patamar de dois dígitos pela primeira vez desde o início da série histórica da pesquisa do IBGE, iniciada no primeiro trimestre de 2012. Conforme o instituto, a taxa de desemprego foi de 10,2% no trimestre encerrado em fevereiro deste ano, acima dos três meses anteriores (9%) e também do mesmo período do ano passado (7,4%).

Além disso, o IPCA-15 de abril foi de 0,51%, alta em relação aos 0,43% registrados na prévia do mês de março. A prévia da inflação oficial indica, assim, que a tendência é de que a inflação de abril acelere em relação a março.

Tanto a taxa de desemprego quanto o IPCA-15 vieram acima das expectativas do mercado. A mediana das projeções de analistas para o desemprego era de 10,1%, enquanto que para o índice de inflação era de 0,47%.
“Ainda no radar, como motivo de preocupação, está a questão do recálculo da dívida dos Estados, o que pode agravar ainda mais a situação fiscal do País”, destaca a corretora Rico, em comentário ao mercado.

JUROS

A aceleração da inflação indicada pelo IPCA-15 e a alta do dólar pressionam os juros futuros de longo prazo. O contrato de DI para janeiro de 2017 operava estável, a 13,520%, mas o DI para janeiro de 2021 avançava de 12,900% para 12,940%.

O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e indicador da percepção de risco do país, subia 1,40%, para 343.063 pontos.

EXTERIOR

Nas Bolsas da Europa e EUA, a alta do minério de ferro na China e resultados corporativos fortes relativos ao primeiro trimestre compensavam a queda do petróleo.
Na Bolsa de Nova York, o índice Dow Jones perdia 0,12%; o S&P 500, -0,07% e o Nasdaq, -0,13%.

Na Europa, a Bolsa de Londres recuava 0,32%; a Bolsa de Paris subia 0,05%; Frankfurt, +0,14%; Madri, +1,57%; e Milão, +0,60.

Na Ásia, as ações chinesas caíram após um movimento de realização de lucros e com expectativas menores de estímulos monetários. No restante da Ásia, o tombo dos preços do petróleo afetou a maior parte dos índices.

Por Folhapress

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