Economia

Dólar sobe 1,2%, para R$ 3,27, com apostas de alta dos juros nos EUA

O dólar comercial fechou com valorização de 1,2% nesta sexta-feira (26), para a casa dos R$ 3,27, com o aumento das apostas de uma alta dos juros americanos ainda neste ano.

No encontro anual de presidentes de bancos centrais em Jackson Hole (Wyoming), a presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos), Janet Yellen, afirmou que a possibilidade de alta das taxas aumentou nos últimos meses, mas que ela será gradual.

A dirigente disse que “a economia dos EUA está se aproximando das metas do Fed de pleno emprego e estabilidade de preços”, mas não indicou quando o BC vai voltar a aumentar a taxa.

A leitura inicial dos investidores foi de que, com o discurso, Yellen afastou um aumento dos juros já em setembro. Desta forma, moeda chegou a cair mais de 1% frente ao real, para abaixo de R$ 3,20.

O dólar já recuava globalmente desde cedo frente às principais moedas nesta sexta-feira, depois que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) americano foi revisado de 1,2% para 1,1% no segundo trimestre. O movimento de baixa da moeda americana foi ampliado com o discurso de Yellen.

Entretanto, na sequência, o vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, afirmou que Yellen deixou aberta a possibilidade de uma elevação das taxas no próximo mês. Foi o suficiente para o dólar inverter o sinal no mundo todo e passar a subir.

Segundo a agência Bloomberg, a probabilidade de uma alta dos juros nos Estados Unidos subiu nesta sexta-feira para 42% em setembro, ante estimativas anteriores por volta de 30%.

O Ibovespa, que chegou a avançar mais de 1,3% após a fala de Yellen, chegou a recuar, mas encerrou o pregão praticamente estável.

“Agora, as atenções do mercado se voltam para os dados de emprego de agosto nos Estados Unidos, que saem no próximo dia 2”, avalia José Faria Júnior, diretor-técnico da Wagner Investimentos. “Se os números vierem fortes, aumentarão as chances de uma alta dos juros em setembro.”

Para Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor, o dólar caiu em um primeiro momento porque Yellen citou o uso de estímulos econômicos, como compras de títulos, em caso de necessidade. “Aí veio o discurso do Fischer e corrigiu a interpretação do mercado”, afirma. “O Fed vem mostrando que está comprometido em subir os juros, sim.”

Nos últimos dias, vários integrantes do BC americano, incluindo Fischer, indicaram que um aumento dos juros americanos está próximo por causa da força da economia americana.

No campo doméstico, o mercado aguarda a conclusão do processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, até o início da próxima semana.

Dólar e juros

O dólar comercial terminou o pregão em alta de 1,20%, a R$ 3,2710 —a maior cotação desde o dia 1º de agosto (R$ 3,2730). A moeda americana à vista subiu 0,40%, a R$ 3,2398

Pela manhã, como tem ocorrido diariamente, o Banco Central leiloou 10.000 contratos de swap cambial reverso, no montante de US$ 500 milhões.

No mercado de juros futuros, o contrato de DI para janeiro de 2017 encerrou estável, a 13,990%; o DI para janeiro de 2018 subiu de 12,730% para 12,750%; e o DI para janeiro de 2021 avançou de 11,990% para 12,110%.

O CDS (credit default swap) brasileiro, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, porém, perdia 0,53%, aos 259,712 pontos.

Bolsa

O principal índice da Bolsa paulista terminou em baixa de 0,01%, aos 57.716,25 pontos. O giro financeiro foi de R$ 7,3 bilhões.

As ações da Petrobras subiram 0,15%, a R$ 12,55 (PN), e 0,74%, a R$ 14,96 (ON). Os preços do petróleo ficaram perto da estabilidade.

Os papéis da Vale caíram 2,20%, a R$ 15,07 (PNA), e 2,58%, a R$ 17,71 (ON), seguindo a queda do minério de ferro na China.

No setor financeiro, Itaú Unibanco PN ganhou 1,21%; Bradesco PN, +1,38%; Bradesco ON, +0,31%; Banco do Brasil ON, +2,04%; Santander unit, +0,26%; e BM&FBovespa ON, -0,44%.

Exterior

Em Nova York, o índice S&P 500 perdeu 0,16% e o Dow Jones, -0,29%. O índice da Bolsa eletrônica Nasdaq subiu 0,13%.

Na Europa, a Bolsa de Londres fechou em alta de 0,31%; Paris, +0,80%. Frankfurt, +0,55%; Madri, +0,70%; e Milão, +0,80%.

Na China, o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve queda de 0,06%. O índice de Xangai ganhou 0,07% na sessão.

O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio caiu 1,18%, pressionado pelo fortalecimento do iene.

Por Folhapress

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