Economia

Dólar sobe mais de 2% e Bolsa cai 3,7% com BC dos EUA e Coreia do Norte

O tom da sexta-feira (9) foi de pessimismo nos mercados mundiais, com a percepção de que os juros americanos podem subir mais cedo do que o esperado. Além disso, a Coreia do Norte anunciou a realização de seu quinto e maior teste nuclear, o que gerou preocupação na comunidade internacional.

A moeda americana subiu mais de 2% frente ao real, e o Ibovespa caiu 3,71%, a maior queda percentual em sete meses. Os juros futuros e o CDS (credit default swap) brasileiro de cinco anos, indicador de percepção de risco, avançaram.

O dólar se fortaleceu mundialmente depois que o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) de Boston, Eric Rosengren, alertou que esperar muito para aumentar os juros americanos poderia levar ao superaquecimento da economia do país e ameaçar a estabilidade financeira.

“O que o Rosengren falou vai contra o que o próprio Fed vem indicando ultimamente, de que serão necessários mais dados antes de qualquer decisão sobre uma alta dos juros”, comenta um operador do mercado financeiro. “Mas basta qualquer declaração para mexer com o mercado, até porque as Bolsas estão muito esticadas, ou seja, subiram muito, e têm gordura para queimar”, acrescenta.

Até então, a maioria das apostas se concentrava em uma elevação dos juros americanos em dezembro, mas o alerta de Rosengren aumenta a possibilidade de uma alta já em setembro.

Os investidores ainda repercutem negativamente o fato de o BCE (Banco Central Europeu) não ter anunciado nesta quinta-feira (8) novas medidas de estímulo monetário.

“Esses fatores foram o gatilho que os mercados precisavam para realizar os lucros recentes”, afirma Cleber Alessie, operador de câmbio da operadora H.Commcor.

Nos últimos meses, as Bolsas globais subiram e o dólar perdeu força por causa do excesso de liquidez mundial promovida pelas políticas de estímulos monetários de bancos centrais e pela perspectiva de manutenção dos juros americanos no atual patamar por mais tempo. Agora, devolveram parte desses ganhos.

Câmbio e juros

A moeda americana à vista fechou com valorização de 2,19%, a R$ 3,2689, na maior alta porcentual desde 5 de abril deste ano. Na semana, avançou 0,60%.

O dólar comercial ganhou 2,05%, a R$ 3,2780, acumulando alta de 0,77% na semana.

Contribuiu para a desvalorização do real a queda de mais de 4% do petróleo no mercado internacional, após a forte alta da véspera.

Como tem ocorrido diariamente, o Banco Central leiloou pela manhã 10 mil contratos de swap cambial reverso, equivalentes à compra futura de dólares, no montante de US$ 500 milhões.

Apesar da desaceleração da inflação oficial, o IPCA, em agosto, o mercado de juros futuros operou em alta, refletindo a apreciação do dólar e o cenário externo negativo. O contrato de DI para janeiro de 2017 subiu de 13,950% para 13,975%; o contrato de DI para janeiro de 2018 avançou de 12,460% para 12,580%; e o DI para janeiro de 2021 passou de 11,880% para 12,090%.

“O IPCA de agosto não surpreendeu; esperava-se uma desaceleração frente à inflação de julho, mas em 12 meses a variação de preços segue elevada”, comenta a equipe de análise da Guide Investimentos, em relatório. “Os preços dos alimentos desaceleraram, mas seguem sendo fonte de preocupação para o BC, atento à sua persistência”, acrescenta.

O CDS de cinco anos brasileiro, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, ganhava 3,91%, aos 255,102 pontos, no maior avanço percentual desde 24 de junho deste ano (+6,49%).

Bolsas

O Ibovespa fechou em baixa de 3,71%, aos 57.999,73 pontos, seguindo o comportamento das demais Bolsas no mundo. O giro financeiro foi de R$ 8,15 bilhões.

O principal índice da Bolsa paulista encerrou a sessão com a maior queda percentual desde 2 de fevereiro deste ano, quando perdeu 4,87%. Na semana, o Ibovespa perdeu 2,71%.

Pressionadas pelo recuo do petróleo, as ações da Petrobras perderam 4,99%, a R$ 13,51 (PN), e 5,43%, a R$ 15,50 (ON). Os papéis da Vale caíram 4,73%, a R$ 14,49 (PNA), e 5,22%, a R$ 16,86 (ON).

No setor financeiro, Itaú Unibanco PN recuou 3,79%; Bradesco PN, -5,52%; Bradesco ON, -5,28%; Banco do Brasil ON, -5,34%; Santander unit, -3,51%; e BM&FBovespa ON, -4,56%.

Em Nova York, o índice S&P 500 terminou a sessão em baixa de 2,45%; o Dow Jones, -2,13%; e o Nasdaq, -2,54%.

Na Europa, a Bolsa de Londres encerrou a sexta-feira com perda de 1,19%; Paris, -1,12%; Frankfurt, -0,95%. Madri, -0,83; e Milão, -1,26%.

Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve queda de 0,64%. O índice de Xangai caiu 0,55%. Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 0,04%, a 16.966 pontos.

Por Folhapress

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